A primeira vez que vi «Shoah», o longo documentário do descansado do Claude Lanzmann sobre o extermínio dos judeus na Europa, fez-me espécie a irritação que ele, judeu, mal escondia quando falava com simples polacos, em contraponto aos nervos de aço que mostrava quando dialogava com alemães, incluindo nazis que haviam ocupado postos de alguma importância no Partido Nacional-Socialista.
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04/10/22
SOBRE O PEDIDO DE INDEMNIZAÇÃO DA POLÓNIA À ALEMANHA NO VALOR DE 1,3 BILIÕES DE EUROS...
Na altura supus que ia se poderia dever ao facto de Lanzmann falar fluentemente alemão e precisar de uma tradutora para polaco. Mas isso foi antes de eu própria ter estado na Polónia...
Era só.
27/01/13
30/01/12
Tomara vocês chegarem aos calcanhares desta gente!
O número dois do governo alemão defendeu ontem que se os gregos não cumprirem os objectivos, então terá de ser imposta de fora uma liderança, a partir da União Europeia. Na véspera da cimeira europeia, Philipp Roesler tornou-se no primeiro membro do governo alemão a assumir a paternidade da ideia segundo a qual a troco de um segundo programa da troika, um comissário europeu do orçamento seria investido de funções governativas em Atenas, retirando ao governo legítimo funções essenciais.
(...)
O governo grego ficou em estado de choque com a ameaça da próxima ocupação. O ministro grego das Finanças pediu à Alemanha para não acordar fantasmas antigos – a Grécia esteve ocupada pelas tropas nazis durante a II Guerra. “Quem põe um povo perante o dilema de escolher entre assistência económica e dignidade nacional está a ignorar algumas lições básicas da História”, disse Venizelos
LER o resto aqui.
16/11/10
A book a day keeps a doctor away: "Jan Karski", Yannick Haenel

O livro de Yannick Haenel está dividido em três partes. A primeira retoma o filme/documentário de Claude Lanzmann sobre o extermínio dos judeus na Europa, Shoah, e as declarações nele feitas por Jan Karski. A segunda coteja Story of a Secret State, escrito pelo próprio Karski e editado em 1944 nos EUA. A terceira resulta tão-só da imaginação de Haenel e descreve-nos um homem envelhecido e deprimido, em luta com a memória.
A obra foi publicada em França o ano passado, ganhou o Interallié (prémio criado por um grupo de jornalistas — homens — que aguardavam entediados num restaurante o resultado do Femina) e viu-se enredada em acesa polémica. Em causa, grosso modo, os limites da ficção e as relações entre história e literatura.
Lanzmann, polemista à moda antiga, saiu a terreiro e acusou Haenel de plágio, de mediocridade literária e falta de perspectiva histórica. O escritor respondeu dizendo que o pretenso plágio era, na verdade, prova da sua admiração pelo trabalho do realizador, que este tinha uma visão “positivista” das relações entre ficção e história e que a investigação que levara a cabo alicerçava suficientemente o seu retrato do polaco. A discussão poderá parecer demasiado francesa mas levanta questões importantes.
Lido Jan Karski, três aspectos a registar. 1: a imagem de alguém obcecado pela “questão judaica”; 2: a imagem de uma Polónia abandonada por todos e injustamente acusada de anti-semitismo; 3: a ideia que os judeus podiam ter sido salvos, e só não o foram devido à total indiferença dos Aliados.
Esta última tese — porque de uma tese se trata — é o cimento com o qual Haenel constrói o livro.
Pondo por ora de lado a questão da qualidade literária, alguns senãos se levantam.
Se é um facto que Karski ficou para a história como o católico que, tendo observado ao vivo a “Solução Final”, tudo fez para a denunciar junto dos Aliados (dando literalmente voz ao apelo desesperado que lhe havia sido transmitido pelos judeus de Varsóvia), não é menos certo que ele é, acima de tudo, uma testemunha do colapso do seu próprio país, no qual as forças nazis arrasaram as elites e escravizaram brutalmente as populações.
