Se tivéssemos tido um pai com a profissão de talhante, a tarefa de olhar para trás, para o passado, ficaria muito facilitada. Bastaria enfileirar uma resma de chouriços e espreitar pelo buraco formado pelos enchidos.
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15/01/12
Da superioridade da literatura, enquanto arrumo na estante "O Colosso de Maroussi" de Henry Miller
«— You don’t have much use for politics?None whatever. I regard politics as a thoroughly foul, rotten world. We get nowhere through politics. It debases everything.
— Even political idealism of Orwell’s sort?
Especially that! The idealists in politics lack a sense of reality. And a politician must be a realist above all. These people with ideals and principles, they’re all at sea, in my opinion. One has to be a lowbrow, a bit of a murderer, to be a politician, ready and willing to see people sacrificed, slaughtered, for the sake of an idea, whether a good one or a bad one. I mean, those are the ones who flourish.»
08/03/11
A book a day keeps the doctor away: "Jerusalém Ida e Volta", Saul Bellow
Nunca a Saul Bellow (1915-2005) poderiam ser atribuídos os versos de Rimbaud: Par délicatesse/ J'ai perdu ma vie.Polemista, cinco casamentos e entrevistado temível, Bellow foi exuberante na ficção e nas ideias. Restará para sempre como autor do extraordinário Herzog, mas também da pergunta Quem é o Tolstoi dos Zulus? O Proust dos Papuas? Ficaria feliz por poder lê-los, sobre a qual se explicaria mais tarde, classificando o escândalo provocado pela sua inconveniência de jornalístico, dado a frase ter sido retiradado contexto... (Saul Bellow, como Karl Kraus, não era grande admirador de jornalistas).
Israel, por seu turno, não é tema que se chame para a mesa, a não ser que se queira correr o risco de azedar o jantar.
O resultado da combinação do homem e da sua circunstância (no caso, judeu americano em visita à cidade santa das três religiões monoteístas) deu origem a Jerusalém Ida e Volta, um título datado de 1976, já lá vão, portanto, 35 anos, sem que nada de substancial se tenha alterado.
Escreve Carlos Vaz Marques, no Prefácio, que se trata de um livro político. Certamente. Em Jerusalém seria impossível fugir a isso, além de que Bellow não é um viajante qualquer — o seu coração bate por Israel:
Está-se numa cidade como muitas outras — bem, não exactamente, pois das cidades antigas que já visitei Jerusalém é a única em que as antiguidades não são expostas como relíquias, mas têm um uso diário. Ainda assim, é uma cidade moderna com serviços modernos. Fazem-se compras em supermercados, diz-se bom-dia aos nossos amigos pelo telefone, ouvem-se orquestras sinfónicas na rádio. Mas, de repente, a música pára e dá-se a notícia de uma bomba terrorista. Mais uma explosão em frente de um café na Estrada de Jafa: seis jovens mortos e trinta e oito feridos. Angustiados, pousamos a nossa bebida civilizada. Apreensivos, vamos para o nosso jantar civilizado. Por todo o lado, explodem bombas. Em Londres, usou-se dinamite ainda há pouco tempo. A diferença está no facto de, quando explode uma bomba num restaurante do West End, não se pôr em causa o direito fundamental da Inglaterra à existência.”

Se a política é o fio condutor dos vários textos reunidos, o mais interessante é o enorme talento literário de Bellow a transpirar por todos os parágrafos. É difícil resistir a frases como: A polícia devia ser ‘politizada’ e transformada, na medida do possível, num braço paramilitar e guerrilheiro do governo revolucionário, que o escritor de Chicago remata com Isto é leninismo, puro, sem gelo nem aperitivos.
Como na ficção, também aqui Bellow se mostra capaz de acrobacias estonteantes, passando do tema mais árido ou elevado à comicidade mais livre e inesperada: O julgamento moral, um espectro na Europa, metamorfoseia-se num gigante vigoroso quando se fala de Israel ou dos palestinianos. (…) Como a Suíça está para as férias de Inverno e a costa da Dalmácia para o turismo de Verão, Israel e os palestinianos estão para a necessidade de justiça do Ocidente — são uma espécie de estância moral.
A sua discordância de Sartre — explanada com vigor e ironia — beberá muito dessa recusa em deixar-se levar pelo intelectualismo das ideias, fazendo questão de as chamar à terra. Ou como disse de forma definitiva Allan Bloom (que Bellow imortalizaria em Ravelstein, o seu último romance publicado no ano 2000), he has always understood that even if you are on your way from Becoming to Being, you still have to catch the train at Randolph Street.
