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03/06/13
09/02/12
Esclavagistas, ditadores, desrespeitadores, o que se quiser: mas quando toca a dividendos, passem para cá o papel e deixem-se de chinesices
Martin Schulz, um senhor de quem nunca tinha ouvido falar mas que é presidente do Parlamento Europeu, acordou para a vida e cascou no modelo chinês. Chamou-lhe uma "sociedade esclavagista, sem direitos, uma ditadura que oprime implacavelmente o ser humano".
Entretanto cá, enquanto accionistas da EDP e da REN, as duas empresas chinesas a quem pagamos agora para ter luz vão embolsar aproximadamente 100 milhões em dividendos.
Chamem-lhes piegas.
10/11/11
09/11/11
31/03/11
Aparvalhados ou não, basicamente é isto
Durante os anos cavaquistas andámos a betunar o país. Durante os anos socratistas foi um fartote de marketing e publicidade. Resultado: hoje nem o olival se safa. Por estas e por outras, faço minhas as palavras do Souto Moura: Deixem de ser parvos, EMIGREM!
04/08/10
O inquérito do inquérito ao inquérito
Eu, que não sou a rainha de Inglaterra nem de intrigas e que derivado ao calor tenho sérias dificuldades em escrever postes inteligentes, quero aqui declarar a minha compreensão total para com o autor destas linhasIsto será definitivamente um mundo melhor quando o último ‘procurador-que-nunca-encontra-nada’ for enforcado nas tripas do último ‘magistrado-que não-julga-nada’, que por sua vez será pendurado nas tripas do último ‘bófia-que não-investiga-nada’... (roubado nesta caixa de comentários).
Desculpar-me-ão o desusado radicalismo mas a silly season, o pinto monteiro, o fripór e os lopes da mota & silva pereira não dão para mais do que isto.
30/07/10
Da casa pia ao fripór sem esquecer as scuts e as causas da decadência do Quental
Na minha opinião (muitíssimo pessoal) isto começou irreversivelmente a afundar-se no dia em que Carlos Cruz foi chorar à TV. Como todos os que eram nascidos na altura se lembrarão de certeza, vivia-se um tsunami avant la lettre.O Carlos Cruz!!! E sim, ponham pontos de exclamação nisso.
Também eu fiquei de boca aberta. Depois vi-o chorar no ecrã e a coisa cheirou-me a esturro: cá para mim, que já li muitos livros e assisti a muitos filmes embora desconfie visceralmente da psicologia e possa estar enganada, um homem acusado de pedofilia não chora. Fica em estado catatónico, enfurece-se, gagueja ou pragueja, mas não chora. E não estou a citar Sttau Monteiro nem o Gonçalo Amaral.
Culpado ou inocente, confrontar-se com a simples eventualidade de um Carlos Cruz pedófilo terá sido para todos o que de algum modo simpatizavam com ele (e eram quase todos) tão devastador como (imagina-se) o encontro de Maiakovski com a besta estalinista. Mas enquanto o poeta russo se foi com um tiro certeiro no coração, os portugueses continuaram a reproduzir-se.
Carlos Cruz era, pois, um tipo simpático. Excelente comunicador, encarnava uma espécie de good neighbor next door, género Tom Hanks mas mais baixo. E também ele transversal a todos os géneros, gerações, e credos.
Resumindo: a participação no velho Zip Zip garantia-lhe uma aura anti-fascista (palavra muito em voga a dada altura); a locução do programa humorístico Pão com Manteiga — onde lia com sotaque brasileiro a memorável frase Este já está liquidado. O tiro foi bem na testa. Não comerá mais criancinhas no caminho da floresta — garantia-lhe uma aura libertária; a apresentação de Quem Quer Ser Milionário alargou-lhe a zona de influência e, finalmente, ao dar o rosto pelo euro tornou-se num valor unânime (a malta do PCP, que era contra o euro, estava garantida por causa do Zip Zip...).
Carlos Cruz era assim uma espécie de Mário Soares dos pequeninos pró maior, porque nem lhe era necessário descontar o ódio persistente dos taxistas.
