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29/11/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Outras guerras: a vitória dos “espetadores”»

 

06/09/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Cronicando»

«(...) Voltando à mexida no gerúndio. Problema menor, se não mesmo inexistente (como reconhece, aliás, o jornalista e escritor brasileiro Sérgio Rodrigues na sua entrevista ao Expresso de 24 de Agosto), inexistente e insuficiente para encobrir a carrada de problemas reais que enfrenta a língua em Portugal.

15/03/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «OS Deploráveis»

«(...) Há, claro, que recuar ao ALLgarve de Manuel de Pinho, essa memorável personagem da nossa história recente, perito em Almeida Garrett e em cães. É dele a frase: “Às vezes esquecemos que o cão do Presidente Obama é um cão algarvio”, embora sabendo-se que o bicho tinha nascido no Texas.

16/12/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «É A VIDA»

 «... Um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (sublinho: do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e não do Episcopado Católico Português…) levanta pertinentes e fundamentadas questões [no que respeita aos projectos-lei sobre a morte medicamente assistida]. (...)

 Terminada a leitura do parecer (parecer 116, [respeitante aos projectos-lei sobre a morte medicamente assistida] disponível online no site do CNECV), ressurge a atanazar-me, qual mãe de Woody Allen no céu de Nova Iorque, o debate sobre o famigerado Acordo Ortográfico que resultou na sua aprovação pelos deputados da República — apesar de todos os sinais de alarme e críticas devidamente sustentadas e especializadas —, teimosia cingida por um clima insuflado de fanatismo em que os críticos da decapitação a eito das consoantes mudas eram acusados de conservadorismo serôdio e mimoseados com a invectiva de “Cambada de Velhos do Restelo!”, enquanto os seus defensores brandiam o antigo PH de farmácia (desprezando o facto do antigo PH, lendo-se F, em nada alterar a fonética…) com a mesma exaltação com que se imagina os antigos Cruzados branderiam a cruz de Cristo. Tristezas! (...)»

02/12/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «E A MELANCOLIA TOMOU CONTA DA CRONISTA»

«... Embora não existam livrarias seja qual for o ponto cardeal para onde me vire, vou mantendo contacto com os livros. Confesso que a maioria me deixa indiferente. E sim, não são poucas as vezes que sinto pena das árvores.

O sentimentalismo, dissimulado por uma carreira literária – seja isso o que for –, ou visivelmente primário – ambos abertamente mercantis – convoca Baudelaire que, a propósito do processo movido a Les Fleurs du mal, corria o ano de 1857 – há quanto tempo! – concluía que só se devem escrever livros virtuosos e com finais felizes.

E perdoar-me-á o leitor desta crónica a falta de actualidade da mesma. Quem diz actualidade, diz foco, palavra ainda assim mais aceitável do que “focalização”.

Claro que temas não faltam. O Qatar continua na ordem do dia. Têm sucedido revoltas na China, com os chineses a fartarem-se – apesar da sua renomada e milenar paciência – da política de Covid Zero, fora o resto. António Lobo Antunes publicou recentemente um novo romance (ainda não li). Evidentemente, há o tema intemporal do Acordo Ortográfico que veio esfrangalhar de tal maneira a língua que o português de Portugal corre o sério risco de se vir a transformar numa versão abastardada – e sem graça – do português do Brasil.

Se eu tivesse um décimo do talento de Eça de Queirós, já teria inventado, ou reinventado, um bei de Tunes. Afinal, não há cronista que um dia, pela manhã, não sonhe em ouvir bater-lhe à porta o bei de Tunes. (...)» 

16/07/22

GRANDE MULHER! FALO DE MARIA DO CARMO VIEIRA

 «(...) Por infelicidade, anda o poeta Luís de Camões na voz de quem, sem talento e sem estudo, mas também sem compaixão, o menciona, em discursos oficiais, usando-o, agora também, a propósito do acordo ortográfico, ao mesmo tempo que o aviltam porque, na verdade, nunca o leram, nem alguma vez compreenderam o significado da sua obra. Augusto Santos Silva, actual Presidente da AR (e na mira talvez do salto para uma Presidência da República), sendo ministro dos Negócios Estrangeiros, sob cuja tutela se encontra o Instituto Camões, referiu, no intuito de justificar o acordo ortográfico, “não pertencer ao grupo que apelida o português de língua de Camões”, preferindo dizer língua de Pepetela, de Mia Couto ou de Clarisse Lispector. Não merecia Luís de Camões tanto desprezo, mas está na natureza dos que, sem descanso, lutam por se manter sempre em bicos-dos-pés. Cansativo, mas compensador.

O certo é que o ministro da Cultura não deixou também de mencionar o poeta, em Maio p.p., em Angola, e transcreverei as suas palavras, como um portentoso exemplo da ignorância reinante e do uso que se faz da política, servindo-me de novo da crónica do jornalista Nuno Pacheco: “Temos sempre uma língua viva, dizemos que é a língua de Luís de Camões. O português que falamos hoje tem muito pouco a ver com o que era falado por Luís de Camões, a ortografia d’ Os Lusíadas tem aspectos que não são os que nós consideramos a norma.”

