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20/01/23

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «ERAM TEMPOS DIVERTIDOS»

«... E por falar em plantas, uma palavra, antes de continuar, para a usual clarividência da nossa ministra Maria do Céu que, já tendo profetizado a venda milionária de hortaliças para a China no início da pandemia de Covid-19, veio há dias pôr os espanhóis na ordem, explicando-lhes que a eliminação do IVA nos produtos básicos decidida pelo governo do lado foi um disparate. “Nós entendemos que não é forma de acontecer”, declarou quando confrontada com a medida. Mas lembrando-se talvez do fiasco que constituiu a venda de couves para o Império do Meio, acrescentou em português mais terra-a-terra: “De qualquer modo, estamos a avaliar”.

Éramos portanto, jovens, felizes e maioritariamente divertidos. A obsessão com a fidelidade ao marxismo-leninismo e a política pura, dura e partidária atenuara-se e até o PCP, fruto das circunstâncias, moderara a irritante mania de manipular as assembleias, avançando com pontos de ordem à mesa que exigiam votações quando os opositores às suas propostas se inscreviam para falar. O MRPP, por seu turno, deixara de bater nas pessoas que, fazendo prova de grande imprudência, colavam cartazes por cima dos seus cartazes com data de validade há muito caducada. (...)»

26/06/22

MELILLA: QUANDO A GUERRA SE INSTALAR DEVIDO ÀS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS IREMOS PERCEBER QUE NÃO HÁ FRONTEIRA QUE NOS VALHA

O número actualizado aponta para 30 mortos no assalto de cerca de duas mil pessoas à fronteira que separa Marrocos da cidade espanhola do Norte de África, Melilla. 

Com as relações entre os dois países numa fase amigável, após o governo espanhol ter decidido apoiar a perspectiva de Marrocos sobre o conflito no Sáara Ocidental (que já valeu a suspensão, por parte da Argélia, do tratado de amizade assinado entre Madrid e Argel), Sanchéz elogiou o desempenho das forças policiais marroquinas.

O jornal El País faz reportagem sobre o que sucedeu no local: «Los testigos del asalto a la valla de Melilla: "Todo era sangre, piel desgarrada, pies rotos, manos rotas..."»



 

19/06/22

ELEIÇÕES NA ANDALUZIA: Partido Popular conquista maioria absoluta

«El presidente de la Junta de Andalucía en funciones y candidato del PP a la reelección, Juan Manuel Moreno, ha ganado las elecciones autonómicas este domingo, logrando para su partido una histórica mayoría absoluta en el antiguo feudo socialista. Con el 99% de los votos escrutados, Moreno alcanza 58 escaños, frena en seco a la extrema derecha de Vox (que obtiene 14, dos más que hace cuatro años, pero pierde toda capacidad de condicionar el Gobierno), absorbe y fulmina a Ciudadanos, que se queda fuera del Parlamento, y deja a los partidos de la izquierda sumidos en la penumbra. El PSOE empeora los resultados de 2018 ―pasa de 33 a 30―, obtiene su peor votación histórica en la comunidad y va de shock en shock. Por Andalucía (la coalición que agrupa a IU, Podemos, Más País y otras tres formaciones) ha conseguido grupo parlamentario, con cinco representantes, y Adelante Andalucía logra dos, pero esas dos candidaturas de izquierdas pierden diez escaños respecto a lo logrado con una lista unitaria en 2018. La última vez que un partido sacó mayoría absoluta en Andalucía fue hace 14 años. Moreno es el único presidente autonómico, junto con los de Galicia y Extremadura, que disfrutará de ese amplio apoyo. Los resultados suponen un vuelco histórico: el PP se convierte en el partido hegemónico de Andalucía, sustituyendo al PSOE. Supera en 28 escaños y casi 670.000 votos a los socialistas. (...)»

FRANÇA: SEGUNDA VOLTA DAS LEGISLATIVAS DECORRE HOJE - ESPANHA VOTA NA ANDALUZIA

Site do jornal Le Monde para seguir a segunda volta das Legislativas em directo.

Enquanto isso, em Espanha, decorrem eleições na Andaluzia. O PP é o partido que se prevê ter mais hipóteses de sair vencedor.

14/04/10

Declaração de princípios: ó a democracia (e se não gostarem tenho outros)*

A democracia é uma merda mas não temos nada melhor.
E é uma merda, basicamente por isto: o meu vizinho do quinto esquerdo bate na mulher, espanca o cão, grita com a mãe, deita lixo pela janela, cospe na rua, abalroa velhinhas no supermercado, buzina o carro às três da manhã, empanturra as crianças de estalos e MacDonald's, ouve televisão aos berros, faz incursões semanais ao Colombo, não grama pretos nem monhés e é feio que nem uma porta. Felizmente não é meu vizinho. Mas podia ser.
Porque o ponto é este: um troglodita que vive na Idade da Pedra e que ainda terá de reencarnar pelos menos umas 100 vezes, como rato, até regressar de novo como hominídeo tem exactamente os meus direitos do que eu.
Desabafo feito, não tenho alternativa. Ou talvez tenha: abalroá-lo um dia destes pelas escadas e esperar que ninguém me veja.
Não me interpretem mal. Sou pela Lei como forma de regulação da selva que isto seria (ainda mais) se a Lei não existisse. Sou pela Lei e pela Democracia porque todas as outras formas de Poder me parecem mais perigosas. Em privado, contudo, estou também com o cidadão que tenta resolver certas coisinhas pelas suas próprias mãos, se assim puder e não tiver escolha.
Resumindo: sou contra a pena de morte (em absoluto e sob qualquer circunstância), mas se o troglodita do quinto esquerdo envenenasse a minha cadela e saísse impune teria de se haver comigo. Não digo que lhe pusesse vidro picado nos hambúrgueres (tenho alguma dificuldade em lidar com a vingança servida como prato frio…), mas havia de me lembrar de qualquer coisa. Menos cruel, embora certamente proporcional.
Outro exemplo: percebo melhor a operação “Cólera de Deus” da Mossad do que a invasão do Iraque mesmo se ratificada pela ONU.
E isto é na realidade tudo o que me apraz dizer sobre o Estado de Direito, atrás do qual se escudam todos os trogloditas enquanto a democracia lhes dá jeito. Digo-o por experiência, por nunca ter feito o meu género passar-me por virgem pudica e, last but not least, por ter lido O Processo de Kafka.
* No original, “Those are my principles, and if you don't like them... well, I have others", Groucho Marx
[Ocorreu-me este desabafo a propósito disto]

01/12/09

Meditação de pendor iberista apesar do Saramago, da crise espanhola e dos Ben-U-Ron comprimidos

Era 1 de Dezembro de 1640 e, antes do pôr-do-sol, Miguel de Vasconcelos, o amigo dos Filipes, acabava defenestrado. O dia celebra-se hoje. Não contesto, mas uma coisa faz-me espécie. É que basta-me atravessar a fronteira e ergue-se-me logo o astral. Será da siesta?