Agora imaginem comigo. O que é que aconteceria se alguém descobrisse que a própria mãe — que lhe ensinara coisas tão inócuas como comer sem pôr os cotovelos na mesa — escondia dentro de si um Hannibal Lecter?
Pondo de lado a hipótese reconfortante de tal pessoa se converter ao vegetarianismo, é provável que o seu sistema de valores ficasse um tanto baralhado.
Tenho para mim que foi isso que aconteceu a Portugal. Seja Carlos Cruz condenado ou não pela justiça, a mera suspeita abriu a caixa de Pandora e não há como fechá-la.
Pondo as coisas em perspectiva.
O que é o inglês técnico de Sócrates comparado com pedofilia? O que são os submarinos de Portas comparados com pedofilia? O que é um sobrinho na Suíça comparado com pedofilia? O que são as offshores do BPN comparadas com pedofilia? O que são os robalos de Vara comparados com pedofilia? O que é um centro comercial em Alcochete comparado com pedofilia? O que é o gamanço de dois gravadores comparado com pedofilia? O que são as lutas intestinas no Ministério Público comparadas com pedofilia? Etc.
Comparado com pedofilia, talvez mesmo só as SCUTs. Isto atendendo, pelo menos, à projecção da polémica, cuja dimensão interclassista e catastrofista já levou muitos comentadores, ou pelo menos eu, a antevê-las como o (contra)ponto G que fará cair o governo.
Entretanto, a reflexão sobre o caso das SCUTs, matéria que parece indiciar uma estranha fixação automobilística do povo lusitano — talvez só comparável à fase anal definida por Freud — remeteu-me, sem eu querer até porque não conduzo, para uma frase do Sena: O problema não é salvar Portugal, é salvarmo-nos de Portugal.
Eu sei que Sena tinha mau feitio. Mas com feitio ou sem feitio, tenho para mim que o homem estava certo. O que me cria um problema novo: a frase foi escrita muito antes do libelo a Carlos Cruz. Ou seja, talvez não resida nele a explicação que eu buscava e, assim sendo, este post não tem pés nem cabeça. Ou terá? Em verdade vos digo que não sei.
O que sei resumidamente é isto.
O Sócrates aborrece-me. O Passos maça-me. Cavaco anestesia-me. Quanto ao resto, Portas tem boa voz mas não me encanta; o PCP idolatrou anos e anos a Zita e só isso é quanto basta; por fim, o fracturante Louçã: demasiado beato.
Apesar de tudo e parafraseando o outro, we'll always have Cormac. Melhor dizendo, no country for old ladies que quanto à decadência já Antero falava disso e antes de haver televisão.
30/06/10
Esta gente do governo é tão tonta que me obriga a concordar com um iluminado como o Macário Correia
Apesar do assunto das SCUTs não me interessar por aí além, reconheço que quando penso nele (o que nunca faço nos dias da semana divisíveis por dois) acabo sempre um pouco confusa.A última proposta do governo (última, naturalmente, é uma forma de expressão...) acerca de quem deve e não deve pagar portagem — só paga a malta dos concelhos mais ricos — suscitara-me uma dúvida. Passo a expô-la.
Eu vivo num concelho dos mais pobres. Tenho três Ferraris (é um exemplo; eu nem gramo Ferraris). Não pago portagem?
Então não é que vejo hoje a minha dúvida ser expressa pelo Macário Correia?! Confesso o meu incómodo. E prometo nunca mais pensar no assunto.
29/04/10
A crise começa a cheirar muito mal: mas então não bastava ir vender Magalhães ao Chávez e o Allgarve ao mundo?
