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11/08/23
16/02/12
A book a day keeps the doctor away: "A Caixa Negra", Amos Oz

Militante do movimento “Paz Agora”, que pugna pelo entendimento entre israelitas e palestinianos, isso não impediria Amos Oz de acusar de terrível cegueira moral José Saramago quando este comparou os territórios ocupados a Auschwitz.
De moral e política fala A Caixa Negra. E ainda de religião, cinismo, rancor e misericórdia. Estruturado sob forma epistolar, o romance gira em torno de um núcleo de personagens bem distintos que vão criando entre si uma teia de relações complexas sob a qual se desenham, como em caleidoscópio, os nexos sociopolíticos de uma sociedade em mutação.
Do sonho sionista inicial, encarnado na figura do pai de Alec, à criação de colunatos encetada por Sommo, judeu sefardita que, pelo dinheiro, consegue vingar social e politicamente, é também da ascensão da direita religiosa e expansionista que trata A Caixa Negra.
Amos Oz fá-lo, contudo, sem nunca ceder à tentação ideológica.
Tudo começa quando Ilana, ex-mulher de Alec, reputado intelectual de origem ashkenazi a viver no estrangeiro e herdeiro de considerável fortuna, escreve ao ex-marido pedindo-lhe ajuda para encontrar o filho de ambos, nunca reconhecido por Alec como sendo seu.
Ilana, agora casada com Sommo, homem crente de origens humildes, vai, através desse pedido de socorro, abrir uma verdadeira caixa negra, a qual, por sua vez, desencadeará, uma série de acontecimentos inesperados, simultaneamente salvíficos e catastróficos, contaminados, sempre, pela ironia da História.
A ler (ou reler).
A Caixa Negra, Amos Oz, D. Quixote, 2012, trad. de Miguel Serras Pereira
03/03/11
O Steiner e eu

Há quem de certeza vá passar a achar o mesmo.
16/07/10
Post atrasado com carácter de urgência

O Regreso do Hooligan, Norman Manea, tradução de Carolina Martins Ferreira, ASA, 2010
08/07/10
Cá por mim até podem publicar nus da nossa senhora de fátima mas o que eu dispensaria mesmo são as análises profundas

19/06/10
Foi o único português a ganhar o Nobel da Literatura: nem por isso sou obrigada a gostar
No caso de Saramago, não apreciava a literatura nem o autor. E não vale a pena repisar o seu passado no "Diário de Notícias" ou o mistério das dedicatórias desaparecidas. Por exemplo.
Quanto aos livros, a primeira coisa que li dele foi "Memorial do Convento". Acabei-o irritada com a mensagem: fazer equivaler os obreiros de Mafra aos operários da modernidade era demasiado anacronismo, mesmo para uma alegoria.
No resto dos textos, a coisa repetia-se. Romances que defendiam ideias escritos segundo uma fórmula estilística usada à exaustão.
Resumindo: para mim, literatura é outra coisa. Ofício de palavras e não de ideologias. Com ou sem vírgulas, com ou sem parágrafos, com ou sem maísculas. Até porque muitas vezes o estilo, como bem disse o Mário Quintana, "é uma dificuldade de expressão".
desenho de António
06/12/09
A book a day keeps the doctor away

