Mostrar mensagens com a etiqueta Jacques Tati. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jacques Tati. Mostrar todas as mensagens

27/04/09

Porque isto anda tudo ligado

1. Tiraram o cachimbo ao Tati e puseram-lhe um moinho de papel na boca [ao menos ao Lucky Luke tinham-lhe substituido a beata por uma palhinha...]
2. Inauguraram um Largo António Oliveira Salazar em Santa Comba Dão 35 anos depois do 25 de Abril, o que prova que os portugueses são uns gajos porreiros que esquecem depressa [já os alemães, esses rancorosos d'um raio, continuam a lidar mal com o Hitler passadas mais de 6 décadas...]
3. Canonizaram o Santo Condestável derivado a um feito tão grande ou maior ainda do que vencer Aljubarrota: salvou de cegueira certa o olho esquerdo de Guilhermina de Jesus quando este se viu borrifado por óleo de fritadura de peixe muito séculos depois das Luzes
4. O João Ubaldo Ribeiro, escritor brasileiro Prémio Camões de Literatura, teve a entrada negada nos supermercados Auchan (Jumbo), grupo que volta a proibir a venda nos seus escaparates do livro "A Casa dos Budas Ditosos", recentemente republicado pela Edições Nelson de Matos ["vão-se catar", já tinha dito o Ubaldo uma vez, a propósito de outras censuras...].

24/12/07

A ASAE vista por Jacques Tati e Vasco Pulido Valente

Uma Cozinha ASAE/DGS
A ASAE Explica-se
A ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica), preocupada com o seu bom-nome e reputação, resolveu explicar que não é tão má como a pintam. “Dizer mal” da ASAE parece que se tornou uma “moda” e ela, naturalmente, sofre com isso; tanto mais que ajudou Portugal a estar “à frente da Europa” na sua importantíssima especialidade. Para que Portugal a compreenda e a estime, resolveu assim desfazer alguns “mitos”: do mito da bola-de-berlim ao mito da açorda. A bola-de-berlim, por exemplo. A ASAE não proibiu que se venda a bola-de-berlim nas praias. Proibiu, sim, que se vendam nas praias bolas-de-berlim de mau “fabrico” (e, tanto quanto me lembro, em “contentores” com uma temperatura excessivamente alta), para evitar que o bom público ingerisse “óleos saturados”, muito deletérios para a “saúde humana”. Se este zelo inquisitorial expulsar a bola-de-berlim das praias, ninguém poderá culpar a simpática ASAE. O mesmo se passa com a colher de pau. Ao contrário de um boato insidioso, a ASAE não baniu as colheres de pau. Só baniu as colheres de pau “que não se encontrem num perfeito estado de conservação”. Será que a ASAE se propõe examinar as colheres de pau de cada português? Revolver com minúcia cada gaveta? É uma ideia prometedora. Quanto às castanhas que se costumavam embrulhar em papel de jornal, a ASAE jura que não condena essa prática venerável, desde que o papel de jornal não contenha qualquer desenho, pintura ou palavra impressa “na sua parte interior”. Por outras palavras, desde que não seja papel de jornal. A ASAE é generosa. Excepto no galheteiro, que não quer ver na frente; e nos petiscos domésticos, de que suspeita do fundo da sua alma vigilante (os portugueses são porcos). Já com o pão para a açorda, a ASAE adoptou uma política liberal, uma vez que lhe dêem a garantia (como?) de que ele não foi contaminado. E, num gesto, que sempre lhe agradeceremos, não obriga ao uso de copos de plástico para o café.
A ASAE é um corpo de polícia estimável. A polícia é em si própria estimável e o indigenato precisa muito de polícia. Como a história prova, os portugueses não se portam nunca convenientemente se não os proibirem, inspeccionarem, multarem e de várias maneiras reprimirem a intervalos regulares. Pena que a benéfica existência da ASAE não encoraje o governo a fundar uma milícia contra o álcool, o tabaco, o sal, o açúcar, a obesidade e a preguiça. E, pensando bem, contra o voto. [in Público]