Primeiro: alguém acredita que aqueles dois rapazolas que apareceram juntos nas televisões – a dizer nada – sejam realmente capazes de safar o barco? Eu, pela parte que me toca, não lhes comprava nem um par de anzóis.Segundo: as reacções à aparição conjunta e simultânea dos dois rapazolas também primaram muito pela profundidade e pelo realismo. Um senhor chamado Athayde Marques, que as a living dirige a Bolsa de Lisboa, por exemplo, derramou este arrazoado de coisas comoventes: é preciso haver «coesão ao nível político, no sentido de que os principais partidos têm realmente que convergir nas soluções e ter uma visão estratégica daquilo que é importante para o país e daquilo que são as condições absolutamente necessárias para sair desta crise», acrescentando que «as greves e a agitação social são muito negativas para o país» porque «atrasam a recuperação do país, têm um efeito negativo na economia, mas também porque dão uma imagem negativa no exterior e hoje em dia a imagem de Portugal está na primeira linha de escrutínio.» Uf!
Terceiro: suponho que já em resultado da boa vontade saída daquele encontro memorável começam as mexidas e o governo do Engº Sócrates propõe-se, para começar!!!, poupar nos subsidíos de desemprego.
Uma senhora chamada Helena André, de quem nunca tinha ouvido falar mas que parece que é ministra, diz que as medidas visam «incentivar o regresso dos desempregados ao mercado de trabalho».
Não é para me fazer engraçada, mas se um dos maiores problemas resume-se, precisamente, a não haver trabalho, a que mercado é que ela quer que os desempregados regressem?
Não é para me fazer engraçada, mas se um dos maiores problemas resume-se, precisamente, a não haver trabalho, a que mercado é que ela quer que os desempregados regressem?
E enquanto este mesmo mete nojo de gente que afundou o país quer agora convencer-nos com o slogan patrioteiro Juntos Vamos Salvar Portugal! há quem pense.
Martin Wolf, por exemplo, que escreveu isto: “os superavits estruturais do sector privado e em conta corrente alemães tornam praticamente impossível aos seus vizinhos eliminar os seus défices fiscais, excepto se esses vizinhos estiverem dispostos a conviver com longos períodos de queda na actividade económica”;
Ou isto: “O projecto de união monetária enfrenta um enorme desafio. Ele não tem uma maneira fácil de resolver a crise grega. Mas a questão maior é que a zona do euro não vai funcionar como a Alemanha deseja. Como afirmei anteriormente, a zona do euro só pode se tornar germânica exportando um enorme excedente de oferta ou empurrando grande áreas da economia da zona euro para uma recessão prolongada, ou, mais provavelmente, as duas coisas. A Alemanha pôde ser a Alemanha porque outros não o foram. Se a própria zona do euro se tornasse Alemã, não vejo como isso funcionaria.”
Pois. Mas há malta que julga que a Europa começou com a CEE e que o capitalismo chega e sobra para todos.
Martin Wolf, por exemplo, que escreveu isto: “os superavits estruturais do sector privado e em conta corrente alemães tornam praticamente impossível aos seus vizinhos eliminar os seus défices fiscais, excepto se esses vizinhos estiverem dispostos a conviver com longos períodos de queda na actividade económica”;
Ou isto: “O projecto de união monetária enfrenta um enorme desafio. Ele não tem uma maneira fácil de resolver a crise grega. Mas a questão maior é que a zona do euro não vai funcionar como a Alemanha deseja. Como afirmei anteriormente, a zona do euro só pode se tornar germânica exportando um enorme excedente de oferta ou empurrando grande áreas da economia da zona euro para uma recessão prolongada, ou, mais provavelmente, as duas coisas. A Alemanha pôde ser a Alemanha porque outros não o foram. Se a própria zona do euro se tornasse Alemã, não vejo como isso funcionaria.”
Pois. Mas há malta que julga que a Europa começou com a CEE e que o capitalismo chega e sobra para todos.
