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25/11/22

GUERRA NA UCRÂNIA: DEPOIS DO PAÍS DESTRUÍDO, DERAM CONTA QUE A GUERRA É SEMPRE UM EXCELENTE NEGÓCIO?!

 «A aliança do Ocidente contra Vladimir Putin começa a revelar fraturas, explicou esta sexta-feira o jornal ‘POLITICO’: as principais autoridades europeias estão furiosas com a Administração Biden e acusaram agora os americanos de fazer uma fortuna com a guerra enquanto os países da UE sofrem. “Se olharmos com seriedade, o país que mais lucra com esta guerra são os Estados Unidos, porque vendem mais gás a preços mais altos e porque estão a vender mais armas”, garantiu um alto funcionário europeu à publicação. “Os Estados Unidos precisam de perceber que a opinião pública está a mudar em muitos países da UE.” (...)

Enquanto tentam reduzir a sua dependência da energia russa, a UE voltou-se para o gás dos EUA – mas o preço que os europeus pagam é quase quatro vezes mais alto do que os mesmos combustíveis nos Estados Unidos. É demais para os responsáveis de Bruxelas – o presidente francês, Emmanuel Macron, garantiu que os altos preços do gás nos EUA não são “amigáveis” e o ministro da Economia da Alemanha pediu a Washington que mostre mais “solidariedade” e ajude a reduzir os custos de energia.

Diversos ministros e diplomatas expressaram a sua frustração com a forma como o Governo de Biden simplesmente ignorou o impacto das suas políticas económicas domésticas sobre os aliados europeus. Quando os líderes da UE enfrentaram Biden sobre os altos preços do gás nos EUA na reunião do G20 em Bali na semana passada, o presidente americano simplesmente parecia não saber do assunto, segundo revelou fonte próxima.»

FONTE ORIGINAL 

«Nine months after invading Ukraine, Vladimir Putin is beginning to fracture the West. 

Top European officials are furious with Joe Biden’s administration and now accuse the Americans of making a fortune from the war, while EU countries suffer. 

“The fact is, if you look at it soberly, the country that is most profiting from this war is the U.S. because they are selling more gas and at higher prices, and because they are selling more weapons,” one senior official told POLITICO. (...)»

26/10/22

PUTUNISTAS INFILTRADOS NOS EUA? É PERGUNTAR AO PACHECO PEREIRA.

Contrariando a convicção de Pacheco Pereira — que provavelmente não sabem quem é   ("A guerra na Ucrânia não tem solução negociada"), trinta congressistas norte-americanos militantes do Partido Democrata instaram Biden a reforçar as iniciativas diplomáticas junto da Rússia de modo a evitar uma escalada bélica. 

ADENDA: Entretanto, Pramila Jayapal retractou-se, argumentando que não queria ser confundida com os Republicanos numa altura em que decorrem eleições nos EUA. O comunicado é um achado sobre o qual eu diria que pior a emenda que o soneto. Também me lembrou Groucho Marx: "Estes são os meus princípios. Se não gostarem tenho outros". 

23/10/22

GUERRA NA UCRÂNIA: TUDO PREPARADO PARA O GRANDE FOGO DE ARTIFÍCIO NO NATAL?

«The U.S. Army's 101st Airborne Division has been deployed to Europe for the first time in almost 80 years amid soaring tension between Russia and the American-led NATO military alliance. The light infantry unit, nicknamed the "Screaming Eagles," is trained to deploy on any battlefield in the world within hours, ready to fight.

CBS News joined the division's Deputy Commander, Brigadier General John Lubas, and Colonel Edwin Matthaidess, Commander of the 2nd Brigade Combat Team, on a Black Hawk helicopter for the hour-long ride to the very edge of NATO territory — only around three miles from Romania's border with Ukraine. (...)»

CRISE ENERGÉTICA: MACRON CRITICA ESTADOS UNIDOS

O presidente francês sublinhou em Bruxelas que os preços a que os EUA vendem para a Europa são três a quatro vezes mais elevados do que os praticados no mercado interno americano. 

As exportações de gás natural dos Estados Unidos para França aumentaram 421% durante os primeiros oito meses deste ano. Quanto aos preços do GNL (gás natural liquefeito) aumentaram 1 094% apenas durante o mês de Agosto.

Eu não sou de intrigas, mas quem diz que a guerra não é um grande negócio foi decerto dispensado de ir à tropa.

15/10/22

EXPLIQUEM-ME A ESTRATÉGIA! EXPLIQUEM-ME A ESTRATÉGIA!

Ainda falam da incontinência verbal do Marcelo: em dois dias Joe Biden conseguiu insultar a Arábia Saudita e o Paquistão, este último classificado como «um dos países mais perigosos do mundo».

Eu sei que a diplomacia anda pela hora da morte, mas duvido que a estratégia do "orgulhosamente sós" venha a ter bons resultados (a não ser para Putin).
E daqui nada é Inverno.