O livro é, sobretudo, uma colecção de tipos impagáveis, personagens romanescas desenhadas com profundidade, verdade e compaixão (Philip Roth lembrou uma vez que os retratos do escritor estavam na linha de Rembrandt, uma comparação que vale pelo menos dois doutoramentos em Bellow).
Figuras públicas de topo como Teddy Kollek, presidente da Câmara de Jerusalém, Isaac Rabin, Henry Kissinger, Mahmud Abu Zuluf, editor do jornal árabe de maior tiragem em Jerusalém, etc., mas também John Auerbach, marinheiro kibbutznik que acaba de perder o filho, Moshe, massagista competente que gosta de conversar sobre literatura, Meyer Weisgal, octogenário e pioneiro sionista fundador do Instituto de Rehovoth, Dennis Silk, poeta cansado da guerra…

Enquanto se aguarda a tradução de Letters, compilação da correspondência de Bellow publicada no final do ano passado, este livro é um excelente aperitivo. O tema, dramático, não podia ser ao mesmo tempo mais literário, já que é a própria vida, com as suas contradições, paradoxos, crueldade, beleza, desordem e multiplicidade que se joga naquele pequeno pedaço de terra. Ou como se conta na anedota judaica: Deus guiou o povo eleito no deserto durante quarenta anos, para o conduzir ao único lugar do Médio Oriente onde não petróleo.
Alexandra, à data mulher de Bellow, acompanha-o na viagem. Não é judia e atravessa o livro discretamente, sem chegar de facto a entrar nele. Contudo, ainda a caminho de Jerusalém, o diálogo entre ela e o marido diz tudo sobre a tragicomédia do um conflito que teima em não se resolver.
No avião, a abarrotar de ruidosos hassidim, Alexandra comenta: — Eu gosto deles (…) São tão animados, tão infantis. — Viver com eles não te havia de parecer tão fácil (…) — Mas são tão joviais (…). Adoro aquela roupa. Não consegues arranjar um chapéu daqueles? São lindos. — Não sei se os vendem a gentios.
A vida e Bellow no seu melhor.
Tinta-da-China, 2011, trad. Raquel Moura
14/10/10
A book a day keeps the doctor away: "A Viagem dos Inocentes", Mark Twain
Faço minhas as palavras citadas na contracapa de A Viagem dos Inocentes: “Quando penso como fui enganado pelos livros de viagens sobre o Oriente, só me apetece comer um turista ao pequeno-almoço”.Atendendo a que a frase transcrita data de 1869, ou seja, de há 141 anos, a conclusão impõe-se e não é de índole optimista: apesar da invenção do Allgarve, não parece ter havido melhoras.
Falamos do autor de As Aventuras de Tom Sawyer, logo, não falamos de um qualquer. Nem sequer de uma viagem qualquer.
Do que se trata aqui é da narrativa do périplo pela Europa e pela Terra Santa de um grupo de americanos que parte para o Velho Mundo como quem parte para um piquenique. No caso, a bordo do USS Quaker City que zarpou de Nova Iorque a 8 de Junho de 1867 para regressar apenas seis meses depois.
Entre os passageiros, Mark Twain, pseudónimo de Samuel Langhorne Clemens, aquele a quem outro gigante, William Faulkner, classificaria como o “pai da literatura americana”. Paternidade à parte, Clemens é obrigatório.
O livro, a sua real estreia literária (descontados uns contos anteriores), regista, à maneira de um diário de bordo, as aventuras e desventuras do grupo de inocentes peregrinos que, desta vez, rumam em sentido contrário (no original, “The Innocents Abroad, or The New Pilgrims' Progress”, numa referência explícita aos primeiros europeus a desembarcarem na América).
O livro, a sua real estreia literária (descontados uns contos anteriores), regista, à maneira de um diário de bordo, as aventuras e desventuras do grupo de inocentes peregrinos que, desta vez, rumam em sentido contrário (no original, “The Innocents Abroad, or The New Pilgrims' Progress”, numa referência explícita aos primeiros europeus a desembarcarem na América).
O humor de Twain não perdoa. O Velho Mundo é passado a pente fino (e disso são exemplo as notas sobre os Açores), mas os excursionistas também não escapam: “Estamos acampados perto de Temnin-el-Foka, um nome que os rapazes simplificaram consideravelmente para facilitar a pronúncia. Chamam-lhe Jacksonville. Soa um pouco estranho, aqui no vale do Líbano, mas tem a vantagem de ser mais fácil de decorar (…)”.