Teria sido oportuno que Adão e Silva continuasse a sua explicação colegial sobre a língua de Camões, desenvolvendo também os tais “aspectos” a que se refere. Ficou-se contente por ali, certo de ter feito boa figura e compreendido o recado há muito recebido (é assim o contágio) de Augusto Santos Silva de quem a anterior ministra da Cultura também tinha medo a ponto de titubear o paradoxal: não ser o AO uma matéria do seu ministério. E para fechar o ramalhete, lembrar que João Costa também não nutre grande afeição por Luís de Camões. Na reforma de 2003, juntamente com a Associação de Professores de Português (APP), apoiou a saída de toda a Literatura dos programas de Português, excepção feita para os alunos que seguiriam Humanidades, o que felizmente não aconteceu devido à polémica suscitada.

A Literatura acabou, no entanto, por ceder o lugar “à competência da comunicação” e à “funcionalidade da Língua”, preconizando-se por isso “uma simplificação dos conteúdos literários”. E assim, no Programa de Português do 10.º ano, fomos surpreendidos com a sugestão da “leitura de dois ou três sonetos de Luís de Camões”, “escolhidos de entre os melhores” (sic), com a preocupação de que os mesmos se incluíssem em “textos de carácter autobiográfico”. Foi ainda João Costa, inventor da TLEBS (nunca é demais dizê-lo) e acérrimo defensor do “funcional”, do “real” e do presente, quem defendeu, na Gulbenkian e na televisão, que os professores não deveriam “perder tempo a contextualizar um autor e a sua obra”, perguntando jocosamente de que serviria aos alunos “saber que um escritor nascera em Freixo-De-Espada-À-Cinta”? (...)»

26/03/22

GUERRA NA UCRÂNIA: NÃO BASTA O PUTIN, AINDA TEMOS QUE LEVAR COM A "DECEÇÃO" DE JOE BIDEN?

Ele queria entrar, mas não o deixaram. Naquele português incompreensível que os inteligentes deputados deste país nos impuseram, ele ficou "dececionado".

Em que momento é que o mundo se transformou num jardim-escola é que eu gostava de saber. Não, entre o Acordo Ortográfico e a infantilização das mentes que está na origem de uma guerra sem sentido transformada num espectáculo televisivo sem fim à vista há mais proximidade do que a nossa filosofia alcança. 

«"Estou aqui, na Polónia, para avaliar a situação humanitária e, fracamente, parte da minha deceção deve-se ao facto de não poder vê-lo em primeira mão como sucedeu em outros lugares", afirmou Biden durante uma reunião centrada na ajuda humanitária aos refugiados ucranianos. (...) "Parece ficção científica, ligar a televisão e ver como estão algumas destas cidades", afirmou [Biden]». 

E ainda falam do Marcelo!

01/02/22

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «MENTES SIMPLEX»

«Com o caos instalado, conclui-se que a maioria (PAN, IL, CDS, PSD…) diz querer avaliar o Acordo. Não deveria ser antes avaliarem-se?

À esquerda, António Costa, oracular, afirma que o AO “deve fazer o seu caminho”. Catarina Martins afirma que o “Acordo prevê, ele próprio, que haja estudos e revisões ao longo do tempo, e, portanto, se algum de nós estiver a dizer que não quer essa revisão, está a dizer que não quer o próprio Acordo”, raciocínio algo bizantino que, além de assentar numa falsidade (nada no Acordo prevê aquilo de que a deputada fala), denuncia alguma ignorância sobre o funcionamento da língua: afinal a ortografia não é como o PIB que, habitualmente, muda todos os anos. Rui Tavares afirma que o que importa é a coerência, sendo por isso muito importante o Acordo, melhorado ou não, enquanto contributo para a promoção da língua portuguesa lá fora (este desígnio promocional assente na uniformização, como toda a gente sabe, também tirou em tempos o sono aos ingleses e espanhóis: os primeiros conseguiram que shit se tornasse universal nos territórios de Sua Majestade; já os segundos tentaram, sem sucesso, impor a interjeição coño à totalidade do mundo hispânico). »

O RESTO AQUI

06/06/13

Então o Acordo serve para quê, afinal?

Segundo o Gabinete do Ministro da Educação, Nuno Crato foi mal interpretado numa entrevista que deu à revista "Veja" porque "há expressões no português do Brasil que não coincidem com o português usado em Portugal."

Ainda bem que existe o Acordo Ortográfico que unificou a língua porque se não existisse ainda acontecia ao Nuno Crato o que me aconteceu uma vez no Rio de Janeiro. Perguntei à passageira do lado do autocarro (ônibus) se faltava muito para a paragem onde queria sair e ela respondeu-me em inglês: What?!

Visto aqui

27/04/13

Deste Pensamento Filosófico Português não tens tu, João Lisboa. E com nova ortografia e tudo!

EXCERTOS AO CALHAS

"Se nos planos das abordagens científica e filosófico-política estão amplamente identificadas as diversas disfunções dos modelos de organização política, económica e social que estão na origem de (ou que influenciam) atrasos ao desenvolvimento e ao progresso das sociedades, com particular enfoque para as discriminações patenteadas na organização das sociedades, a verdade é que o ritmo da efetivação das correções proclamadas não acompanha de forma satisfatória a evolução filosófico-política, científica e, até, em certa medida cultural sobre a matéria."

"Neste enquadramento, sobrevindo ainda a responsabilidade de diálogo e de rememoração intergeracional que nos incumbe, assumindo que os projetos e discursos políticos e de cidadania, seja sobre questões humanas e sociais, seja sobre questões de macroeconomia, que dominam no contexto atual, devem evidenciar que as políticas corporalizadas por assimilação das perspetivas implícitas à diversidade são um fator determinante para o progresso humano, político, económico e social das sociedades."

DAQUI

A partir daqui e daqui.