27/03/10
01/03/10
Para quem já leu Don DeLillo esta rapaziada não espanta de onde não se deve inferir que a vontade de a encher de estalos seja menor
Os engenheiros – dantes – eram do Técnico. Sei do que falo. Menina e moça saída de casa de minha mãe, frequentei diariamente o Técnico durante cerca de dois anos em turnos semanais intercalados, ora das 8 às 17h, ora das 12 às 21h. Era 3ª ajudante de cozinha e lavava pratos.Lavar pratos é força de expressão. Quem os lavava era uma máquina diabólica que encravava sempre comigo. Na cantina não gostavam muito de mim. Fora contratada através da Associação de Estudantes, o que me conferia o estatuto de penetra, vista pelas residentes como uma petulante que andava por ali a brincar aos jantarinhos. No Verão punham-me ao fogão, no Inverno mandavam-se descascar cebolas. Mas a grande vingança – transversal a qualquer estação do ano – era a máquina da loiça.
Passo a explicar como a coisa funcionava. Não difere muito da demonstração feito por Chaplin no início de “Tempos Modernos”.
Uma pessoa encarregue dos tabuleiros devolvidos pelos comensais retirava os restos de comida e ia amontoando pratos e tigelas junto do lava-louças. Varreram-se-me da memória copos e talheres, mas das tigelas da sopa em alumínio lembro-me bem porque a operação de as descolar uma a uma era per si um castigo.
Descoladas, havia que as passar por água, e o mesmo para os pratos, após o que se encaixava o vasilhame nos tabuleiros da máquina. O ritmo era infernal sobretudo por causa das tigelas.
Por tradição, havia duas pessoas nomeadas para a tarefa. Uma que passava a louça por água e a dispunha nos tabuleiros; outra que a retirava dos tabuleiros, os quais, entretanto, após entrarem no aparelho de lavagem, deslizavam por um balcão que desaguava numa parede.
Por tradição, havia duas pessoas nomeadas para a tarefa. Uma que passava a louça por água e a dispunha nos tabuleiros; outra que a retirava dos tabuleiros, os quais, entretanto, após entrarem no aparelho de lavagem, deslizavam por um balcão que desaguava numa parede.
Como eu não era bem-vinda, a mim nunca ninguém me ajudava. O desfecho era um engarrafamento de bandejas, fatalmente assinalado pelo apito estridente da máquina quando a procissão entupia.
Fui-me habituando. Passados largos meses de iniciação ao culto, acabei eleita delegada sindical mas, desiludida com a implacabilidade demonstrada pelas minhas camaradas de ofício, arruinada, pois, a minha visão romântica do proletariado e similares, para o que muito havia contribuído a leitura de “Os Subterrâneos da Liberdade” de Jorge Amado, demiti-me de 3ª ajudante e pedi no Comité Central que me enviassem para o campo.
Resultado, talvez, da minha condição de algarvia, o campo para mim é verde. Sonhava com o Minho, condescendia com Trás-os-Montes, no fundo ambicionava o Gerês. Mandaram-me para o Alentejo.
Era Agosto e não havia água. Fiquei a morar em casa de um casal de médicos, na cidade, e a única camponesa que conheci foi uma ceifeira de olhos claros que se tomara de amores por um camarada regente agrícola e cujo marido, a dada altura, comprou uma caçadeira para matar os dois.
Algo desiludida com a experiência agrária, vim um fim-de-semana a Lisboa: havia uma reunião importante. Desejosa de rever gente, tomar banho de imersão e dar um salto ao cinema, fui confrontada com uma recepção singular. Na reunião, uma assembleia-geral de qualquer coisa, os meus camaradas de sempre dirigiam-me a palavra a medo. Só no final percebi porquê. Amigo de longa data cujo nome não vou revelar veio falar-me visivelmente incomodado e com um papel na mão. O papel continha uma lista – francamente exagerada – de nomes masculinos com os quais eu teria tido “relações ilícitas”. Eram os tempos da moral proletária e havia uma revolucionarização em curso. Pediam-me confirmações.
Com alguma presença de espírito, respondi que aquele era um assunto privado, que ninguém tinha nada com isso, e apanhei o comboio para casa. A presença de espírito foi de curta duração e reconheço que me fartei de chorar, acabando por acalmar as lágrimas no ombro de um compagnon de route que vivia para os meus lados, o que me levou a concluir que – definitivamente – a moral proletária não era feita para mim. Voltei ao Alentejo, fiz as malas, despedi-me da ceifeira desejando-lhe boa sorte e fui à minha vida.
