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07/03/23

A PEDOFILIA E O L'AIR DU TEMPS

Ainda vamos ouvir dizer que suspender padres acusados de pedofilia é um atentado aos direitos humanos!

15/02/23

FALAR CLARO

1. Se eu fosse a favor da pena de morte — que não sou! — decerto que a aplicaria, e sem pestanejar, a violadores de crianças.

2. Sendo ou não uma predisposição genética — e estou convencida que em muitos casos nem isso: apenas um exercício perverso de poder — os violadores, com raríssimas excepções, sabem perfeitamente distinguir o Bem do Mal e portanto estão conscientes da criminalidade dos seus actos.
3. No caso da Igreja católica, é particularmente repugnante, sobretudo e depois de tudo o que já está documentado há várias décadas, que se venha invocar o celibato e o segredo da confissão. O celibato não implica que se busque consolo sexual em crianças e através da confissão, se bem percebo o mecanismo, alcança-se o perdão divino (de que os padres parecem ter o segredo — isso seria outra conversa...), mas esse perdão implica penitência: e qual terá sido a penitência prescrita para um crime destes nos confessionários? Três pais-nossos? Um cilício preso nos genitais?
4. Nada do que diz o relatório é surpresa. Veio traduzir em números (os possíveis) uma realidade de que uns suspeitavam, outros fechavam-lhe os olhos e outros tinham a certeza de existir.
Poderá eventualmente ser um alívio para as vítimas (tenho dúvidas), mas ainda não vi nenhum católico perguntar-se com frontalidade sobre o porquê da dimensão dessa prática numa instituição — e aí é que está o busílis — que se arroga o direito de falar em nome de Deus.
5. Quanto à Justiça humana (a única que deveria ser acessível a todos), essa resta por fazer. Na maioria dos casos não será feita sequer. Uns morreram, outros estão safos pelo tempo que entretanto passou e há ainda as vítimas que não conseguem falar.
E larguem o Afonso Costa que já se foi e não violava crianças.

15/04/10

Silogismos de pendor aristotélico a propósito das declarações de Tarcisio Bertone ou, literalmente, da relação entre o cu e a batina

Percebo que o Vaticano tenha vindo tentar pôr água na fervura [embora não tenha entendido bem a especificidade da pedofilia entre o clero versus pedofilia em geral].
Feita a ressalva, a verdade é que até a mim escapara o modo como as declarações do cardeal Tarcisio Bertone, que pretenderam estabelecer uma relação causal entre homossexualidade e pedofilia, poderiam ser favoráveis à Igreja.
Senão vejamos. Em traços gerais, o que o cardeal disse foi:
1. Não há relação entre celibato e pedofilia
2. Há relação entre pedofilia e homossexualidade.
Aceitemos a bondade das afirmações proferidas. Temos assim:
1. Todos os padres são celibatários
2. Alguns padres são pedófilos
3. Não há relação entre celibato e pedofilia
4. Há relação entre pedofilia e homossexualidade
5. Todos os padres são celibatários e alguns, além disso, são pedófilos e homossexuais
Conclusão: 3 em 1?
Nota: A questão central que o Cardeal Tarcisio Bertone parece ter esquecido é que a pedofilia é crime e a homossexualidade não.
Quanto à relação causal – pretensamente baseada em estatísticas – vale o que vale. Ou seja, zero.
O que me recorda uma anedota lida algures online: 33% dos acidentes de trânsito envolvem pessoas embriagadas. Logo, 67% envolvem pessoas completamente sóbrias. Conclusão: é sempre preferível conduzir bêbedo.

