Tive a infeliz ideia de espreitar os canais de TV portugueses a propósito das eleições presidenciais francesas. Estava num deles — não sei qual — um comentador nacional — não sei quem é — a afirmar cheio de convicção que as pessoas, porque vivem mais anos, podem — e devem (sic) — trabalhar até mais tarde. Rematava o referido que, afinal, ninguém quer passar os dias sentado num banco de jardim. Só lhe faltou relembrar que o trabalho liberta.
Quem será o iluminado? Por uma fracção de segundo ainda pensei voltar atrás na box, mas logo preferi ir para o quintal apanhar a merda das cadelas.
Pelo que leio e vejo o Primeiro-Ministro ontem esteve muito à-vontade na televisão. Não cantou a Nini, mas pronto, também não se pode ter tudo.
Como se escreve no Delito de Opinião, só se esqueceram de lhe fazer uma pergunta.
Não sou nada obediente. Apesar disso, gosto imenso daquela frase do Rantanplan em que ele diz: «Finalmente alguém que sabe mandar!». O Pedro Correia, do Delito de Opinião, passou-me uma corrente: 15 séries de televisão que me tivessem ficado na memória. Raramente alinho em correntes mas o e-mail do Pedro acabava assim: «É mesmo para responder, está bem?» E, vai daí, obedeço.
Columbo (com o fabuloso Peter Falk) Hitchcock Apresenta (lembro-me sempre do episódio em que os polícias acabavam a lambuzar-se com a arma do crime) Space 1999 (o guarda-roupa era imbatível) Bonanza (ainda hoje sei trautear a música do genérico) Eu, Cláudio (uma versão literal do "estes romanos são loucos!") Soap (quando os temas fracturantes tinham graça) Monty Phyton Flying Circus (com carneiros a cair em cima do apresentador do telejornal…) Twin Peaks (embora, a partir de dada altura, aquilo nunca mais acabasse) A Visita da Cornélia (será que sobreviveu ao tempo?)
Os Vingadores (o glam ao serviço de Sua Majestade) A Música e o Silêncio (o António Vitorino d’Almeida sem a Bárbara) Homem Rico, Homem Pobre (com o Nick Nolte) Seinfeld (muito, muito feios, mas com muita, muita graça) Casei com uma feiticeira (por causa do nariz, claro) Casarão (lembro-me que a Elis Regina cantava "Fascinação" no genérico e aquilo era mesmo de fazer chorar as pedras...) [nota: a ordem é aleatória e tive de me esforçar muito, mas, entretanto, ainda podia acrescentar o Blackadder, com o Mister Bean a contracenar com o Dr. House, a Balada de Hill Street, que ficava mais ou menos no bairro da Bela Vista lá do sítio, ou o Detective Cantor, como é que me fui esquecer dessa?]
E ninguém parece muito preocupado com o assunto... Em 1976, sem nenhum assalto disponível ao virar da esquina, Sidney Lumet já tinha anunciado que a televisão nunca mais seria a mesma.