E que melhor forma de assinalar os 100 anos da morte de Mark Twain do que a publicação (ainda por cima pela mão da editora com os livros mais bonitos do país...) desta deliciosa viagem inédita em Portugal?
A Viagem dos Inocentes, Mark Twain, Tinta-da-China, 2010, trad. Margarida Vale de Gato
23/06/10
Especial clientes insones da Pastelaria: How to sleep
... enquanto me preparo para ler os "Ensaios Humorísticos" do mesmo Robert Benchley, acabadinhos de editar pela Tinta-da-China.
05/05/10
A book a day keeps the doctor away: "Nova Iorque", Brendan Behan
Imagine-se um combate de boxe transposto para o papel. Imagine-se o saltitar rápido dos pés, o bailado das mãos, os golpes assestados no adversário. Traduza-se isso em palavras, frases, parágrafos, episódios curtos e velozes. Se conseguirmos imaginar isso, ficaremos com uma pequena ideia do que é Nova Iorque, o livro de Brendan Behan que em abençoada hora Carlos Vaz Marques leu e a Tinta da China editou.Brendan Behan (1923-1964), irlandês daquela colheita que deu bêbedos famosos e escritores extraordinários, é um ficcionista das margens, dos que além de ficcionistas foram aventureiros, marinheiros e trapaceiros, provando de tudo o que a vida tinha para lhes ensinar... antes de terem sido inventadas as escolas de escrita criativa.
Filho de uma família pobre de republicanos, mais tarde membro do IRA, decidiu-se pela militância nas letras durante um dos seus périplos pelas prisões britânicas. Foi poeta, dramaturgo, memorialista e contista. Apesar do relativo sucesso junto do público e da crítica que conheceu em vida (ou também por isso), o alcoolismo acabaria por vencê-lo precocemente, aos 41 anos.
Nova Iorque, o título agora editado entre nós, é uma viagem literária electrizante por uma cidade eléctrica e insone esgalhada a um ritmo de nos deixar sem fôlego.
Com prefácio curto de Enrique Vila-Matas, as memórias expressas no livro organizam-se de modo algo caótico e errático (o que é uma virtude), traduzindo-se numa torrente de pequenas histórias. Quanto ao humor, esse é a rodos.
Nova Iorque transporta-nos a lugares (bares) onde nunca entraremos mas que, como escreve Vila-Matas, nos deixam (inexplicavelmente) cheios de saudades, e apresenta-nos a personagens com quem (maioritariamente) também gostaríamos de ter tomado um copo.
Talvez o livro de Brendan Behan seja sobre uma cidade (e uma Irlanda...) que já não existe (embora muitos dos lugares de que ele fala ainda existam — incluindo o Hotel Chelsea, onde Nova Iorque foi escrito). Apesar disso, sabe-se, a big apple continua a ser um dos locais mais fascinantes do mundo. E isso também se deve de certeza ao facto de ter acolhido gente como Brendan Behan, capaz de escrever assim: «Não há nada que me irrite mais do que essas pessoas que tentam rotular gerações de escritores, como se toda a escrita fosse produzida numa maternidade. Por amor de Deus, os escritores não vêm em gerações.
Alguém me perguntou certa vez se eu era um escritor da classe operária. Ora, sem dúvida que é essa a minha origem, mas não me considero um escritor da classe operária, nem um escritor irlandês, nem de nenhuma outra seita em concreto. Considero-me apenas um escritor.
— Vá perguntar a Evelyn Waugh se ele é um escritor da classe média — respondi — Se ele disser que sim, então eu serei um escritor da classe operária.
Tenho o maior respeito pela prosa do Sr. Waugh, apesar das suas manias, das suas cartolas, dos seus coletes de cetim e dos seus enormes auscultadores. Tenho a certeza de que poderia comprar uns mais pequenos, mas prefere não o fazer. Ainda assim, é um escritor maravilhoso. Não conheço ninguém, além de Waugh, que pudesse ter escrito uma frase assim: "O seu queixo era tão proeminente que, quando comia, as migalhas que lhe caíam dos lábios não ficavam irremediavelmente perdidas."
(...)
O famoso actor irlandês Michael MacLiammoir escreveu em tempos num jornal que era uma pena os escritores irlandeses não serem mais unidos. Referia-se a mim e a Samuel Beckett, um querido e velho amigo meu e um extraordinário dramaturgo. Não sei de que tratam as suas peças, mas sei que gosto delas. Não sei como será nadar em pleno oceano, mas sei que gosto. Gosto da sensação da água a fluir em mim.
Não percebo por que motivo os escritores têm de ser unidos, tal como não vejo motivos para os canalizadores ou os banqueiros serem unidos.
