Mostrar mensagens com a etiqueta JP Sá Couto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta JP Sá Couto. Mostrar todas as mensagens

11/10/10

Allô! Allô! Vem aí o amigo do Sócrates que por sua vez é muito amigo da China, não confundir com a Cinha

Como é sabido, algum tempo antes das famigeradas semanas que fizeram o mundo mudar para xuxu, o engenheiro José Sócrates andou pela Venezuela a vender Magalhães inquebráveis.
Parece que Chávez ficou convencido da qualidade do produto e aceitou vir agradecer pessoalmente ao nosso Primeiro.
A visita a Portugal está anunciada para as próximas semanas e faz parte de um pacote que também contempla a Rússia, a Bielorússia e o Irão (tudo gente altamente recomendável).
No entretanto, quer dizer, enquanto Chávez não chega nem o orçamento se orçamenta, o prémio nobel da paz foi atribuído a Liu Xiaobo.
Naquele estilo que faz Alberto João Jardim parecer um menino de coro, o venezuelano pronunciou-se sobre a decisão norueguesa no seu programa dominical "Allô Presidente": O governo chinês, fazendo uso de sua independência e soberania, reclama pelo prémio a esse senhor que está preso lá. Acontece que deram o Nobel a um cidadão dissidente e contra-revolucionário chinês, que está preso na China certamente por violar as leis da China.
E rematou: Aqui vai a nossa saudação, a nossa solidariedade ao governo chinês. Viva a China!
E agora se me permitem remato eu: Viva o Magalhães! Viva o José Sócrates! Viva o MRPP! Et Vive la Suisse Libre!

09/12/09

Os visionários não nos dão descanso ― ainda o Magalhães e as desgraçadas das crianças

A introdução de computadores na sala de aulas das primárias causa-me arrepios e não é gripe.
Deixem-me ser completa e assumidamente retrógrada: eu sou pelos cadernos sem argolas, pelos lápis, plasticinas, barro, batuques, papel cenário e cartolina, tabuadas e muitas cópias. Acho que as escolas deviam ter hortas, caixas de sapatos com bichos-da-seda, bibliotecas sem livros chatos, mini-laboratórios, salas de música, recreios com árvores e baloiços e, talvez seja pedir muito mas enfim, um burro financiado pela Comunidade Europeia ― sempre se lhe dava uso e não me refiro ao jumento.
E, não, não sou especialista em qualquer ramo pedagógico ou similares.
Estou firmemente convencida que o uso precoce de computadores não só não servirá para nada em termos estritamente gnosiológicos mas também aumentará o número de neuroses prematuras – para não falar da obesidade infantil que tantos teimam em varrer para debaixo do tapete da cadeia McDonald’s.
A WEB será a grande invenção dos humanos depois da roda mas, anterior à roda e à WEB está certamente a nossa origem cósmica, misticismos aparte. Afinal, como dizia o outro que era sábio, somos filhos das estrelas e do carbono 14. Não da Intel, num acrescento meu.
Vem esta reaccionária prosa a propósito das declarações de um tal José Dias Coelho, presidente de uma tal Associação para a Promoção da Sociedade da Informação, que, não contente com a distribuição de Magalhães a crianças que ainda ontem usavam chucha, afirma com todos os dentes da boca que “é fundamental garantir o total alinhamento dos projectos educativos com o computador Magalhães”.
E diz mais, o visionário. Sentencia Coelho que a dita infra-estrutura (o novo Santo Graal dos info-deslumbrados promovido pela Sá Couto) devia ser integrada nas “comunidades locais, desporto, clubes, cultura e escuteiros, inclusivamente, de modo a colocar um verdadeiro impacto na educação e transformação da criança”.
Colocar impacto e ainda por cima verdadeiro? Transformação da criança?!!! Escuteiros?!!! Que nos salve depressa o burro dos 27 ― sempre se lhe dá algum uso e não me refiro ao jumento.

15/05/09

Ainda o Magalhães mas sem música

Alguém reparou que, enquanto a Comissão Europeia multa a Intel, cá no burgo a JP Sá Couto cresceu mais de 3000% com o Magalhães, computador que, por acaso, é uma versão do Classmate da Intel?
O projecto nascera na cabeça de Nicholas Negroponte e chamava-se OLPC. Depois a Intel abarbatou-se com a ideia e pô-la a render com o nome de Classmate PC. Em Portugal, uma empresa chamada JP Sá Couto, por acaso acusada de fraude e fuga ao IVA, juntou-se à Intel e traduziu a ideia para português chamando-lhe Magalhães. Um primeiro-ministro engenheiro juntou o Estado ao negócio e foi ainda mais longe baptizando a ideia [de Negroponte, recorde-se] de "ibero-americana".
No entretanto, a JP Sá Couto subiu as vendas em três mil por cento. E, no entretanto também, a Intel é multada em mais de um milhão de euros (a maior multa alguma vez aplicada pela União Europeia) devido às suas práticas monopolistas.
No meio disto tudo, há uns empreendedores menos ambiciosos do que os irmãos Sá Couto que tentam fazer dinheiro com o Magalhães, surripiando-os às criancinhas e vendendo-os nas Feiras da Ladra. E esta é, obviamente, a parte cómica da coisa. Mas quem é que, em época tão absolutamente desengraçada, ainda consegue achar graça aos Feios, Porcos e Maus?