29/03/10

Padres pedófilos saltando como coelhos da cartola

Não sou cristã. Nem por convicção, nem por água benta. Em casa de meus pais pontificava Jean Barois.
Pequenina, sentia-me estranha no colégio por ser a única que não acreditava em Deus. Às vezes falava com Ele e pedia-lhe um sinal. Coisas pueris. Que chovesse num dia de sol. Que a marmelada da sanduíche se transformasse em queijo. Que a camisola de lã me deixasse de picar. Nunca obtive resposta.
Já crescida, li sobre a Inquisição e outros temas edificantes da historiografia cristã. Tive a minha fase mata-frades. Há uns anos, em Auschwitz, voltei a sentir vontade de despachar alguns elementos do clero, mas também já me cruzei com católicos interessantes.
Pela parte que me toca, irrita-me o Novo Testamento. Prefiro a neurose judaica ao sorriso da Teresa de Calcutá (do que é que ela ri, afinal?).
À Virgem Maria, reputo-a responsável por séculos de prazer subtraído às mulheres; e mesmo a única ideia evangélica na aparência simpática — a de que somos todos irmãos em Deus — subverteu-a o proselitismo: os que negavam o parentesco eram perfilhados à força.
Chegada aqui, não sou cristã mas também não sou ateia. Gosto de me pensar panteísta, à maneira de Espinosa ou de Einstein. Ao ateísmo acho-lhe sobretudo uma falha: empobrece a imaginação. Quanto a acreditar em Deus, lembro a frase de Hemingway, citada pelo escritor Lobo Antunes, quando lhe perguntaram por isso: “Às vezes, à noite, no escuro”.
Agora quanto aos pedófilos, é assim. As denúncias são demasiadas, e demasiado graves, para que se possa continuar na lengalenga do costume que todas as classes (???) têm defeitos (???) desse género (???) (em Portugal, ao que parece, a coisa resume-se mesmo ao Frederico da Madeira que bazou para o Brasil).
Não sendo católica, e reconhecendo que as religiões de Deus único não terão trazido assim tanto Bem ao mundo, confesso, porém, que fico um pouco assustada com a hipótese de a Ratzinger sucederem os Bob Proctor. É que o primeiro, ao que dizem, terá de responder ante Deus. O Deus dele. Mas pelo menos isso.

26/05/09

Cruzamento de dados: o paraíso sexual de João César das Neves e o deboche da igreja irlandesa

Não sei porquê, durante muito tempo pensei que João César das Neves, colunista do DN, fosse padre. Afinal é economista, professor universitário e ex-assessor de Cavaco Silva. Estamos sempre a aprender.
Padre ou não padre, César das Neves é ferveroso defensor da Igreja católica apostólica romana. Tem todo o direito a sê-lo. Nessas coisas da intimidade de cada um não me meto. Agora o que não acho bem é que, sem me conhecer de lado algum, o Neves se ponha com insinuações acerca da minha pessoa.


Esquerdistas é comigo, claro. Não que eu seja canhota. Ou cega. Ou surda. Para resumir: sou de esquerda e tenho dúvidas.
Por exemplo, tenho dúvidas sobre a utilidade ― e exequibilidade ― de uma disciplina de "Educação Sexual" autónoma. Tenho dúvidas que isso seja uma disciplina, à semelhança da Geografia [que saudades da geografia!], da Matemática, da Física ou das Línguas.
Posto isto: que César das Neves, padre ou não padre, venha falar dos good old times em que prevaleciam "o pudor, a castidade e matrimónio", opondo-os aos actuais, em que prevalecem a "masturbação" o "impulso sexual" e a "perfeita equivalência entre todas as opções sexuais", já me parece excessivo ― mesmo para uma esquerdista ambidextra.
Sejamos claros: não é preciso ter lido o Velho Testamento para saber que a rebaldaria vem de longe. Pormenores teológicos à parte, fiquemo-nos pelo recente relatório irlandês sobre os abusos sexuais praticados pela Igreja católica durante 60 anos na maior das impunidades. Aos padres e freiras metidos ao barulho, teria César das Neves de lhes chamar "porcalhões", "debochados", "proxenetas" e etc. Mas o problema, caro professor, é que os abusos eram endémicos. E tudo isto antes da "deseducação sexual"! Há coisas do diabo!
Texto de João César das Neves descoberto aqui.