02/05/08

Estado do mundo: e aos instaladores, não se pode exterminá-los?

Num livro de entrevistas, cujo título não recordo, Francis Bacon ― o pintor e não o outro que disse, ajuizadanente, things alter for the worse spontaneously, if they be not altered for the better designedly ― quando interrogado sobre a pintura abstracta respondeu que ela não andaria longe do padrão para os sofás que combinam bem com a sala. O que me leva a este post não é o abstraccionismo pictórico mas uma coisa um pouco mais encombrant e relativamente mais moderna: instalações.
Duas notícias recentes dão-nos conta do sentido da evolução do fenómeno: uma refere um cão famélico mostrado a definhar em público, outra anuncia um alemão em busca de um moribundo, disponível para morrer confortavelmente instalado numa galeria de arte.
E ambas transmitem todo um novo sentido à frase de Cesariny: «Se não vais ao coquitéle estás fodido!»

7 comentários:

manuel disse...

O GG Allin tinha prometido matar-se durante um concerto e acredito que o fizesse, mas morreu antes numa overdose de droga.

O Otto Muehl era bon neste tipo de happenings. Cuidado a ver isso.

manuel disse...

Já o Hermann Nitsch diverte-se matar vacas em público.

manuel disse...

"bom"

"a matar"

manuel disse...

Espero não ter chocado ninguém...a intenção não era essa, mas devia ter avisado melhor que não é para pessoas impressionáveis (apesar do telejornal ser bem mais chocante, mas pronto).

manuel disse...

E que fique claro que sou contra os maus tratos a animais por razões artísticas. Apesar de no cinema ser ainda pior. Até o Tarkowski matava cavalos...

N. disse...

a primeira coisa que me ocorreu ao ler o último comentário do manuel é que matar não é maltratar (se limpo de um só golpe, de uma só bala, de um só trago de veneno). Matar é só tirar a vida. Eventualmente quem mata fica com todo o tempo para se (auto)maltratar pela memória do acto.
maltratar um animal é uma coisa muito mais vil do que matar.

Ana Cristina Leonardo disse...

maltratar um animal é uma coisa muito mais vil do que matar.

assino por baixo, mas mortes artísticas só se forem dos próprios