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15/10/22

EXPLIQUEM-ME A ESTRATÉGIA! EXPLIQUEM-ME A ESTRATÉGIA!

Ainda falam da incontinência verbal do Marcelo: em dois dias Joe Biden conseguiu insultar a Arábia Saudita e o Paquistão, este último classificado como «um dos países mais perigosos do mundo».

Eu sei que a diplomacia anda pela hora da morte, mas duvido que a estratégia do "orgulhosamente sós" venha a ter bons resultados (a não ser para Putin).
E daqui nada é Inverno.

12/10/22

ISTO ESTÁ A SER UM SUCESSO!

Humilharam-se, Biden e Macron, e envergonharam-nos (pelo menos a mim, envergonharam-me), apertando a mão ao mandante do assassínio e esquartejamento do corpo do jornalista Jamal Khashoggi.

Tudo em nome do petróleo que, neste caso, os direitos humanos ficavam para mais tarde e o Biden até foi bestialmente corajoso quando foi há umas semanas numa excursão à Arábia Saudita e olhou o Princípe nos olhos e lhe disse: "Olha, Mohammed, tenho-te a dizer não gostei nada que tivesses mandado cortar o Jamal aos bocadinhos!"

06/10/22

DE EÇA DE QUEIRÓS A URSULA VON DER LEYEN OU VICE-VERSA: E AINDA DIZEM QUE A LITERATURA NÃO SERVE PARA NADA

Em entrevista, a nossa Ursula repete que vamos no futuro ficar mais verdes e no presente que, se regularmos os valores do ar condicionado em dois graus, estamos safos (desta vez não referiu aquela coisa de trocarmos de electrodomésticos...). 

Com a proximidade do Inverno, tempera no entanto o optimismo. O título da entrevista é elucidativo: 

«UE pode enfrentar “situação difícil” no abastecimento de energia no Inverno»

Estava então a ler a nossa querida líder, quando me lembrei do Eça: C'est très grave!  C'est excessivement gravePartilho de «Os Maias»

«Chegara ao fim da rua do Alecrim quando viu o conde de Steinbroken que se dirigia ao Aterro, a pé, seguido da sua vitória a passo. Era a segunda vez que o diplomata fazia exercício depois do seu desgraçado ataque de entranhas. Mas não tinha já vestígios da doença: vinha todo rosado e loiro, muito sólido na sua sobrecasaca, e com uma bela rosa de chá na botoeira. Declarou mesmo a Carlos que estava «mais forrte». E não lamentava os sofrimentos, porque eles lhe tinham dado o meio de apreciar as simpatias que gozava em Lisboa.
Estava enternecido. Sobretudo o cuidado de S. M.  o augusto cuidado de S. M.  fizera-lhe melhor que «todos os drogues de boutique»! Realmente nunca as relações entre esses dois países, tão estreitamente aliados, Portugal e Finlândia, tinham sido «màs firmes, pur assi dizerre màs intimes, que durrante seu ataque de intestinais»!

Depois, travando do braço a Carlos, aludiu comovido ao oferecimento de Afonso da Maia, que pusera à sua disposição Sta. Olávia, para ele se restabelecer nesses ares fortes e limpos do Douro. Oh esse convite tocara-o au plus profond de son coeur. Mas, infelizmente, Sta. Olávia era longe, tão longe!... Tinha de se contentar com Sintra, de onde podia vir todas as semanas, uma, duas vezes, vigiar a Legação. C'était enuyeux, mais... A Europa estava num desses momentos de crise, em que homens de estado, diplomatas, não podiam afastar-se, gozar as menores férias. Precisavam estar ali, na brecha, observando, informando...

 C'est très grave, murmurou ele, parando, com um pavor vago no olhar azulado... C'est excessivement grave! (...)»

30/09/22

FOI VOCÊ QUEM PEDIU UMA SABOTAGEM?

Parece que no caso da sabotagem dos gasodutos Nord Stream propagandear que foram os russos os autores das marteladas já podia parecer um exagero, sobretudo depois de nos terem vendido que os russos andavam a bombardear-se deliberadamente a si próprios na central nuclear de Zaporizhia. Assim, a linguagem sobre as razões do sucedido tornou-se subitamente mais cautelosa. 

De qualquer forma, sobre este episódio, assim como sobre quase tudo o que diz respeito às notícias que nos chegam da guerra, ocorre-me apenas aquela frase da divertidíssima sitcom americana Soap: «Confused? You won't be, after this week's episode..."

E semanas e semanas de guerra é o que não parece faltar.



29/09/22

SABOTAGEM ENERGÉTICA: LÁ TEREMOS DE NOVO OS RUSSOS A BOMBARDEAR-SE A SI PRÓPRIOS

Inicialmente, as fugas de gás detectadas nos gasodutos foram aplaudidas pelos que se opõem a Putin. Por exemplo, o eurodeputado Radoslaw Sikorsk, marido de Anne Applebaum e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros polaco, agradeceria no Twitter aos EUA por terem lixado a canalização russa.