18/09/22

MAIS UMA VEZ ANTÓNIO GUTERRES A DIZER O ÓBVIO O QUE, NUM CLIMA DE HISTERIA BÉLICA, JÁ É DIZER IMENSO

A guerra está para durar: «Os russos e os ucranianos acreditam que podem ganhar. Não vejo qualquer possibilidade, a curto prazo, de uma negociação séria», afirmou o secretário-geral da ONU.

Em relação aos assassínios e aos sinais de tortura que as tropas ucranianas garantem ter descoberto em Izium, Guterres disse esperar que o Tribunal Penal Internacional possa conduzir investigações que apurem responsabilidades.

Uma solução para as exportações do sector alimentar continua no topo das preocupações da ONU: «Putin tem parcialmente razão».

As alterações climáticas e a guerra é outro dos temas: «No momento em que era preciso reduzir as emissões, as emissões continuam a aumentar. No momento em que era preciso livrarmo-nos dos combustíveis fósseis, assistimos ao renascimento dos combustíveis fósseis. Caminhamos para o desastre (...). Quando precisamos de uma redução de emissões de 45% até 2030, a perpectiva, face aos compromissos actuais, é de um crescimento de 14%». 


29/08/22

AS SANÇÕES CONTRA A RÚSSIA QUE SUICIDAM A EUROPA: EM FRENTE CAMARADAS, O ABISMO É NOSSO

Uma análise assinada pela jornalista suiça de origem egípcia Myret Zaki. Alguns excertos traduzidos.

«... No final de Junho, o rublo tornou-se na moeda com melhor desempenho no mundo, atingindo o seu nível mais elevado em relação ao dólar em 7 anos. O PIB [russo] diminuirá em 6% em 2022, de acordo com o FMI, mas não 15% como fora previsto em Março. Analistas de Wall Street tinham previsto um colapso da Rússia.

Em Março, lembra-nos o “Business Insider”, a JP Morgan previra que o PIB russo cairia 35% no 2º trimestre. Para a Goldman Sachs, a economia do país experimentaria a sua maior contracção desde a implosão da URSS. Mas de Janeiro a Junho, o declínio foi de apenas 4% em relação ao ano anterior, graças a exportações acima do esperado, principalmente para a Índia. (...)

A estratégia [das sanções] estava extremamente bem montada. Excepto num "pormenor": a maioria dos países devia entrar no jogo e foi aí que a porca torceu o rabo. "A maior fraqueza das sanções, observa "The Economist", é que mais de uma centena de países, o que  representa 40% do PIB mundial, não seguiram os Estados Unidos e a Europa, e não impõem nenhum embargo (parcial ou total ) à Rússia […] A maioria dos países não deseja implementar a política ocidental.”

(...) Países tão importantes como a China, Índia, Brasil, Arábia Saudita estão a fazer exactamente o contrário, continuando a sua cooperação com a Rússia. Do Dubai, pode-se voar sete vezes por dia para Moscovo. A dura realidade reside na influência insuficiente que as democracias ocidentais tiveram sobre o resto do mundo. 

(...)

Mas a observação mais dolorosa é o preço exorbitante que o Ocidente é obrigado a pagar para punir os seus inimigos. É difícil escapar à sensação de autopunição face ao custo desproporcionado suportado pela Europa, onde uma crise energética sem precedentes se aproxima, falhas de energia eléctrica são anunciadas para este Inverno, picos de preços e recessão económica.

(...) a premissa básica estava errada. Em vez de serem indolores para o Ocidente e fatais para a Rússia, como originalmente se esperava, as sanções estão a mostrar-se pelo menos igualmente punitivas para a Europa. A assimetria é até invertida. “A Rússia poderia dar-se ao luxo de interromper todas as exportações de gás para a Europa por um ano sem grandes consequências para sua economia”, escreve Liam Peach, analista da Capital Economics, em nota citada pelo “Bloomberg” a 25 de Agosto. (...).

Inflação, escassez, insegurança são elementos que podem colocar as populações ocidentais contra os seus governos, quando o objectivo inicial das sanções era que os russos se voltassem contra o Kremlin.

(...)

Para “The Economist”, a conclusão é que o Ocidente será forçado a regressar às estratégias de “hard power”, ou seja, o poder militar, com um rearmamento maciço dos membros da NATO. Sem dúvida porque é nessa área que o Ocidente ainda tem uma vantagem muito clara.

Mas face a potências nucleares, poderemos manter esse tipo de raciocínio, ou ele é totalmente imprudente? Quando autoridades de Washington viajam repetidamente para Taiwan para dar palestras sobre a China, que resultado pode ser previsto de tal estratégia? Já antecipámos as consequências desta vez? (...)»

ARTIGO NA ÍNTEGRA EM FRANCÊS AQUI



06/08/22

E JÁ QUE ISTO ESTÁ PELA HORA DA MORTE...

Correndo o risco de me acusarem de ser uma anti-americana primária — o que não sou, nem sequer secundária: uma nova-iorquina até me chamou open-minded mesmo depois de eu, distraída, ter acendido um cigarro no restaurante quando trouxeram o café — não resisto a reproduzir esta citação de Mark Twain: «God created war so that Americans would learn geography.»