Tudo isto – porque as memórias são como as cerejas – para dizer que os engenheiros – dantes – eram do Técnico. Agora não.
A engenharia tornou-se financeira, povoada de rapazolas do marketing que vestem Hugo Boss, Armani e fatos à medida (não tenho a certeza, mas julgo que a Hermès ainda assim os intimida) e viagens só de jacto. Sem dinheiro (substancial) de família, quase sempre com origem na província, encostam-se à bananeira do Estado, vivem em casas minimalistas e imaculadas nas quais um ou outro móvel antigo comprado em antiquários tenta compor um passado inexistente, deslocam-se em jaguares ou parecido, não prescindem de personal trainer embora nada percebem de golfe e sejam nulos no ténis, habitualmente anafados o futebol puxa-lhes sempre para o chinelo e aos fins-de-semana, pelo menos até há pouco, eram vistos na Kapital no engate de menores.
Afinal, nada que – com as devidas diferenças – Don DeLillo já não nos tivesse descrito. A Portugal só chegaram no século XXI o que, pelo menos a mim confesso, me apanhou de surpresa.
Fui-me habituando. Passados largos meses de iniciação ao culto, acabei eleita delegada sindical mas, desiludida com a implacabilidade demonstrada pelas minhas camaradas de ofício, arruinada, pois, a minha visão romântica do proletariado e similares, para o que muito havia contribuído a leitura de “Os Subterrâneos da Liberdade” de Jorge Amado, demiti-me de 3ª ajudante e pedi no Comité Central que me enviassem para o campo.
Resultado, talvez, da minha condição de algarvia, o campo para mim é verde. Sonhava com o Minho, condescendia com Trás-os-Montes, no fundo ambicionava o Gerês. Mandaram-me para o Alentejo.
Era Agosto e não havia água. Fiquei a morar em casa de um casal de médicos, na cidade, e a única camponesa que conheci foi uma ceifeira de olhos claros que se tomara de amores por um camarada regente agrícola e cujo marido, a dada altura, comprou uma caçadeira para matar os dois.
Algo desiludida com a experiência agrária, vim um fim-de-semana a Lisboa: havia uma reunião importante. Desejosa de rever gente, tomar banho de imersão e dar um salto ao cinema, fui confrontada com uma recepção singular. Na reunião, uma assembleia-geral de qualquer coisa, os meus camaradas de sempre dirigiam-me a palavra a medo. Só no final percebi porquê. Amigo de longa data cujo nome não vou revelar veio falar-me visivelmente incomodado e com um papel na mão. O papel continha uma lista – francamente exagerada – de nomes masculinos com os quais eu teria tido “relações ilícitas”. Eram os tempos da moral proletária e havia uma revolucionarização em curso. Pediam-me confirmações.
Com alguma presença de espírito, respondi que aquele era um assunto privado, que ninguém tinha nada com isso, e apanhei o comboio para casa. A presença de espírito foi de curta duração e reconheço que me fartei de chorar, acabando por acalmar as lágrimas no ombro de um compagnon de route que vivia para os meus lados, o que me levou a concluir que – definitivamente – a moral proletária não era feita para mim. Voltei ao Alentejo, fiz as malas, despedi-me da ceifeira desejando-lhe boa sorte e fui à minha vida.
Tudo isto – porque as memórias são como as cerejas – para dizer que os engenheiros – dantes – eram do Técnico. Agora não.
A engenharia tornou-se financeira, povoada de rapazolas do marketing que vestem Hugo Boss, Armani e fatos à medida (não tenho a certeza, mas julgo que a Hermès ainda assim os intimida) e viagens só de jacto. Sem dinheiro (substancial) de família, quase sempre com origem na província, encostam-se à bananeira do Estado, vivem em casas minimalistas e imaculadas nas quais um ou outro móvel antigo comprado em antiquários tenta compor um passado inexistente, deslocam-se em jaguares ou parecido, não prescindem de personal trainer embora nada percebem de golfe e sejam nulos no ténis, habitualmente anafados o futebol puxa-lhes sempre para o chinelo e aos fins-de-semana, pelo menos até há pouco, eram vistos na Kapital no engate de menores.
