Mostrar mensagens com a etiqueta Karl Kraus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Karl Kraus. Mostrar todas as mensagens

23/08/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Incertezas de Agosto»

«(...) onde pára o jornalismo?

26/10/22

DA LUTA DE CLASSES À FORTUNA DE RISHI SUNAK E REGRESSANDO A KARL KRAUS

A conversa sobre o quão rico é o mais recente primeiro-ministro britânico 

 Será dele a fortuna? Então, mas não é da mulher? Acho que é do sogro. Estarão eles casados em comunhão ou separação de bens? Talvez de adquiridos? São mais ricos do que a Rainha, perdão, Rei. Não m'acredito! E o que é que isso interessa? O que importa é que governe bem e etc. 

diz tudo do estado a que isto chegou. Ou do quanto se regrediu no pensamento.

'Tá bem que a luta de classes não seria o Eldorado da História, mas caramba! 

E de repente lembrei-me aquele aforismo notável de Karl Kraus sobre as teorias de Freud: "A teoria antiga negava a sexualidade dos adultos. A moderna diz que os bebés têm prazer sexual enquanto defecam. A antiga era melhor, ao menos podia ser contraditada pelas  partes envolvidas".


03/03/22

DO DESPREZO JUSTIFICADO DE KARL KRAUS PELA IMPRENSA

E como não dar razão ao austríaco, quando há quem publique artigos com títulos destes?

A parte chata disto é que os jornais vão reflectindo, mas também gerando, o ar dos tempos...


15/02/22

GUERRA UCRÂNIA/RÚSSIA: A HISTÓRIA COMO TRAGÉDIA E FARSA

 «... Entretanto, os políticos cumprem o seu dever. São mártires da sua profissão. Ouvi dizer que a Áustria tinha anexado a Bósnia. E porque não? Se é para acabar com tudo, o melhor é ter tudo bem juntinho.» 

Karl Kraus: Nesta Grande Época, p.p.23 e 24,  trad. de António Sousa Ribeiro, Relógio D'Água, 2018

05/11/11

Economia para inteligentes

Francisco Fernandes Lopes (1884-1969), médico olhanense caído no esquecimento mas de quem Almada Negreiros disse: “Ele está, para mim, no meio da primeira fila dos que estão à frente disto tudo”, foi um homem de qualidades raras.
Musicólogo, inventor nas horas vagas, poliglota e historiador sábio que se definia a si próprio como um “vulgaríssimo João Semana” guiava-se por um princípio: “Ir sempre ao fundo do fundo do contrafundo”. É um bom princípio.
Que estamos a ir ao fundo, ninguém o nega. Até o primeiro-ministro já veio dizer que empobreceremos. Inevitavelmente. De vitória após vitória, até à derrota final, slogan que tem até uma certa patine guevarista adequada na perfeição ao l’air du temps, um tempo em que os banqueiros citam Lenine.
Recordo: “O Lenine deve estar a rir-se à gargalhada no túmulo”, disse Fernando Ulrich, demonstrando que é um homem do mundo.
Eu, que estou como o Jesus Cristo do Pessoa (também nada sei de finanças…), gostaria, contudo, de deixar algumas perguntas (simples) numa tentativa, porventura vã, de cumprir o preceito de Lopes.
Quando o desemprego em Portugal, segundo dados do INE, se situa em 12,5%, como é que o aumento de meia hora de trabalho diário ajuda a combater o flagelo?
Andava eu a tentar perceber a quadratura do círculo, eis que chego a um estudo encomendado pelo Governo que garante que a medida aumentará em 4% a competitividade das empresas, o que logo me fez lembrar Garrett, perdão, Manuel Pinho, o ex-ministro da Economia que em tempos que já lá vão (?) foi à China pedir aos locais para investirem em Portugal porque a nossa mão-de-obra era barata.

Outra coisa que também não alcanço é isto.
Imaginemos que um qualquer leitor destas linhas aceita emprestar-me dinheiro. Agradeço, claro, "uma senhora é uma senhora", mas é-me imposta uma condição: não posso criar riqueza durante o período de tempo em que fico devedora.
Empobreça!, ordena-me o emprestador. E desculpem-me se pareço muito burra: mas como raio poderei pagar-lhe?
E foi então que Karl Kraus surgiu em meu auxílio: “Uma das causas mais comuns das doenças é o diagnóstico”.

