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09/08/24

MEDITAÇÃO DE SEXTA: «Então e os Bárbaros: Chegam ou não Chegam?»

«(...) A extrema-direita e as redes sociais têm servido de explicação [para a situação no Reino Unido]. Mas eu que sou do tempo dos aplausos e vivas às redes sociais aquando da chamada Primavera Árabe de 2011, pergunto-me que diferenças substanciais no seu uso se deram de ontem para hoje?

01/03/23

O ESPECTÁCULO DO MUNDO: COVID 19 E PROPAGANDA

Quando a coisa chegou da China, quem falava de vírus de laboratório era apelidado de maluquinho conspirativo.

Quando a coisa continuou a chegar da China, os países que primeiro impediram os voos vindos de lá foram apelidados de racistas e sinofóbicos, nomeadamente pela Organização Mundial de Saúde.
Quando a coisa começou a apertar, os métodos chineses de controlo drástico (para não lhes chamar outra coisa...) foram defendidos por democratas impolutos, alguns muito de esquerda. Uma dessas defensoras — há coisas que nunca esqueço porque definem o carácter — chegou a acusar "as velhas" de usarem como pretexto para saírem à rua a compra de peúgas e meias.
Passada a pandemia e porque os EUA e a China andam claramente às turras, a hipótese de o vírus ter escapado de um laboratório chinês ganha lugar à mesa das casas mais ilustradas.
A propaganda é uma coisa formidável!

05/02/23

GUERRA NA UCRÂNIA: DO ESTADO DE NEGAÇÃO

Se, no final de Dezembro, a Rússia estava a ficar sem mísseis e a entrar num beco sem saída (palavras de Zelensky), no início de Fevereiro, diz também Zelensky, a situação na linha da frente está a complicar-se.

Entretanto, a Alemanha garante que o armamento enviado para a Ucrânia pelos países ocidentais não será utilizado em território russo.
Naturalmente, seria impensável que uma guerra dispensasse a propaganda, mas ser conduzida pela propaganda talvez não seja a melhor estratégia. E a propósito: onde está a estratégia?

27/09/22

GUERRA NA UCRÂNIA: A PROPAGANDA COMO MAL ABSOLUTO

E foi depois de dar com o título de uma notícia que anunciava a fuga de Putin para um "palácio secreto" (o bunker de Hitler, topam...?) que descobri esta crónica que traduzo. 

E sobre a propaganda do lado putinista, lamento, lamento mesmo, mas não tenho matéria para fazer omoletes. A censura está instalada do lado de cá e para nosso bem, naturalmente, não fosse a gente correr a alistar-se no exército russo. 

«PODE AINDA DEBATER-SE A GUERRA NA UCRÂNIA?

Gérad Araud (Le Point, 18-9-2022)

«Desconfiemos dos especialistas de salão que povoam as TVs e impedem qualquer debate equilibrado sobre esta guerra. 

Quando dei por mim num estúdio de televisão para participar num debate sobre a guerra na Ucrânia,  senti imediatamente a armadilha em que havia caído. Todos os outros participantes eram “verdadeiros crentes” que vinham celebrar as recentes vitórias da Ucrânia não só sem lhes acrescentar qualquer contexto ou nuance, mas também impedindo que isso pudesse acontecer. Não me enganei. Não houve debate, pois todos estavam presentes com o objectivo de tudo fazerem para que a derrota da Rússia, doravante a seus olhos adquirida, fosse total. A Ucrânia devia recuperar todos os seus territórios, incluindo a Crimeia, e obter reparações do agressor, enquanto Putin enfrentava um novo julgamento em Nuremberg.

Que fique claro que eu ficaria muito satisfeito com esse resultado e que considero a vitória da Ucrânia do interesse do nosso país. Mas tenho a fraqueza de examinar a viabilidade e o custo de uma apólice quando esta me é oferecida e foi isso que tentei fazer. Qual seria o custo humano? É realista, por exemplo, ambicionar a recuperação da Crimeia anexada pela Rússia e que esta defenderá a todo custo, possivelmente recorrendo inclusive ao uso de armas nucleares? Talvez esteja errado, mas acho estas perguntas legítimas. O que eu fui dizer! Um respondeu que a Rússia tinha sequestrado trezentas mil crianças ucranianas e outro que a ocupação é pior do que a guerra.

Note-se que tais respostas não tinham nada a ver com a minha pergunta. Sentimentos opunham-se ao meu raciocínio. Olharam-me de lado. Não tive oportunidade de ser ouvido e calei-me. Nessa mesma noite, a minha conta no Twitter transbordava de insultos dirigidos ao pró-russo que eu era. Pró-Rússia por fazer perguntas sobre o custo de uma política; pró-Rússia por recusar o entusiasmo cego depois de um sucesso inegável, mas parcial.

