E já que temos que levar com o Natal... Conta a versão tradicional da lenda que Judas Iscariotes vendeu Jesus por 30 moedas. Quanto a Pilatos [e não Pilates, o homem da ginástica pós-sueca, como bem notou JL (ver comentários a este post)], limitou-se a lavar as mãos. Sócrates não precisou de as lavar porque, em público, nunca as suas extermidades roçaram de um só dedinho que fosse as manápulas de Mugabe. João Gomes Cravinho aceitou fazer o trabalho sujo, o que deu origem à situação caricata de vermos chefes de Estado de países aos quais, afinal, se reconhece toda a legitimidade do mundo, serem recebidos oficialmente como pretos de terceira: não por um igual, nem sequer pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, mas por um secretário de Estado que, muito à-vontade no seu papel de porteiro, deglutia croquetes nos intervalos [supõe-se que previamente visionados pela ASAE].
Em privado, claro, Sócrates não escapou ao castigo. Mas, repare-se: sem registo de imagem. E como bem sabia Estaline, quando mandava retocar os retratos, se não há registo... é porque nunca existiu. Se isto não é viver com brilhantismo da imagem, expliquem-me o que é viver da imagem.
Futilidades propagandísticas, dir-se-á, se comparadas com a situação verdadeiramente negra que se vive em África [não resiti ao trocadilho óbvio]. Não desesperemos: a Europa decidiu, já não era sem tempo, ocupar-se do assunto, mesmo se com alguns percalços pelo meio. Porque houve quem, indiferente ao estalar do verniz multirracial, abandonasse a Cimeira declarando que “África não está à venda”. Ou seja, e como diria o velho Marx, no fundo, no fundo, confirmou-se que money makes the world go around.
Quanto aos direitos humanos, já deles se tinha ocupado com grande firmeza o escocês Gordon Brown que mandou a Lisboa, em seu lugar, Valerie Ann Amos, Baroness Amos (of Brondesbury), uma baronesa de pele negra que assim como chegou partiu. E se isto não é perverso, expliquem-me o que é perverso.
Mas o nosso Durão Barroso também esteve bem: «If you are an international leader, then you are going to have to be prepared to meet some people your mother would not like you to meet. That is what we have to do from time to time».
Futilidades propagandísticas, dir-se-á, se comparadas com a situação verdadeiramente negra que se vive em África [não resiti ao trocadilho óbvio]. Não desesperemos: a Europa decidiu, já não era sem tempo, ocupar-se do assunto, mesmo se com alguns percalços pelo meio. Porque houve quem, indiferente ao estalar do verniz multirracial, abandonasse a Cimeira declarando que “África não está à venda”. Ou seja, e como diria o velho Marx, no fundo, no fundo, confirmou-se que money makes the world go around.
Quanto aos direitos humanos, já deles se tinha ocupado com grande firmeza o escocês Gordon Brown que mandou a Lisboa, em seu lugar, Valerie Ann Amos, Baroness Amos (of Brondesbury), uma baronesa de pele negra que assim como chegou partiu. E se isto não é perverso, expliquem-me o que é perverso.
Mas o nosso Durão Barroso também esteve bem: «If you are an international leader, then you are going to have to be prepared to meet some people your mother would not like you to meet. That is what we have to do from time to time».
Deduz-se que não estaria a referir-se a esse farol da democracia e da verticalidade, o engenheiro do petróleo José Eduardo dos Santos, de quem já foi hóspede oficial... Mas fosse quem fosse o alvo da aversão materna, se isto não é uma frase digna de um international leader, expliquem-me o que é um international leader.
Sem merdas freudianas, The Economist foi directo ao ponto: «For the Europeans are worried that they are losing both trade and clout on a continent that they used to regard as their own backyard. Over the past five years resource-hungry China has swept across a grateful continent, buying oil and minerals. (…) India, too, has been buying oil and mineral concessions in countries such as Sudan and Nigeria. America has revived its interest in Africa: it wants to take 25% of its oil imports from there to decrease its dependence on the Middle East. America has also been recruiting new allies, such as Mali, in its fight against Islamist terrorism.»
Quando valores [tão] mais altos se levantam, como poderia a Europa recusar-se a sujar as mãos?
Sem merdas freudianas, The Economist foi directo ao ponto: «For the Europeans are worried that they are losing both trade and clout on a continent that they used to regard as their own backyard. Over the past five years resource-hungry China has swept across a grateful continent, buying oil and minerals. (…) India, too, has been buying oil and mineral concessions in countries such as Sudan and Nigeria. America has revived its interest in Africa: it wants to take 25% of its oil imports from there to decrease its dependence on the Middle East. America has also been recruiting new allies, such as Mali, in its fight against Islamist terrorism.»
Quando valores [tão] mais altos se levantam, como poderia a Europa recusar-se a sujar as mãos?