Entretanto instalou-se a confusão e a Ucrânia afinal veio acusar o  Kremlin de ser o responsável pela sabotagem,  a União Europeia, sem responsabilizar directamente a Rússia, diz que irá avançar com uma resposta "robusta" e a  NATO diz que vai investigar.

Quanto aos riscos para o ambiente, há quem já tenha compilado umas coisas, mas nada de pânico

Claro que tudo isto seria bem simples se toda esta gente seguisse o conselho de Mark Twain: «Em caso de dúvida, diga a verdade».



CRISE ENERGÉTICA: NA ESLOVÁQUIA, A ECONOMIA EM RISCO DE COLAPSAR

A Alemanha em recessão. A extrema-direita em ascensão. Há quem não queira ver, mas rima e é verdade.

Entretanto, o primeiro-ministro da Eslováquia, Eduard Heger, afirma que ou o país recebe milhões de ajuda de Bruxelas ou a economia nacional entra em colapaso.

O que nos vale, a nós europeus, é a magnificência dos nossos dirigentes que ainda têm mais umas CEM sanções guardadas na manga

Se pensarmos nas sanções ao regime de apartheid sul-africano que se estenderam entre 1962 e 1991 ainda teremos guerra por mais uns aninhos. Entretanto, que o Senhor abençoe e guarde os nossos queridos líderes!




07/09/22

AGORA A SÉRIO: OS EXTRATERRESTRES DEMORAM MUITO?

A nossa inefável querida Ursula teve mais uma ideia. Diz ela que a União Europeia deve promulgar regras obrigatórias que levem ao menor consumo de energia.

E o que propõe a senhora? Que o consumo de energia seja imperativamente diminuido entre as SEIS e as NOVE da manhã e entre as DEZANOVE e a MEIA-NOITE.
Como concluiu com lógica afiadíssima um amigo meu, «pode-se gastar energia quando não se estiver em casa».
Pessoalmente, só me lembrei daquela frase que alguém grafitou há anos numa parede junto ao aeroporto de Lisboa: «O Último a Sair que Apague a Luz!»

CRISE ENERGÉTICA: A QUERIDA URSULA DEVIA TOMAR MEMOFANTE E IR APANHAR LENHA PARA ABRANTES!

Ainda mal tinha começado a guerra e já a União Europeia anunciava em MARÇO a sua decisão de reduzir as importações de gás russo em DOIS TERÇOS até ao final de 2022.

Em MAIO, por sinal o meu mês, subia a parada e informava o mundo  a Rússia, incluída, naturalmente — que até 2030 cortaria COMPLETAMENTE todos os laços comerciais do sector energético com o antigo país dos Sovietes. O que, aliás, era muito bom, porque íamos ficar bestialmente verdes: "A nossa ambição subiu de nível", diria na altura a querida Ursula. 

A 3 JUNHO, um pacote de sanções da UE à Rússia incluía um embargo parcial ao petróleo russo e estipulava a proibição de importação por via marítima a partir de 5 de DEZEMBRO. Já para 2023 seriam proibidas as importações de todos os produtos petrolíferos a partir de 5 de FEVEREIRO. 

A 29 de JULHO, Josep Borrell, um amigo da Ursula tão ou mais inteligente do que ela, face às críticas que indicavam que a Rússia continuava a ganhar muito dinheiro no sector energético, ao contrário das previsões que tinham estado por trás da política de sanções, afirma: «Mais importante do que isso [cortar o gás] é cortar os laços da economia russa com o resto do mundo». E indo ainda mais longe, acrescentou: Vladimir Putin «terá de escolher entre ter armas e manteiga para o povo». 

Faço aqui um parênteses para relembrar que o que não falta nos manicómios é gente que se julga o Napoleão (que por acaso chegou à Rússia e teve de voltar para trás). 

Relembremos agora que  ainda era FEVEREIRO, 19  e a Ursula jurava que não precisávamos do gás russo para nada, que ninguém ia passar frio no Inverno e a indústria europeia continuaria a bombar.

Etc. Etc. Etc. que não quero ser maçadora...

Entretanto, com a mesma convicção e o mesmo cabelo armado, a 1 de AGOSTO (antes ou depois de ir de férias para a praia, não posso precisar) a nossa timoneira veio dizer-nos que devemos estar preparados para o pior: «Como a Rússia já cortou total ou parcialmente o fornecimento de gás a 12 países membros [da UE], todos nos devemos preparar para a pior situação». 

Sinto-me baralhada. Então, mas não era o que a UE queria e anunciou ao mundo (a Rússia incluída, naturalmente)? Deixar de importar, totalmente de preferência, e parcialmente de certeza, energia russa?!

Entretanto, a última ideia brilhante destes crânios que nos apascentam (ideia que vem de trás mas tinha sido posta de lado na altura...) é impor um tecto ao preço do gás russo.

Putin já comentou: «A Federação Russa cumprirá integralmente os contratos, mas não fornecerá petróleo, gás ou carvão em seu próprio prejuízo. Quem quer impor algo à Rússia no sector da energia não tem condições de impor nada. O tecto de preços é uma decisão absolutamente estúpida.»

Mais turbina, mais turbina (o que como se sabe faz diferença), é deprimente ter de reconhecer que a inteligência não está do nosso lado.