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21/12/10

Ginástica financeira à moda do bloco central ou dos jogos de soma nula à conta das criancinhas

Diz um digno representante do PSD que o seu partido está "amarrado" ao acordo que fez com o PS para viabilizar o orçamento. Assim, votará contra a revisão de quaisquer mudanças nos cortes aos abonos de família.
No entretanto, o governo vai injectar 500 milhões de euros no Banco Português de Negócios que era um banco muito bom mas que afinal parece que ninguém quer comprar.
Como, através nos cortes dos abonos, o Estado poupará 250 milhões só lhe ficam a faltar outros tantos.
Corrijam-me se estiver errada mas quase que jurava que 250+250 são 500.

04/11/10

Amigos para sempre — ou o jardim da Celeste visto por Manuel António Pina

Eu também viabilizo o Orçamento porque ele é, como a dra. Ferreira Leite diz (e quem não salta não é da malta), um testamento, perdão, um "tratamento inevitável".
Concordo com a redução dos salários dos funcionários públicos (até porque não sou funcionário público), com o fim ou diminuição das prestações sociais, sobretudo as que atingem os desempregados e os mais pobres (também não sou desempregado nem pobre), com o aumento do IVA, do IRS e do IRC (desde que isso não afecte os bancos nem a Mota Engil), com o fim das deduções fiscais, e com todas as mais medidas recessivas, pois isso agrada aos "mercados" e fará o milagre da multiplicação do capital e do investimento estrangeiro, já que o capital e o investimento estrangeiro gostam de pobres e mal pagos e nós ainda não somos suficientemente pobres nem suficientemente mal pagos.
E se os "mercados" estiverem a ouvir que saibam que, como quer a dra. Ferreira Leite, "somos todos amigos" de peito, desempregados, pobres, idosos com pensões congeladas, crianças sem leite e sem Abono de Família, o eng.º Sócrates, o dr. Teixeira dos Santos, a própria dra. Ferreira Leite e os 4 Cavaleiros do Apocalipse, os drs. & engºs. Salgado, Faria de Oliveira, Ferreira e Ulrich, e muitos mais, "tantos que nunca pensei que a morte tivesse levado tantos". Ouçam, "mercados", somos nós, de mãos dadas, a cantar: "Fui ao Jardim da Celeste, giroflé, flé, flá".
AQUI

03/11/10

Gente fina é outra coisa mas eu ainda assim prefiro a fórmula antiga: V. Ex.ª vai-me desculpar mas V.Ex.ª é um filho da puta

Pouco passava do acordo e, na Assembleia da República, estalava o verniz do bloco central.
Diz Luís Menezes, do PSD, referindo-se a coisas como a ANACOM, da Estradas de Portugal, a Administração da Região Hidrográfica do Norte ou a Associação de Turismo dos Açores: Estas instituições, muitas delas desconhecidas dos portugueses, e a maioria inúteis, estão enxameadas de boys socialistas, que as têm usado como um verdadeiro bar aberto de despesas supérfluas e desnecessárias.
Responde o Teixeira dos Santos, do PS, que não é ministro de se ficar: Falando em boys, o jantar da ANACOM foi, de facto, promovido por uma girl nomeada pelo primeiro-ministro Santana Lopes.

E tudo isto à hora do chá e com senhoras na sala.

02/11/10

Depois dos painéis solares faça chuva ou faça sol e mesmo à noite, Sócrates tira novo coelho da cartola: as mini-hídricas, senhores, as mini-hídricas!

Sócrates continua a surpreender-nos. Quando interrogado hoje no Parlamento sobre onde iria buscar os 500 milhões de euros que faltam no orçamento, o primeiro-ministro não falou de Chávez nem do Magalhães nem sequer dos portos de que tanto gosta. Falou de... mini-hídricas.
Para o ano, disse o engenheiro, com as mini-hídricas a funcionar gota a gota vai ser um vez que te avias. Nem a Alemanha nos agarra. Olaré.
[Sobre painéis solares que funcionam com sol, céu nublado, chuva e à noite ver AQUI. E desculpem-me insistir na coisa]
Imagem retirada daqui.

26/10/10

Crianças e bebés obrigados a inscrever-se nas finanças [e o cuzinho lavado com água das malvas também ia, não? E não estou a falar para as crianças]

Estão a tentar enlouquecer-nos. Até Março, todas as crianças portuguesas terão de ter número de identificação fiscal. Sem isso, não entram nas declarações de rendimentos dos pais. Como já não se fazem cartões de contribuinte, os petizes terão de pedir Cartão de Cidadão: 7,50 euros até aos 6 anos; 15 euros, a partir dessa idade.
Façam as contas e leiam o Orwell.

