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09/06/10

A Pastelaria do Cesariny

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
– ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos
frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

02/05/08

Estado do mundo: e aos instaladores, não se pode exterminá-los?

Num livro de entrevistas, cujo título não recordo, Francis Bacon ― o pintor e não o outro que disse, ajuizadanente, things alter for the worse spontaneously, if they be not altered for the better designedly ― quando interrogado sobre a pintura abstracta respondeu que ela não andaria longe do padrão para os sofás que combinam bem com a sala. O que me leva a este post não é o abstraccionismo pictórico mas uma coisa um pouco mais encombrant e relativamente mais moderna: instalações.
Duas notícias recentes dão-nos conta do sentido da evolução do fenómeno: uma refere um cão famélico mostrado a definhar em público, outra anuncia um alemão em busca de um moribundo, disponível para morrer confortavelmente instalado numa galeria de arte.
E ambas transmitem todo um novo sentido à frase de Cesariny: «Se não vais ao coquitéle estás fodido!»

13/06/07

A «Pastelaria» do Cesariny, que é 100 vezes melhor do que a minha

Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado nem horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
ele há tanta maneira de compor uma estante!
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madama blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente: Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra