05/11/11

Economia para inteligentes

Francisco Fernandes Lopes (1884-1969), médico olhanense caído no esquecimento mas de quem Almada Negreiros disse: “Ele está, para mim, no meio da primeira fila dos que estão à frente disto tudo”, foi um homem de qualidades raras.
Musicólogo, inventor nas horas vagas, poliglota e historiador sábio que se definia a si próprio como um “vulgaríssimo João Semana” guiava-se por um princípio: “Ir sempre ao fundo do fundo do contrafundo”. É um bom princípio.
Que estamos a ir ao fundo, ninguém o nega. Até o primeiro-ministro já veio dizer que empobreceremos. Inevitavelmente. De vitória após vitória, até à derrota final, slogan que tem até uma certa patine guevarista adequada na perfeição ao l’air du temps, um tempo em que os banqueiros citam Lenine.
Recordo: “O Lenine deve estar a rir-se à gargalhada no túmulo”, disse Fernando Ulrich, demonstrando que é um homem do mundo.
Eu, que estou como o Jesus Cristo do Pessoa (também nada sei de finanças…), gostaria, contudo, de deixar algumas perguntas (simples) numa tentativa, porventura vã, de cumprir o preceito de Lopes.
Quando o desemprego em Portugal, segundo dados do INE, se situa em 12,5%, como é que o aumento de meia hora de trabalho diário ajuda a combater o flagelo?
Andava eu a tentar perceber a quadratura do círculo, eis que chego a um estudo encomendado pelo Governo que garante que a medida aumentará em 4% a competitividade das empresas, o que logo me fez lembrar Garrett, perdão, Manuel Pinho, o ex-ministro da Economia que em tempos que já lá vão (?) foi à China pedir aos locais para investirem em Portugal porque a nossa mão-de-obra era barata.

Outra coisa que também não alcanço é isto.
Imaginemos que um qualquer leitor destas linhas aceita emprestar-me dinheiro. Agradeço, claro, "uma senhora é uma senhora", mas é-me imposta uma condição: não posso criar riqueza durante o período de tempo em que fico devedora.
Empobreça!, ordena-me o emprestador. E desculpem-me se pareço muito burra: mas como raio poderei pagar-lhe?
E foi então que Karl Kraus surgiu em meu auxílio: “Uma das causas mais comuns das doenças é o diagnóstico”.

19 comentários:

Manuel Vilarinho Pires disse...

Vou fazer um comentário chato e longo...

Alargar o horário de trabalho não cria emprego. Pelo contrário, cria desemprego.
Já reduzir salários criaria emprego, através do mecanismo: reduzir custos de produção pemite baixar preços de venda, aumentar quotas de mercado, e aumentar a produção e ter de admitir mais gente.
Mas reduzir salários é impopular. Ninguém, nem o excelente blogger Álvaro Santos Pereira, o quis sequer propor. Eles serão, no entanto, inevitavelmente reduzidos pela recessão, que lançará no desemprego muitos que só conseguirão emprego com salário mas baixo que o anterior. Não por causa de o Estado não ter dinheiro para gastar, e não o gastar, mas porque a nossa economia não consegue ser competitiva sequer para manter os níveis miseráveis dos salários que se praticam cá, e não há decisão política que o consiga evitar.
E os Louçãs deste mundo não se esquecem de fazer demagogia, recorrendo à falácia de o governo agir como se a culpa da crise fosse dos salários altos, quando a redução de salários não passa de um remédio para ela. Um pouco como se dissesse que um médico que quer amputar uma perna a um doente atibui as causas da gangrena ao facto de o doente ter duas pernas.
Ora não tendo os salários sido reduzidos a todos, e por igual, e de imediato, serão reduzidos ao longo do tempo, tudo a alguns, muito a outros e nada a outros, de forma muito mais traumática e que ampliará muito mais as assimerias salariais e a injustiça social.
De bem intencionados vai-se encher o inferno.
Mas isto digo eu, que nem sou economista, e oxalá me engane.