Dinis Machado não foi, porém, apenas autor desse “livro-bomba, obra d’arromba” (para citar Luiz Pacheco). No seu currículo, curto, é verdade, incluem-se ainda Discurso de Alfredo Marceneiro a Gabriel Garcia Marquéz, Bertrand, 1984, Reduto Quase Final, Bertrand, 1989, e Gráfico de Vendas com Orquídeas e Outras Formas de Arrumação de Conhecimentos: 20 Textos (de 1977 a 1993), Cotovia, 1999.
Aprendiz de Bartleby que à expressão “I would prefer not to” preferia o “Let’s get out of here” das fitas dos camónes (como lembrou Maria Piedade Ferreira na “Ler” nº72), Machado escreveu também uma tríade de policiais a troco de vinte contos nos idos de 60, la vie oblige. Assinou-os com o americaníssimo e apropriadíssimo pseudónimo de Dennis McShade, recebeu a massa e não terá pensado mais no assunto.
Recentemente, a Assírio & Alvim pegou nos três títulos, vestiu-os com novas capas e reeditou-os: Requiem para Dom Quixote, 2008, Mão Direita do Diabo, 2008, Mulher e Arma com Guitarra Espanhola, já este ano. Todos eles protagonizados por Peter Maynard – assassino profissional e literato com dúvidas existências e propensão para o monólogo (homenagem à personagem borgeana do conto Pierre Menard, autor de Quixote) –, antecederam O que Diz Molero no tempo mas não na acutilância da prosa. E, no meio disto tudo, ficaram uns papéis na gaveta. Quase sessenta páginas. Acabam de chegar às livrarias sob o título Blackpot.
O registo é policial e, apesar de Peter Maynard já não entrar na história – escrito Blackpot muito mais tarde, algures entre 1983 e 1985 –, a sua estrutura (delirantemente cerebral) lembra ainda o argentino cego. A chave do plot estará na frase final, roubada ao romance A Queda, de Camus: “Quando todos formos culpados então será a democracia”. Se isto for verdade, o inédito machadiano é o policial mais democrático que já li na minha vida.
Capítulo a capítulo (31, menos um do que o total das peças do xadrez), as personagens vão-se matando umas às outras, assumindo os lugares deixados vazios:
"Gulliver ligou para Armador.
– Então?
– Já está – disse Armador – Matei-o há duas horas.
– Ok – disse Gulliver.
– Ouve – disse Armador – Tu agora és Legos?
– Sou Legos.
– E Condor?
– Também sou Condor.”
Um divertissement absurdo (Beckett está lá de novo) onde domina o humor negro e aquele estilo irresistível e livre de Machado. Como concluiu Pacheco a propósito de O que Diz Molero: "Valeu!"
01/12/09
Meditação de pendor iberista apesar do Saramago, da crise espanhola e dos Ben-U-Ron comprimidos

25/10/09
Ainda o Saramago e o marketing antijeová

Vasco Pulido Valente, "Uma farsa". Público. 23.10. 2009
Ou como me dizia um amigo: «É como se alguém lesse as Fábulas de La Fontaine e achasse que aquilo era mesmo sobre cigarras e formigas».
Já depois de ter feito este post, descobri que há um kit Saramago ateísmo para donas de casa modernas, e que aos 100 primeiros compradores serão oferecidos action man de José Saramago.
Não podia deixar de vir acrescentar estas preciosas informações.
20/10/09
Post breve de uma panteísta confessa (eu) a propósito do último Saramago, que não li, e da Bíblia que leio sempre que posso

Retomo o comentário que deixei aqui, a propósito da transcendente polémica de saber se Caim matou realmente Abel:
"Um homem que tem como profissão a escrita e não fica fascinado com a extraordinária narrativa que é o old book (deixo de lado as mariquices do new) é um idiota"
Quanto à melhor piada sobre o assunto, li-a aqui: "Deus nunca precisou de insultar a obra de Saramago para vender mais bíblias"
07/05/09
A propaganda dá sempre merda!

O último 1º de Maio gerou um "não acontecimento". As escaramuças entre Vital Moreira e alguns participantes da manifestação convocada pela CGTP para a data transformaram-se num caso nacional, e até o primeiro-ministro veio dizer que se tratara de "uma vergonha para a democracia".
Uma onda de indignação varreu o país porque o candidato europeu fora injuriado, esmurrado, pontapeado, enfim, ferido no mais fundo da sua alma e à superfície da epiderme também.
Até hoje, não vi nenhuma imagem que comprovasse tais factos. Mas, como diria Goebbels, um mestre da propaganda, uma mentira repetida muitas vezes torna-se verdade.
Saramago, diz-se que convertido já na terceira-idade aos valores democráticos, cumpriu o seu papel de bardo e falou alto.
Num artigo em que a partir do segundo parágrafo desata a referir-se a si próprio na terceira pessoa, como se do rei de Espanha se tratasse, e, significativamente intitulado "Expulsão", pede identificações e exige purgas.
Entretanto, vão-se trocando galhardetes em praça pública, pedidos de desculpa, mais galhardetes e mais pedidos de desculpas. Não se trocam bengaladas nem sapatos.
Depois alguém vem acrescentar que, pelo menos um dos arruaceiros, não era do PCP. Era do Bloco de Esquerda. Dão-lhe nome. Dão-lhe rosto. Rosto que o BE terá apagado do seu site, à semelhança do que Estaline fizera a Trotsky.
Chegada aqui, perdi-me.
Perdida, só quero dizer o seguinte porque eu cá não nasci das ervas: mentir é muito feio, andar à cata de pessoas é muito feio, denunciar é muito feio... e brincar com o Photoshop também, pelo menos às vezes.
Quanto ao Goebbels, que sem dúvida era um mestre, acabou mal. O pior, claro, tinha sido o resto.
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