09/06/10

Educação sexual dos 6 aos 16 ou a modernidade húmida


Estamos completamente quilhados (a palavra talvez devesse ser "fornicados" por mais apropriada ao assunto).
Tolhido pela profundidade do pensamento de D. Duarte de Bragança — "Tornar obrigatório a educação sexual resume-se a dizer: forniquem à vontade" — e/ou a pedagogia iluminada dos que acham indispensável introduzir a disciplina nas escolas primárias (penso que agora já não se chamam assim), Portugal dá mais um passo gigantesco em direcção a essa incontestada e incontestável coisa chamada Modernidade, que já no meu tempo era um conceito um bocado antigo.
Sobre a sexualidade infantil ainda nada foi dito de mais profundo do que isto: A teoria antiga negava a sexualidade dos adultos. A moderna diz que os bebés têm prazer sexual enquanto defecam. A antiga era melhor, ao menos podia ser contraditada pelas partes envolvidas.
O autor foi, claro, Karl Kraus e a frase visava Freud.
Quanto a mim, que nada tenho contra as cegonhas (o mesmo já não podendo dizer de Freud), estou com Kraus.
E acrescento: e se deixassem as crianças em paz? Não se preocupem com elas: quando estão interessadas, perguntam.
Isto, claro, se não estiverem demasiado ensonadas derivado ao facto de se levantarem às 6 da manhã para chegarem à escola às 8 (tudo em nome do seu sucesso escolar, claro). Mas também é verdade que já era esse o horário durante a Revolução Industrial, glorioso momento histórico que nos tornou a todos modernos.
Depois, contudo, não se admirem.
[O velhíssimo vídeo aí em cima, dos velhíssimos Monty Python, está classificado no YouTube para maiores de 18 anos — ora aí está uma medida adequada a estes tempos sombrios]

22/11/07

M'Espanto às Vezes, Outras M'Avergonho e não, não Vou de Novo Meter-me com o Pacheco Pereira. É outra Coisa

O caso é este: «Em Dezembro, fará agora um ano, uma criança de 4 anos, em Waco, Texas, foi acusada e declarada culpada de assédio sexual numa escola local. Segundo a imprensa, a criança encostou o rosto aos seios da educadora de infância. Na mesma altura, uma escola infantil de Hagerstown, Maryland, acusou uma criança de 5 anos de assédio sexual a uma colega (tendo-a «condenado» a pena suspensa até entrar na escola primária). Entre 2005 e 2006, 25 crianças de jardins de infância no estado de Maryland foram alvo de inquéritos por assédio sexual na suas escolas.» Pode continuar a ler em A Origem das Espécies.

E o caso é, também, que ainda não me refiz da notícia. O mundo entrou em movimento espiralado aceleradíssimo ou sou que ando com a graduação errada? É que nem São João, por muito pedrado que estivesse, se lembraria de identificar a Besta pelas fraldas.
Tomada por um pensamento reaccionário (como já não uso fraldas, permito-me ser reaccionária de quando em vez...), pus-me a congeminar se a origem disto tudo não estaria em Freud e na sua teoria da sexualidade infantil.
E, de repente, senti-me bem acompanhada nas minhas congeminações quando me recordei de Karl Kraus e da frase dele sobre a psicanálise, já aqui uma vez citada na Pastelaria: «A teoria antiga negava a sexualidade dos adultos. A moderna diz que os bebés têm prazer sexual enquanto defecam. A antiga era melhor, ao menos podia ser contraditada pelas partes envolvidas». Ser reaccionária, às vezes, é um descanso.

14/06/07

Pensamento reconfortante antes de ir para a cama

Karl Kraus (no boneco ao lado) sobre a psicanálise:
«A teoria antiga negava a sexualidade dos adultos. A moderna diz que os bebés têm prazer sexual enquanto defecam. A antiga era melhor, ao menos podia ser contraditada pelas partes envolvidas»