A discussão da necessidade de empobrecimento é mais retórica do que real.
(Antes de continuar, uma pergunta. Tem duas pessoas. A primeira pediu emprestado um milhão de €, comprou um carro de 200 mil e uma casa de 700 mil, e ainda tem 100 mil no banco. A segunda tem um apartamento em Massamá, um carro utilitário, 1500€ no banco, e não deve dinheiro. Qual delas é mais rica? Se olhar apenas para os activos, parece que é a primeira. Mas na realidade é a segunda, que tem, aquilo que em contabilidade se chama situação líquida, ou seja, os activos subtraídos das dívidas, maior. A primeira, na realidade, não tem nada, tem um milhão de activos mas deve um milhão. A segunda tem pouco, mas é dela.)
Isto para dizer que, pobres, já somos, não por opção política deste governo para o futuro, mas porque já temos uma situação líquida pobre no presente.
E a recessão que aí vem (está) não é causada, como o BE adora acreditar, pelas imposições do credor (o credor não nos ordena que empobreçamos, ordena-nos que gastemos menos), as limitações à despesa do Estado, mas pelo facto de a economia não ter capacidade de crescer e comçar a gerar riqueza.
A única forma de pagar ao credor é conseguir recolocar a economia a crescer. Como? Eu, que sou leigo, digo que, no curto prazo, seria através de uma redução imediata de todos os salários. Aquilo que, sem reduzir os salários nominais se fazia no tempo da moeda nacional com uma desvalorização (que até se chamava competitiva). E, no longo prazo, melhorando a educação, as novas tecnologias e essas tretas todas. Mas no longo prazo.
Ou então, sei lá, ganhar o Euromilhões...

Prontos, já fiz, saiu mesmo longo e, como dizia a minha filha, hoje já é amanhã... Bom domingo!

Carlos Azevedo disse...

«Já reduzir salários criaria emprego, através do mecanismo: reduzir custos de produção pemite baixar preços de venda, aumentar quotas de mercado, e aumentar a produção e ter de admitir mais gente.»

Manuel, desculpe lá, mas eu, que sou apenas um leigo que acaba de chegar a casa com um copinho a mais, não percebo uma coisa no seu raciocínio: se as pessoas irão necessariamente empobrecer -- coisa que o Manuel não nega, bem pelo contrário, e eu estou consigo --, como poderão comprar os produtos? Como sabe -- e eu também, apesar de ser um leigo --, não basta uma diminuição do preço para que o consumo aumente imediatamente. Exemplifico: eu consumo regularmente vinho da marca Y e, aplicando o seu raciocínio, o vinho fica mais barato. Entretanto, passo a ganhar menos. Como posso consumir mais, se a vantagem da diminuição do preço se dilui no efeito da diminuição do rendimento? Pois claro: é necessário comparar a diminuição do rendimento com a diminuição dos preços, para aferirmos da sua proporcionalidade. Mais: é necessário verificar se a quota de mercado do produto já não estaria no limite permitido pelo mercado. E, se já estivesse, para quê diminuir o vencimento das pessoas que trabalham nessa empresa, se a sua competitividade não pode aumentar? Exportações? A exportação será uma saída para determinados produtos, nem de perto nem de longe a maioria dos que são produzidos em Portugal. Mas voltemos ao caminho que eu percorria. Pois claro: por uma questão de justiça; não podemos diminuir a uns e não diminuir a outros. Mas, chegados à questão da justiça e da equidade, não acha que há muitas gorduras que o Estado tem de cortar antes de mexer nos vencimentos dos trabalhadores? Mais uma vez, exemplifico. Os carros com motorista que todos os ministros, secretários de Estado e demais servidores da causa pública – ihihih; não escarneço: é efeito do álcool -- têm à disposição, é tal coisa admissível num país de pobres? Estarei a ser demagógico? Relembro: não falo dos custos, que podem ser irrisórios no bolo total da despesa: falo de justiça e equidade. Se somos pobres, comecemos a comportar-nos como tal. Mas, todos, a começar por quem quer cortar isto, aquilo e aqueloutro.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Bom dia, Carlos.

O que nos vale é que, sendo leigos, podemos trocar ideias num plano em que os outros leigos como nós nos consigam entender e sem o pressão de as nossas opiniões terem de ser irrefutáveis.

Mas também podemos chegar a encruzilhadas que não conseguimos resolver só com o nosso bom senso e honestidade intelectual.
Como esta: qual dos efeitos de uma redução nos salários seria preponderante na procura à economia nacional, a contracção do consumo devida à redução dos salários (ainda que parcialmente compensada com o aumento do rendimento disponível dos desempregados que voltam a trabalhar), ou o aumento devido ao incremento de exportações e à substituição de importações por produção nacional possibilitados pela redução de preço desta?
Por mais que especulemos, não resolvemos o dilema só pela troca de opiniões.
Mas podemos pedir ajuda à ciência económica, ou melhor, a estudos estatísticos que procuram detectar correlações entre as variações salariais e as variações no desemprego.
Apesar de não o conseguir localizar agora, pelo que apelo à sua fé para acreditar no que digo, já vi um estudo científico, citado no blog
http://theportugueseeconomy.blogspot.com/
que detectou, em Portugal, que uma variação de 1,8% nos salários induz uma variação de 1% no mesmo sentido no desemprego.
O economista Paul Krugman, que a esquerda portuguesa gosta muito de citar por ser muito céptico relativamente à austeridade, também publicou um artigo de opinião aqui,
http://krugman.blogs.nytimes.com/2010/05/17/et-tu-wolfgang/
que vai no mesmo sentido, ao dizer que as economias da periferia do Euro teriam de reduzir os salários 20%-30% comparativamente com os alemães para repôr a sua competitividade.
Estes ajudaram a formar a minha opinião de leigo.

