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17/12/21
01/02/09
A book a day keeps the doctor away

Cão e homem invertem às tantas os papéis, e nesse quadro bizarro avesso à normalidade está tudo o que de mais radical trespassa a obra deste francês maurício: uma visão do real que enfrenta corajosamente os paradoxos e que escapa a todo e qualquer maniqueísmo – o humano, não como categoria transcendente à matéria, mas o humano inscrito absolutamente na matéria. Aquilo que Paul Valéry terá deixado antever quando escreveu, «Le plus profond c’est la peau».
Assim, a denúncia do materialismo, da solidão das cidades, do excesso de ruído, do consumismo sem freio, a que muitos insistem em reduzir a obra de Le Clézio, é um tiro aquém e pueril, pois que foi também ele quem disse nesse ensaio extraordinário, L’Extase materielle: «O corpo é vida, o espírito é morte. A matéria é ser, o intelecto nada».
Trata-se, pois – como se intui, desde logo, nesta narrativa de estreia –, de nos religar à matéria, telúrica, primeva (Herberto Helder traduziu-o, não certamente por acaso…), como bem se expressa neste diálogo que transcrevo:
«"Adão, fazes-me medo assim nessa posição, não te mexes, não respiras, dir-se-ia um cadáver…”
«“Idiota!”, respondeu Adão, “interromper a minha contemplação! Agora acabou-se, seria preciso recomeçar tudo desde o princípio.”
«“Recomeçar o quê?”
“Nada, nada… Não te posso explicar. Tinha já chegado ao vegetal… Aos musgos, aos líquenes… Estava pertíssimo das bactérias e dos fósseis. Não te posso explicar.”».
E seria com certeza interessante, à luz disto, comparar o jovem Adão em fuga com o desassossegado Holden Caulfield, desse outro inclassificável que dá pelo nome de Salinger.
O Processo de Adão Pollo, J.M.G.Le Clézio, Europa-América, 2008
24/06/07
Investigão pós-pós-moderna

Pois, também os títulos das teses dirão muito sobre as pessoas. No caso, este serviu para confirmar a minha desconfiança antiga acerca de sociólogos.
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