O semanário Sol, cujo director ainda há pouco jurava que nunca venderia nada além do seu próprio jornal, acaba de lançar uma edição de clássicos portugueses adaptados às crianças. Começo por esclarecer que não me move nenhum princípio contra adaptações e resumos (o que seria do A la recherche...). Estranhei, contudo, a adaptação d' Os Maias, e para mais logo a abrir. Mais estranhei a escolha do autor que levaria a cabo a tarefa: José Luís Peixoto. É que entre o crochet deste último e a inteligência de Eça, dava-me para vários cachecóis e ainda me sobrava lã.
Resta a pergunta: porquê Os Maias? Em que é que esta literatura adulta poderá interessar às crianças? Não será um bocado cedo para lhes falar do incesto, mesmo com educação sexual escolar?
Esticando a faixa etária: serão os jovens incapazes de ler Eça no original?
Verdade, verdadinha, o que me preocupa é o seguinte. Primeiro, e sobretudo, que não deixem as crianças em paz; segundo, que ao lerem Eça via Peixoto, acabem todas na idade adulta a elogiar Coelho, O Alquimista.