Quanto à sua discussão sobre justiça na distribuição de sacrifícios, estou completamente de acordo. Até no facto de os abusos simbólicos (de que os carrinhos são sempre uma tentação irresistível) poderem ser irrelevantes financeiramente mas alimentarem o que de pior pode resultar de uma crise como a actual: o populismo.

João Lisboa disse...

É mesmo "João Pestana" ou será "João Semana"?

Fado Alexandrino disse...

Parece-me que há aqui uma ligeira imprecisão.
Vamos pegar no seu exemplo.
O que acontece é que a senhora tem dez prestações mensais contraídas em tempo de euforia e agora só tem dinheiro para pagar quatro e o resto, claro, gasta-o em alimentar-se.
Ora o que o emprestador fez foi emprestar-lhe o dinheiro (não há almoços grátis) para poder liquidar as outras seis evitando que os credores lhe tirem aquilo que ainda gasta em comida e portanto evitando a ruínas deles mantendo-a viva.
Se errei, tenho desculpa, não sou economista mas quem o é?

Carlos Azevedo disse...

Bom dia, Manuel. [para si, pelo menos, porque o meu começou com uma valente dor de cabeça; enfim, a solução é mesmo beber menos]

Começando pelo fim: populismo, aprendi eu há muito, é o nome que os prevaricadores dão à decência; porém, esta continua a ser o que sempre foi: decência.
Quando apela à minha confiança no que diz, esclareço-o desde já (e fica em vigor para futuras trocas de opiniões): confio.
Por fim, advirto-o de que confio muito mais na minha honestidade intelectual e no meu bom senso do que na ciência económica, que -- essa sim! -- há muito deixou de merecer a minha confiança. Porquê? Precisamente porque chegou há muito a uma encruzilha e não teve a honestidade intelectual de o reconhecer; por causa disso, deu e continua a dar cabo (literalmente) de muitas vidas; e eu não tenho por hábito confiar em gente responsável pela desgraça alheia, que continua a sua vida como se nada fosse. (Sabe que o nosso ex-Ministro das Finanças proferiu a "lição de sapiência" no início do ano lectivo da Faculdade de Economia da UP? De rir para não chorar, pois claro.) E mantenho: a explicação teórica que avança não responde à minha questão de leigo: como poderá uma população efectivamente empobrecida (pouco interessa se por ganhar menos ou por efeito da desvalorização da moeda, embora na Zona Euro um país, por si mesmo, não possa recorrer à segunda) comprar os produtos?

Ana Cristina Leonardo disse...

João, "semana", claro, já vou corrigir

Manuel Vilarinho Pires disse...

Carlos,

O populismo é, efectivamente, ardente defensor da decência quando não chega ao poder.
Quando chega, não costuma ser... estou a brincar, no poder, nunca é!

A Economia é uma ciência positiva, e não normativa. Não procura prescrever como o mundo devia funcionar, procura descrever como ele funciona.
Não dá cabo de vidas, na mesma medida em que a Astronomia também não, mesmo se porventura, um dia, um asteróide colidir com a Terra e extinguir a vida no nosso belo planeta (já agora, na terça-feira vai passar um, bem grande, bem perto, como pode ver nesta animação
http://www.nasa.gov/images/content/541440main_2005_YU55_approach.gif
).
O que não significa que não se possa dar cabo de muitas vidas em nome da ciência, quer seja da Economia (eu exemplifico com o comunismo, mas pode exemplificar com experiências económicas diversas, se preferir), quer seja da Astronomia (...e pur si muove...).

No artigo que citei, um investigador submeteu a testes estatísticos séries temporais de salários e taxas de desemprego e detectou que estavam corralacionadas de forma estatisticamente significativa. Este tipo de estudo não justifica nem explica a associação, mas afirma que é improvável que as variáveis estudadas não estejam mesmo associadas entre si.
Se estiver tentado a responder que a estatística se pode dar à manipulação, é verdade que pode, mas os artigos científicos são sujeitos à validação entre pares que desencoraja a aldrabice, e temos que reconhecer que devemos também à estatística, que é exaustivamente usada na Medicina, o facto de estarmos vivos com as nossas idades (eu, pelo menos, com a minha).