O Padre Tom Fox, autor de vários documentos excelentes, apesar de um pecador como eu os considerar por vezes um pouco deprimentes, disse-me que a única coisa que detestava num restaurante era quando o sentavam ao lado de outro padre.
Mas os escritores são unidos no sentido em que costumam apreciar a companhia uns dos outros, já que muitas vezes sentem que os outros escritores são as únicas pessoas com quem vale a pena discutirem o seu trabalho. A não ser que tenhamos em conta a questão do dinheiro, claro. Como dizia o Dr. Johnson, um homem que escreva e que não o faça por dinheiro é uma besta quadrada.»
Disto já não há!
Nova Iorque, Brendan Behan, Tinta-da-China, 2010
*uma versão mais curta deste texto foi publicada no semanário Expresso
27/04/10
Como os temas fracturantes me aborrecem um bocadinho e de momento não estou virada para o Lenine nem para a Comissão de Ética tomem lá o Brendan Behan
"Não faz sentido falar de homossexualidade como se fosse uma doença. Já vi pessoas com homossexualidade, tal como já vi pessoas com tuberculose, e não há qualquer tipo de semelhança.A minha atitude em relação à homossexualidade é muito semelhante àquela mulher que, aquando do julgamento de Oscar Wilder, disse que não se importava com o que faziam, desde que não o fizessem na rua e não assustassem os cavalos."
in Nova Iorque, ed. Tinta da China
23/02/10
Por contraste com gente estúpida, cite-se um ser inteligente
Sir Stanford Raffles, em 1819, teve toda a razão em escolher Singapura como base da Companhia das Índias. Quem quisesse navegar para Sudeste evitando as monções tinha de passar por ali. A situação geogáfica de Singapura era a sua riqueza. Ainda hoje assim é, por isso Singapura é uma das grandes encruzilhadas marítimas do mundo. Um encruzilhada muito vulnerável, porém.Bastaria abrir um canal no ponto mais estreito da península malaia, o istmo de Kra, para permitir poupar centenas de milhas marítimas a todos os navios que se dirigem da Europa para a Tailândia, Indochina, Filipinas, China, Japão e vice-versa. Com esse canal, de que se ouve falar de vez em quando, Singapura seria posta de parte e depressa se tornaria uma cidade morta, como as que cresceram e finaram no âmbito da corrida ao ouro, na América.
Lee Kuan Yew e os seus homens sabem disso e estão já a reciclar Singapura, a prepará-la para o seu novo papel, o de capital informática da Ásia, na realidade a primeira «cidade inteligente» integrada do mundo.
Singapura já hoje é a cidade com mais rôbots per capita do mundo, um dos locais mais informatizados da região e com o mais elevado conhecimento informático da população. Por toda a parte há computadores e em todo o lado se fazem cursos para aprender a usá-los. Desta forma, nesta ilha onde o materialismo grassa e onde o dinheiro já é o único critério de sucesso e moralidade, surge mais um factor de mesquinhez: a lógica binária dessas máquinas que estão a mudar não só o modo como as pessoas trabalham, mas também como pensam.
«Isto é o futuro», ouvia repetir em Singapura e deprimia-me terrivelmente a ideia de que pudesse ser não só o futuro de Singapura mas também o de milhões de outros asiáticos. E se calhar também o nosso.
Antigamente nas escolas - nas de Singapura também - ensinava-se a pensar. Agora ensina-se sobretudo a programar. Mas o que é que acontece a uma sociedade que cresce assim, sem o distinguo, apenas com a lógica do «sim» e do «não» dos computadores? O que é que acontece na cabeça das crianças que crescem com a impressão de que há solução para todos os problemas e que tudo é, quanto muito, uma questão de software?
Singapura metia-me medo porque em grande parte já funciona assim. O Estado é o computador e a sociedade é regulada, tal como a temperatura, por uma espécie de termóstato electrónico. Observa-se que os filhos dos intelectuais têm um quociente de inteligência mais elevado do que os outros? Então encorajam-se a procriar sobretudo os docentes universitários. Observa-se que os jovens não se casam em número suficiente? O Estado cria uma unidade especial de expansão social que organiza cruzeiros e bailes para facilitar as uniões.
Um dia descobre-se que esta cidade rica e moderna é enfadonha, sem cultura e sem arte? Vai-se buscar um general ao exército e faz-se dele ministro. Ele se encarregará de dar ordens para que a cultura e as artes floresçam.
(...)
in Disse-me um Adivinho, Tiziano Terzani, Tinta-da-China, 2009
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