Afinal, nada que – com as devidas diferenças – Don DeLillo já não nos tivesse descrito. A Portugal só chegaram no século XXI o que, pelo menos a mim confesso, me apanhou de surpresa.
26/02/10
Nunca ganhará o nobel da literatura mas, sem querer armar-me na Cristina da Suécia que a mim também ninguém me trata por chefe, ganhou o meu apreço
... sem negar que tudo aquilo é muito confrangedor (tirando talvez a voz fantástica do senhor sentado ao lado do José António Saraiva que não sei como se chama) e quanto às perguntas do PS nem falo.Ou só isto (parafraseando as palavras de Francisco Assis acerca da possibilidade da Assembleia da República avançar mesmo para uma comissão de inquérito parlamentar): "O PS não está interessado em esclarecer seja o for e concentrou-se num único objectivo: pôr em causa o carácter dos convidados incómodos."
imagem de José António Saraiva roubada daqui
Este PS é um nojo e à Inês de Medeiros alguém lhe devia explicar que o parlamento assim como assim não é um kindergarten
Não tenho canal Parlamento mas ouvi hoje nos seus arquivos online a audição de Felícia Cabrita numa coisa chamada Comissão de Ética, Sociedade e Cultura. Era só isso.
18/02/10
Jobs for the boys: lições para o futuro
A notícia é boa. O rapaz demitiu-se. Claro que uma andorinha não faz a Primavera e ainda por cima é Inverno, isto para não citar Vítor Direito que um dia escreveu no República antes do 25 de Abril: "Manhã de nevoeiro transforma a cidade (…) Não se vê um palmo à frente do nariz (…) Andam por aí certos senhores, feitos meteorologistas de trazer por casa, a prever 'boas abertas'. Mas o nevoeiro persiste."Persiste. No entretanto, deixo-vos com a melhor conclusão lida acerca do caso.
Acabou a aventura de Rui Pedro Soares na Administração da PT. Agora, por favor, não vão recrutar mais administradores ao telemarketing. Aqui.
15/02/10
14/02/10
O ponto de vista que faltava sobre as escutas, quiçá o defintivo
13/02/10
A coisa está a subir ainda mais de nível: Granadeiro diz-se "encornado"
Cá para mim, as desconfianças de Granadeiro, o encornado confesso, devem ter começado naquele dia em que ouviu o primeiro-ministro garantir na Assembleia que o governo se ia opor a um negócio que já sabia não existir, conforme ele próprio, Granadeiro, informara no dia anterior José Sócrates em casa de Manuel de Pinho.Na altura declarou:"Não percebo isso. Fiquei um bocado surpreendido". Pois devia ter percebido.
12/02/10
Ainda não está tudo parvo lá para as bandas do PS (II) ou há quem chame os bois pelos nomes
Eu não sei quem é esse tal Rui Pedro Soares, o boy sem cv que aos 32 anos foi alçado a administrador-executivo da PT pelo Estado, a ganhar escandalosamente mais num ano do que o meu marido ganhou em toda a vida, ao longo de 40 anos como servidor do Estado nos mais altos escalões.Socialista encartado, dizem. Será, nunca dei por ele, que eu saiba nunca sequer me cruzei com ele.
Fraquinho no descernimento é, de certeza. Porque se não quis encalacrar os socialistas, foi exactamente isso que logrou ao accionar uma providência cautelar para impedir a saída do jornal SOL com mais escutas das suas ruminações telefónicas, justamente numa semana em que os socialistas procuraram desmentir quem clamava contra a falta de liberdade da imprensa.
E se investiu para abafar o jornal, a criatura tambem não percebeu que, ao contrário, projectava ainda mais longe a radiação solar.
Com bóis destes, para que servem ao PS os boys?
Ana Gomes, AQUI
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