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23/10/11

A voz do dono ou de como o Luís M. Jorge topa o Ricardo Salgado

As notícias são tantas e tamanhas que o efeito é estonteante. Subsídios? Viste-los. Aumentos salariais? Queria-los. Direitos adquiridos? Esquece-los. Impostos? Paga-los. Estado social? Bye, bye, Maria Alice.
Resumindo, é que éramos muito pobres: emprestaram-nos dinheiro e o dinheiro, puff!
Numa primeira fase, em betão e monumentos; depois em betão e monumentos + novas tecnologias (Magalhães – de fazerem inveja a Steve Jobs –; painéis solares – adaptados a céu nublado, chuva e até à “noite muito escura” de Caeiro).
A agricultura (que era o que era) foi-se, a indústria (que era o que era) kaputt; as pescas, idem. Passámos do Algarve ao Allgarve; de Jardim à Beira-Mar Plantado à Europe's West Coast. No entretanto, baixou-se o analfabetismo, a mortalidade infantil e legalizou-se o casamento gay. Citando Sholem Aleichem, “Podia ter sido pior; e não se pense no melhor que para isso não há limites”.
Dizem-nos agora que falimos. Sempre abominei a ditadura do “nós” (“estamos com fome, não estamos?”; “estamos com frio, não estamos?”; “vamos tomar um banhinho, não vamos?”…) mas se é para ser usado, seja: “We are not amused” (Victoria dixit).
Conta-se n' As Farpas que a solução para os problemas de Portugal do Partido Reformista se resumia ao polissílabo, economias. A história repete-se, como afiançava o outro.
A palavra é papagueada de manhã à noite e madrugada fora. Como a mãe ubíqua de Woody Allen em Histórias de Nova Iorque, desenha-se no céu de Portugal e ilhas adjacentes (Madeira, inclusive).
O efeito é devastador. Os portugueses, excepto os contabilistas, já não saem de casa. No outro dia, porém, um cidadão de nome Luís M. Jorge arriscou pôr o pé na rua. Foi, então, que viu Ricardo Salgado a entrar no edifício onde decorria o Conselho de Ministros! Corajosamente denunciou a coisa no blogue Vida Breve: “Um Governo que recebe a família Espírito Santo enquanto discute o Orçamento de Estado é um Governo que reconhece, tão bem como o anterior, a voz do dono. E se eu puder chatear, que remédio”.
So be it.

11/10/10

Allô! Allô! Vem aí o amigo do Sócrates que por sua vez é muito amigo da China, não confundir com a Cinha

Como é sabido, algum tempo antes das famigeradas semanas que fizeram o mundo mudar para xuxu, o engenheiro José Sócrates andou pela Venezuela a vender Magalhães inquebráveis.
Parece que Chávez ficou convencido da qualidade do produto e aceitou vir agradecer pessoalmente ao nosso Primeiro.
A visita a Portugal está anunciada para as próximas semanas e faz parte de um pacote que também contempla a Rússia, a Bielorússia e o Irão (tudo gente altamente recomendável).
No entretanto, quer dizer, enquanto Chávez não chega nem o orçamento se orçamenta, o prémio nobel da paz foi atribuído a Liu Xiaobo.
Naquele estilo que faz Alberto João Jardim parecer um menino de coro, o venezuelano pronunciou-se sobre a decisão norueguesa no seu programa dominical "Allô Presidente": O governo chinês, fazendo uso de sua independência e soberania, reclama pelo prémio a esse senhor que está preso lá. Acontece que deram o Nobel a um cidadão dissidente e contra-revolucionário chinês, que está preso na China certamente por violar as leis da China.
E rematou: Aqui vai a nossa saudação, a nossa solidariedade ao governo chinês. Viva a China!
E agora se me permitem remato eu: Viva o Magalhães! Viva o José Sócrates! Viva o MRPP! Et Vive la Suisse Libre!

09/12/09

Os visionários não nos dão descanso ― ainda o Magalhães e as desgraçadas das crianças

A introdução de computadores na sala de aulas das primárias causa-me arrepios e não é gripe.
Deixem-me ser completa e assumidamente retrógrada: eu sou pelos cadernos sem argolas, pelos lápis, plasticinas, barro, batuques, papel cenário e cartolina, tabuadas e muitas cópias. Acho que as escolas deviam ter hortas, caixas de sapatos com bichos-da-seda, bibliotecas sem livros chatos, mini-laboratórios, salas de música, recreios com árvores e baloiços e, talvez seja pedir muito mas enfim, um burro financiado pela Comunidade Europeia ― sempre se lhe dava uso e não me refiro ao jumento.
E, não, não sou especialista em qualquer ramo pedagógico ou similares.
Estou firmemente convencida que o uso precoce de computadores não só não servirá para nada em termos estritamente gnosiológicos mas também aumentará o número de neuroses prematuras – para não falar da obesidade infantil que tantos teimam em varrer para debaixo do tapete da cadeia McDonald’s.
A WEB será a grande invenção dos humanos depois da roda mas, anterior à roda e à WEB está certamente a nossa origem cósmica, misticismos aparte. Afinal, como dizia o outro que era sábio, somos filhos das estrelas e do carbono 14. Não da Intel, num acrescento meu.
Vem esta reaccionária prosa a propósito das declarações de um tal José Dias Coelho, presidente de uma tal Associação para a Promoção da Sociedade da Informação, que, não contente com a distribuição de Magalhães a crianças que ainda ontem usavam chucha, afirma com todos os dentes da boca que “é fundamental garantir o total alinhamento dos projectos educativos com o computador Magalhães”.
E diz mais, o visionário. Sentencia Coelho que a dita infra-estrutura (o novo Santo Graal dos info-deslumbrados promovido pela Sá Couto) devia ser integrada nas “comunidades locais, desporto, clubes, cultura e escuteiros, inclusivamente, de modo a colocar um verdadeiro impacto na educação e transformação da criança”.
Colocar impacto e ainda por cima verdadeiro? Transformação da criança?!!! Escuteiros?!!! Que nos salve depressa o burro dos 27 ― sempre se lhe dá algum uso e não me refiro ao jumento.