E, para para além do paper e do artigo do Krugman, diz o bom senso que a desvalorização da moeda é tida por estimular o crescimento económico. Mesmo se eu não gosto da desvalorização, porque é uma redução manhosa do rendimento e do património das pessoas sem elas darem por isso, parece-me que a mecânica deste estímulo é intuitiva. E, se se fazia de forma escondida, porque não se há-de fazer agora de forma trasparente num país que não pode desvalorizar por estar na eurozona?

Finalmente, ao contrário do que possa parecer por estar aqui a defender a redução de salários como forma de relançar a economia e sair da crise, eu adorava estar enganado.
Porque receio que, não se fazendo, vamos andar uns anos a apertar o cinto sem outra consequência que não seja emagrecer...

Carlos Azevedo disse...

Manuel,

Podemos brincar com as palavras, mas a decência existe (se me disser que é rara…); e, no exemplo que referi, trata-se mesmo duma questão de decência -- pelo menos, para mim.

Quando diz que «a economia é uma ciência positiva, e não normativa», está a cometer um erro. A economia positiva (positive economics) e a economia normativa (normative economics) são partes da ciência económica, e podemos dizer que se contrapõem. A economia normativa considera "o que deveriam ser" os juízos de valor ou os objectivos da política pública; a economia positiva, pelo contrário, é a análise dos factos e dos dados: "como são as coisas" (Samuelson).

Por fim, não exageremos: li o estudo -- aliás, já havia lido -- e nunca estive tentado a responder-lhe que a estatística se pode dar à manipulação, quanto mais não seja pelo simples facto de também eu efectuar análises estatísticas e trabalhar com amostras. Responder-lhe-ei, isso sim, que sabe, com certeza, quais são as limitações de uma análise estatística, e que estas decorrem desde logo do facto de se trabalhar sobre amostras; e como é arriscado, embora se possa fazê-lo, aplicar os seus resultados a outras realidades, cujas variáveis são, em maior ou menor grau, necessariamente diferentes.

Anónimo disse...

E quem disse ao Fado Alexandrino que as tais prestações que destinam à alimentação teriam de de ir parar às mãos dos credores?
Se estivéssemos nesse ponto, o mais certo seria os credores ficarem sem as prestações que apesar de tudo ainda continuaram a receber.
Por isso faz todo o sentido a pergunta da Ana Cristina: como vou pagar se só me emprestam na condição de eu não me desenvolver?

Ana Cristina Leonardo disse...

amanhã, logo digo qq coisa.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Bom dia, Carlos,

Só quero deixar claro que gosto de brincar com palavras mas, aqui, foi o Carlos que propôs a brincadeira ao dizer que "populismo ... é o nome que os prevaricadores dão à decência".
Como eu tenho a convicção que o maior dos perigos de uma conjuntura como a actual, pior ainda que o empobrecimento, é o de favorecer a emergência de populismos, não quis deixar de sublinhar que o populismo existe e é indecente em extremo, não é apenas um fantasma agitado pelos prevaricadores para se defenderem, ao contrário do que uma leitura (se calhar ligeira e infiel à sua intenção) do seu comentário poderia sugerir.
E a desvalorização do perigo real e presente do populismo é um daqueles temas a que me é irresistível responder.
Na mesma medida da desvalorização da democracia que muitos fazem, com ou sem intenção, ao sugerir que vivemos numa espécie de ditadura, que desvaloriza inqualificavelmente o significado de ditadura se lido por quem não teve a experiência de viver mesmo em ditadura.
Ou a defesa de atalhos na aplicação da justiça, como se a justiça que prescinde de 3 ou 4 princípios básicos pudesse ser justa, como se esses princípios servissem apenas para defender os criminosos ou os poderosos de serem punidos como merecem.
Tirando estes temas, prefiro brincar com palavras a levar-me demasiado a sério.