Em segundo lugar, se, enquanto membro da resistência polaca, Karski só pode atestar a luta contra o ocupante naquele que era, então, território repartido entre a Alemanha e a URSS, não é menos verdade que o anti-semitismo polaco tem uma longa tradição, tendo-se mesmo registado vários pogroms a seguir ao final da guerra, de que o mais tristemente célebre foi o de Kielce, a 4 de Julho de 1946, durante o qual foram mortos cerca de 40 judeus.
E é sobre o último ponto — a salvação dos judeus — que a polémica mais se assanha. Lanzmann, como muitos, defende que, uma vez a guerra iniciada, tal se tornara impossível. Haenel advoga em sua defesa declarações do próprio Karski, em que este diz que os governos aliados haviam abandonado os judeus à sua sorte. Infere-se daí que os Aliados foram cúmplices?
O livro de Yannick Haenel quer-nos fazer crer que sim. Assim sendo, porém, torna-se incompreensível que o escritor venha içar a bandeira do “direito à ficção” em resposta aos críticos, já que o seu tema não é ficcional, é político. Nisto, aliás, reside a sua maior fragilidade, descontada a opção fácil da divisão em três partes.
Não é, pois, por abordar o tema do Holocausto (que seria tabu) de forma supostamente herética que Jan Karski falha (aliás, o Holocausto nunca foi tema tabu, apenas tema difícil: como pode a ficção falar do que a ultrapassa?). Falha porque ao querer encaixar a todo o custo a figura do resistente polaco na sua visão da “Solução Final” como fruto de uma cumplicidade tácita entre Hitler, Roosevelt e Churchill, Haenel cai na armadilha ideológica.
Não será por acaso, pois, que a primeira parte da obra, expurgada desse peso, e dando voz ao próprio Karski (via Lanzmann), seja a mais conseguida. Eis-nos, por momentos, face a um homem que suporta os seus abismos sem rede. A grande arte é disso que trata. O resto não é literatura.
Jan Karski, Yannick Haenel, Teorema, 2010, trad. de Carlos Correia Monteiro de Oliveira, 164 páginas
16/11/09
Treblinka*
* Porque acabo de ler Sou o Último Judeu - Treblinka (1942-1943), Chil Rajchman, Teorema, 2009. E como do campo de extermínio de Treblinka não sobrou nada, existindo mesmo uns celerados que negam que alguma vez tenha existido, assinalo esta entrevista com o SS Franz Suchomel, feita por Claude Lanzmann, com o horror explicado ao pormenor. Aqui, aqui, aqui,aqui, aqui, aqui e aqui.
10/11/08
A Kristallnacht foi (só) há 70 anos
Trailer do extraordinário e comovente filme Shoah, de Claude Lanzmann, realizado em 1985. O documentário, de 9 horas, está integralmente disponível no Yoube. Começa aqui
21/08/07
RAUL HILBERG 1926-2007
Raul Hilberg, in Shoah, de Claude Lanzmann
Falha imperdoável minha, só hoje fiquei a saber que Raul Hilberg tinha morrido. Autor desse estudo monumental sobre o Holocausto, The Destruction of the European Jews, obrigatório para quem queira tentar perceber a tragédia que se abateu sobre a Europa há cerca de 60 anos, o historiador faleceu no passado dia 4 nos EUA. Foi há poucos anos que comprei o seu livro, em Bruxelas, numa versão francesa actualizada. Com um rigor de copista e uma obsessão pelos factos que lhe valeram muitas críticas, inclusive da própria comunidade judaica (críticas que subiram de tom quando veio a público defender Norman Finkelstein, o autor de A Indústria do Holocausto), Hilberg descreve e interpreta, num livro de mais de mil páginas, a máquina burocrática nazi que permitiu cumprir a mortandade. Texto de referência, vale certamente mais do que todos os discursos que Elie Wiesel possa proferir sobre o tema. E quando tanta gente entre nós parece sentir-se atraída pela judaísmo ‑ porventura levando demasiado a sério o estatuto de «Povo Eleito» ‑, talvez a leitura de Hilberg ajudasse a clarificar as coisas. E as coisas são isto: J’ai fait un rêve, Seigneur, que j’ai trouvé, à l’instant où je le vivais, merveilleux: je n’étais plus juif. Edmond Jabès, que era judeu, saberia do que falava.
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