Mostrar mensagens com a etiqueta Tony Blair. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tony Blair. Mostrar todas as mensagens

30/01/10

Wanted

Tudo o que tinha para dizer sobre Tony Blair, disse-o aqui. Quanto ao resto, foda-se e pardon my french!

18/01/08

Desculpem lá o post ser tão grande mas há tipos que têm uma cara mesmo boa para levar um par de estalos


Deixem-me que vos fale com franqueza. Afinal, a Pastelaria é minha. O Tony Blair tem cara de parvo. Tinha cara de parvo anglicano, tem cara de parvo católico. Claro que a presente constatação está longe de justificar que se impeça o Santo Papa de dizer de sua justiça – nem que fosse para garantir que «a terra girar em torno do sol é tão falso como não ter Jesus nascido de uma virgem». Não significa isto que esteja prestes a converter-me, tipo Zita Seabra ou assim. Acho, simplesmente, que as pessoas têm direito a enunciar o que pensam. Eu, por exemplo, penso que o Tony Blair tem cara de parvo.
Na minha opinião, o elemento que mais transforma o seu rosto naquilo a que o meu pai chamaria «uma cara mesmo boa para levar um par de estalos» é a boca. Enrugadinha, amuada, uma boca que em bom vernáculo se chama «de cu de galinha». Ao orifício oral acrescenta-se a forma petulante do nariz. As orelhas são um pouco dumbescas e entre os olhos falta espaço de manobra. (Não vou pronunciar-me agora sobre Cherie, cuja quadradura do queixo denunciará uma «forte personalidade» e cujo sorriso arrebitado nas extermidades lembra uma versão adelgaçada do Joker.) Eu sei que é do senso comum apregoar que «quem vê caras não vê corações», mas também sei onde nos conduziu o senso comum pós-moderno fazendo equivaler ignorância e conhecimento. E mais não digo.
Falava, então, de Tony Blair. Longe de mim ter pretensões a que a minha visão da sua fisionomia seja algo tão verdadeiro como o facto de o Sol nascer diariamente – pelo menos até hoje à tarde, acrescentaria Hume. Mas olhemos mais de perto. O homem responsável pelo seguidismo pavloviano dos Europeus em relação a Bush e à sua criminosa invenção das armas de destruição massiva no Iraque (já agora, o que fazer com o Kosovo?) desocupou à pressa o 10 Downing Street londrino mas não foi para o countryside escrever Mémoires [apesar de, como lembrou
NSL em pertinente comentário a este post (o que deu origem ao acrescento), as suas memórias não terem sido esquecidas – e soma e segue].
Nomeado imediatamente para dirigir o Quarteto de Cordas (Estados Unidos, Rússia, Nações Unidas e União Europeia) que, em digressão pelo Médio Oriente, andou a dar música aos palestinianos e aos israelitas (recorde-se que a coisa por lá mantém-se desafinadíssima), seria convidado depois para assessor político do banco norte-americano JP Morgan, por um valor, especula-se, de 1 milhão de dólares ao ano.
Ao jornal Financial Times, Blair já tinha confessado, com candura, que sempre se interessara «pelo comércio e pelo impacto da globalização», acrescentando que «actualmente a intersecção entre a política e a economia em diferentes partes do mundo, inclusive nos mercados emergentes, é muito forte», com o «actualmente» a demonstrar que nunca lera Karl Marx.
Com a vida a correr-lhe tão bem que a única explicação só pode ser encontrada nas palavras do apóstolo Marcos: «O reino de Deus é como quando um homem lança uma semente ao solo, dorme a noite, levanta-se de dia e a semente brota e cresce alta e ele não sabe exatamente como» – ou isso, ou há tipos que nascem mesmo com o cu virado para a Lua –, pois já depois do convite milionário do JP Morgan – que com certeza por acaso é líder de um consórsio de 13 bancos de 13 países prontos a ganhar
MUITO dinheiro com a famigerada reconstrução do Iraque – entra em cena o «energético» Sarkozy.
Enquanto dá a palavra a Tony na reunião do Conselho Nacional do UMP que juntou em Paris cerca de 2 500 quadros do partido no poder em França (com a pronúncia do escocês a fazer Mário Soares corar de vergonha), o mais recente apaixonado de Bruni, metendo os socialistas europeus no saco como a viola, cozinha a candidatura do escocês a Presidente da União Europeia, um dos novos tachos consignados pelo Tratado de Lisboa, aquele de que o nosso Sócrates tanto se orgulhou antes de passar a batata quente do Kosovo à Eslovénia.
Agora digam-me. O homem terá cara de parvo, mas de parvo tem o quê? Nada. Se calhar é mesmo da Graça divina que, como se sabe, é misteriosa.
Para finalizar, dois vídeos. Um do próprio a dizer piadas brejeiras em francês (e ainda falavam do Levanta-te e Ri!). O outro de Julio Sosa a cantar Cambalache. À laia de consolo musical para o século XXI.

24/06/07

Blair foi ao Vaticano. Qualquer dia vem a Fátima. Qualquer dia fuma

A mulher e os filhos são católicos. E a visita de Tony Blair ao Papa Ratzinger, cognome Bento XVI, fez disparar as especulações: estará uma conversão na calha? Tudo leva a crer que sim.
Compreende-se, assim, melhor, a irritação do jornalista inglês Francis Wheen contra o primeiro-ministro britânico, no brilhante (e hilariante) livro de 2004, How Mumbo-Jumbo Conquered the World As referências críticas são muitas. Fiquemos por um simples exemplo.
Quando perguntaram a Blair se «estaria de acordo em permitir o ensino do criacionismo em paralelo com a teoria darwinista da evolução nas escolas públicas (...) um simples "não" seria com certeza a única resposta possível (...) não foi essa que ele deu. Blair disse a Jenny Tonge que os criacionistas da cidade de Gateshead estavam a fazer um esplêndido trabalho: "Afinal, um sistema de ensino mais diversificado trará melhores resultados para as nossas crianças" (...) E se algumas escolas informassem os seus alunos de que a Lua era feita de queijo suíço, ou que as estrelas eram a grinalda de flores de Deus? Seria isso oficialmente acolhido como outra boa consequência do "sistema mais diversificado" de Blair?»
Ou seja, e para resumir: a Wheen já lhe cheirava a beatice há muito tempo.