Dou a mão à palmatória. A Economia também tem uma vertente normativa. A Medicina também, quando salta de dizer "o comportamento A provoca o efeito B" para dizer que o comportamento A devia der erradicado, ou mesmo a Astronomia, quando, depois de descrever como Deus construiu o Universo, proibiu descrições que contradissessem essa.
O Comunismo é, todo ele, um programa de Economia normativa.
Mas as vertentes normativas a mim não me interessam, nem na Medicina (prefiro decidir eu que comportamentos tenho, conhecendo as suas consequências graças à Medicina positiva), nem na Economia (prefiro construir as minhas preferências em função das suas consequências, que a Economia positiva me demonstra).
E, mesmo reconhecendo as debilidades das ciências positivas quando se debruçam sobre os fenómenos sociais, também tenho de reconheer que nos apoiam, mais do que enganam, na tentativa de os irmos conhecendo.

Isto tudo junto, eu tenho a certeza que uma redução de salários como prescrevi permitiria inverter a recessão e ultrapassar a crise? Não. Mas é o melhor juízo que consigo fazer face aos dados e ao conhecimento que tenho disponíveis...
O que sei de ciência certa é que se amanhã ganhar o Euromilhões fico mais rico do que hoje!

luis reis disse...

Ena pá,vou já falar ao meu senhorio para me baixar a renda da casa.É já.Como é que não pensei nisso pá?Espera lá,e se o gajo não leu as estatisticas do Sr. Vilarinho?E se o gajo sabe,que eu já estou a ganhar uma merda?E se o gajo,disser que se está cagando,para o meu patrão,que,(segundo as doutas opiniôes do Sr. Vilarinho,me deveria baixar ainda mais o meu ordenado)?Já estou a ver a coisa.Só tem um problema.é que, ultima vez que fiquei desempregado,tive de pedir emprestado á familia para pagar a renda...chatice, o gajo não lê estatisticas.Ao menos ele percebesse de economia de sofá.Porra de azar...

Carlos Azevedo disse...

Bom dia, Manuel.

Estamos a entrar na fase em que ficamos chatos. Já percebeu o que eu penso e vice-versa; simplesmente, estamos em desacordo.
Mas, para concluir, sempre lhe digo que, no que a mim diz respeito, não generalizo: há alturas em que prefiro brincar com as palavras e outras em que opto por me levar a sério -- se é ou não demasiado, enfim, preocupa-me pouco.

Um abraço e uma boa semana.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Boa tarde, Carlos

Se fizer scroll-up poderá verificar que eu comecei por avisar que ia fazer um comentário chato...
Boa semana para si também!

Caro Luís,

Apesar de ser completamente alheio às suas desventuras, não tenho nada a criticar a que abata o mensageiro quando recebe más notícias. Se bem que não veja utilidade nisso, porque abater o mensageiro não erradica a notícia.
De qualquer modo, como o Governo não tomou a medida que a mim me parece que poderia inverter a recessão, não é por causa da minha opinião que está a ganhar insatisfatoriamente. Nem é por causa dela que conseguirá manter ou perder o emprego ao longo da crise. E, se eu estiver enganado e a recessão não se aprofundar, fico sinceramente feliz por si.
(Não me perguntou foi se, conjuntamente com a desvalorização dos salários através da redução, também defendia a desvalorização das rendas e de outros preços regulados, também através da redução)

Carlos Azevedo disse...

Manuel, para que fique claro: não só não foi isso que eu escrevi, como também não me excluí.

alf disse...

Brilhante post!

Pôr a economia a crescer? Fácil.. toda a gente sabe como é:

- não se importa nada que se possa produzir cá ou se possa dispensar;

- o estado não abre concursos sem antes assegurar que o que vai comprar pode ser produzido em Portugal e organizar as coisas para que o concurso seja ganho por uma empresa portuguesa;

- quando o estado tem mesmo de comprar ao estrangeiro, não paga em dinheiro, paga em produtos produzidos em portugal.

- a exploração de recursos nacionais por empresas estrangeiras é feita de maneira a garantir o pagamento dessa exploração, nomeadamente no caso do Turismo, águas, minérios.

São coisas estranhas? Pois é o que toda a gente faz na Europa; tenho uma longa experiência de concursos de empresas públicas e todos os concorrentes estrangeiros se indignavam com o que cá se passava; um alemão chegou a desabafar comigo que íamos levar o país à bancarrota e depois a europa.

Sabem como é que a nossa indústria do calçado consegue exportar? Usando marcas que os naturais de cada destino de exportação pensam que são do seu país.

E toda a gente pode perceber que tem de ser assim, uma vez que temos de viver do nosso orçamento; mas ninguém quer perceber porque temos mentalidade de consumidores e não de quem produz.

Alvarez disse...

É a primeira vez que por aqui passo. Mas gostei bastante do que li e vi.
Parabéns por este "humor corrosivo".

Alvarez

Ana Cristina Leonardo disse...

alvarez, volte sempre!