25/10/10

A crise e as formas de a esconjurar porque a única coisa inevitável é a morte e um orçamento não passa de um orçamento


Alinhar ao centroDECLARAÇÃO

As medidas que o Estado português se prepara para tomar não servem para nada. Passaremos anos a trabalhar para pagar a dívida, é só. Acresce que a dívida é o menor dos nossos problemas. Portugal, a Grécia, a Irlanda são apenas o elo mais fraco da cadeia, aquele que parte mais depressa. É a Europa inteira que vai entrar em crise.
O capitalismo global localiza parte da sua produção no antigo Terceiro Mundo e este exporta para Europa mercadorias e serviços, criados lá pelos capitalistas de lá ou pelos capitalistas de cá, que são muito mais baratos do que os europeus, porque a mão-de-obra longínqua não custa nada. À medida que países como a China refinarem os seus recursos produtivos, menos viável será este modelo e ainda menos competitiva a Europa. Os capitalistas e os seus lacaios de luxo (os governos) sabem isso muito bem. O seu objectivo principal não é salvar a Europa, mas os seus investimentos e o seu alvo principal são os trabalhadores europeus com os quais querem despender o mínimo possível para poderem ganhar mais na batalha global. É por isso que o “modelo social europeu” está ameaçado, não essencialmente por causa das pirâmides etárias e outras desculpas de mau pagador. Posto isto, tenho a seguinte declaração a fazer:
Sou professor há mais de 30 anos, 15 dos quais na universidade.
Sou dos melhores da minha profissão e um investigador de topo na minha área. Emigraria amanhã, se não fosse velho de mais, ou reformar-me-ia imediatamente, se o Estado não me tivesse já defraudado desse direito duas vezes, rompendo contratos que tinha comigo, bem como com todos os funcionários públicos.
Não tenho muito mais rendimentos para além do meu salário. Depois de contas rigorosamente feitas, percebi que vou ficar desprovido de 25% do meu rendimento mensal e vou provavelmente perder o único luxo que tenho, a casa que construí e onde pensei viver o resto da minha vida.
Nunca fiz férias se não na Europa próxima ou na Índia (quando trabalhava lá), e sempre por pouco tempo. Há muito que não tenho outros luxos. Por exemplo: há muito que deixei de comprar livros.
Deste modo, declaro:
1) o Estado deixou de poder contar comigo para trabalhar para além dos mínimos indispensáveis. Estou doravante em greve de zelo e em greve a todos os trabalhos extraordinários;
2) estou disponível para ajudar a construir e para integrar as redes e programas de auxílio mútuo que possam surgir no meu concelho;
3) enquanto parte de movimentos organizados colectivamente, estou pronto para deixar de pagar as dívidas à banca, fazer não um, mas vários dias de greve (desde que acompanhados pela ocupação das instalações de trabalho), ajudar a bloquear estradas, pontes, linhas de caminho-de-ferro, refinarias, cercar os edifícios representativos do Estado e as residências pessoais dos governantes, e resistir pacificamente (mas resistir) à violência do Estado.
Gostaria de ver dezenas de milhares de compatriotas meus a fazer declarações semelhantes
PAULO VARELA GOMES

20/10/10

Assim como assim bem podiam anunciar a extinção do país...

Vinha eu de passear com a minha Princesa quando ao virar da esquina dou com o Diário de Notícias pendurado no quiosque: "Governo anuncia extinção de entidades que já não existem".
Lido o artigo online, fiquei particularmente enternecida com estas entidades
Estrutura de Missão Parcerias em Saúde (dirigido por Jorge Abreu Simões)
Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (dirigido por Manuel Alexandre Ferreira Pinto de Abreu)
Estrutura de Missão Lojas do Cidadão de Segunda Geração (dirigido por Eduardo Elísio Silva Peralta Feio)
"Estrutura de Missão" — nunca tinha ouvido falar. Será coisa de influência lacaniana?

19/10/10

Ainda há gente honesta neste mundo: concessionária da Mota-Engil devolve ao ministro das finanças 400 milhões de euros

Talvez derivado à* conjugação das muitas directas com a falta de Guronsan, o governo PS tinha enfiado na pen do orçamento 587 milhões de euros para a Ascendi (só o nome é todo um programa).
Mas isso foi antes.
depois, a Ascendi veio dizer que só lhe são devidos 150 milhões.
Eu fiquei comovida. E você, já ascendeu?
*Leitora atenta faz-me notar que derivado à não se diz. Fica então em itálico, não vão os clientes da Pastelaria confundi-la com o Ciberdúvidas.