22/05/09

Detesto repetir-me mas com ou sem acordo ortográfico ainda há uma coisa chamada língua portuguesa

"No computador Magalhães (como é frequente na maioria dos computadores que se adquirem) trás consigo um amplo conjunto de software e aplicações."
[frase retirada de página do Ministério da Educação obscuramente intitulada Workshop "e-escolinha": usar as TIC no 1º ciclo... e é verdade que as coisas em "inha" sempre me irritaram]
Não sei se já reviram as asneiras do Magalhães, mas as citadas acima continuam online [estas e mais aqui, a partir daqui].

15/05/09

Ainda o Magalhães mas sem música

Alguém reparou que, enquanto a Comissão Europeia multa a Intel, cá no burgo a JP Sá Couto cresceu mais de 3000% com o Magalhães, computador que, por acaso, é uma versão do Classmate da Intel?
O projecto nascera na cabeça de Nicholas Negroponte e chamava-se OLPC. Depois a Intel abarbatou-se com a ideia e pô-la a render com o nome de Classmate PC. Em Portugal, uma empresa chamada JP Sá Couto, por acaso acusada de fraude e fuga ao IVA, juntou-se à Intel e traduziu a ideia para português chamando-lhe Magalhães. Um primeiro-ministro engenheiro juntou o Estado ao negócio e foi ainda mais longe baptizando a ideia [de Negroponte, recorde-se] de "ibero-americana".
No entretanto, a JP Sá Couto subiu as vendas em três mil por cento. E, no entretanto também, a Intel é multada em mais de um milhão de euros (a maior multa alguma vez aplicada pela União Europeia) devido às suas práticas monopolistas.
No meio disto tudo, há uns empreendedores menos ambiciosos do que os irmãos Sá Couto que tentam fazer dinheiro com o Magalhães, surripiando-os às criancinhas e vendendo-os nas Feiras da Ladra. E esta é, obviamente, a parte cómica da coisa. Mas quem é que, em época tão absolutamente desengraçada, ainda consegue achar graça aos Feios, Porcos e Maus?

23/02/09

Courbet: se alguém lhes conta das poucas-vergonhas do Louvre, ainda se vão masturbar para lá!

No mesmo dia em que se soube que um tipo que tentou subornar um vereador com 200 mil euros foi condenado a pagar 5 mil e vai com deus, e passados três ou quatro de uma juíza do Ministério Público ter decretado que com o Magalhães não se brinca, nem mesmo no Carnaval, para depois vir esclarecer que afinal estava a brincar, em Braga ― onde pontifica um senhor que enriqueceu por obra do Espírito Santo, entidade, aliás, que tem por lá muitos adeptos, membros daquela igreja que considera a homossexualidade anti-natura mas depois acha normal que a cura da Guilhermina, que se queimou com óleo quando estava a fritar peixe, tenha ficado a dever-se à intervenção milagrosa do nosso D. Nuno Álvares Pereira, opinião partilhada, presume-se, pelo actual presidente que também crerá que o Santo, vários séculos passados depois da última vez que foi visto, ainda está em condições de exercer oftalmologia ― em Braga, dizia, quem se lixou foi o Courbet.
A PSP local chegou, abriu a boca perante aquele nu despudorado e pornográfico… e toca a apreender os livros que reproduziam o quadro. Se alguém lhes conta das poucas-vergonhas do Louvre, ainda se vão masturbar para lá!

20/02/09

Aposto três arrobas de bolas-de-berlim em como a senhora delegada do 1º juízo é amiga da Margarida Moreira

Portugal é um país de grandes tradições onde sempre houve mais papistas do que papas. A portaria na imagem data de 1953 e aplicava-se a Lisboa. Não sei se senhora que fez a queixa em Torres Vedras, mais a senhora que a levou a sério, seriam nascidas na altura. Mas apesar do avanço da ciência, é inegável que há coisas que nos ficam no sangue vá lá a gente perceber como e porquê.

[reproduzo apenas a parte dedicada às multas, sublime ensaio de eufemística:

Mão na mão - 2$50

Mão naquilo - 15$00

Aquilo na mão - 30$00

Aquilo naquilo - 50$00

Aquilo atrás daquilo - 100$00

Parágrafo único - Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado]

Portaria camarária nº 69. (OLÁ!) 035 gamada aqui

16/02/09

(1.) Gostar de [alguns] homens: e como eu gosto deste!

La démocratie, ce n’est pas la loi de la majorité, mais la protection de la minorité, Albert Camus.
E vem isto a propósito da unanimidade socrática do PS e também deste comentário de Nuno Ramos de Almeida no 5 Dias, sobre os que se esqueceram de consagrar o grande líder: Acho que parte dos que não votaram estava a fazer compras em Alcochete.
Agora só nos faltam os resultados do Chávez para o mundo se confirmar redondo como o sabia o Magalhães (sim, esse em que estão a pensar...)