A primeira vítima da guerra é sempre a verdade

Dito isto, que os genuínos pró-russos não tentem aproveitar-se de mim. A Rússia é de facto o agressor e seu exército está envolvido em atrocidades bem documentadas, independentemente do que Madame Royal pensa.

Não estou surpreendido com o que me aconteceu, que é apenas uma ilustração modesta da impossibilidade virtual de um debate equilibrado em tempos de guerra. “A primeira baixa da guerra é sempre a verdade”, terá dito Kipling. Uma verdade que, ao que parece, deixa de interessar a quem quer que seja quando as armas começam a falar. De facto, os beligerantes lançam-se sem pudor no exercício da propaganda e hoje é um eufemismo notar que os ucranianos, nesse aspecto, se mostraram melhores do que os russos.

Além disso, à nossa volta, na maioria das vezes escolhe-se um campo com base em convicções pré-existentes e não na análise ponderada do que acontece. Por exemplo, há bastantes pró-russos nos dois extremos do espectro político. Acrescente-se a isso o peso das emoções perante o sofrimento dos civis e temos criado um coktail de embriaguez, indignação e entusiasmo que silencia qualquer voz  tão-só levemente matizada.

Não houve, aliás, um especialista que twittou recentemente: “Pedir negociações foi o que fez Pétain; apelar a resistir foi o que fez de Gaulle”? Esta comparação absurda, que é a negação da ética do debate, visa tornar ilegítima a menor dúvida. Vemos mais uma vez o que a guerra nos traz: desumanização do adversário, maniqueísmo, credulidade e fanatismo; dispensa a razão, o questionamento e a dúvida. Porque escaparia ela agora ao seu destino?

Heroísmo de sofá

De nossa parte, nós que queremos entender o conflito antes de comentá-lo, que nos orgulhemos de fazer tudo para manter a cabeça fria. Nunca esqueçamos que nos enganam de ambos os lados, embora sem que, resultado dessa constatação, optemos por um cepticismo absoluto que seria tão pernicioso como a credulidade. Distingamos rigorosamente a análise dos factos da opinião que deles se pode deduzir. Admitamos que os "bons" ocasionalmente cometem erros, até crimes, e que os "maus" às vezes têm boas razões para a insatisfação.

Não esqueçamos que no final, se um ou outro lado está certo ou errado, infelizmente isso não é determinante, é o campo de batalha que decidirá; um campo de batalha onde nada está definido, onde ainda correrá muito sangue, onde a incerteza é a única certeza. Desconfiemos dos estrategas de salão que nos atacam com as suas sucessivas verdades sempre com a mesma segurança.

Mas o mais importante não reside aí: lembremo-nos sempre que esta guerra que não somos nós a travar significa a morte dos outros e a devastação da casa dos outros. Que este lembrete nos imponha um mínimo de decência e modéstia.
Demasiados especialistas das nossas TVs gostariam que a guerra decorresse até à morte do último ucraniano. Que a Ucrânia disponha de todas as armas para vencer, claro, mas que tal apoio não nos transforme em belicistas irrealistas, dispostos a todas as jogadas, seja qual for o preço para os ucranianos. Nunca percamos de vista o objectivo de restabelecer a paz, o que inevitavelmente supõe alguma forma de compromisso com o agressor.
“Bem-aventurados os pacificadores”, diz o Evangelho. Conte comigo: sempre me recusarei a ceder ao exercício fácil do “heroísmo do sofá” tão prepoderante hoje nos nossos ecrãs, mesmo que isso signifique ser insultado.»

15/09/22

TEM QUE SE TIRAR O CHAPÉU À PROPAGANDA UCRANIANA!

Putin falou em "desnazificação" para justificar a invasão da Ucrânia. O pretexto era um pretexto, mas o facto é que o Batalhão Azov e as suas ramificações no interior do exército regular ucraniano era bem conhecido no Ocidente. Até a insuspeita BBC lhe dedicava reportagens.

O fascista Stepan Bandera e o seu estatuto de herói nacional para muitos ucranianos, também era difícil de varrer para debaixo do tapete.  

O facto é que já no cerco a Mariupol os Azov iam perdendo a pele de neo-nazis para se transformarem em heróis da resistência à invasão russa. Entretanto, Bandera conseguia passar de fascista a "figura complexa".

E eis que desaparecidos os Azov e todas as outras mílicias de extrema-direita ucranianas, emergem agora em todo o seu esplendor os Wagner, apresentados como o "exército privado de Putin" que anda a recrutar presos nas cadeias, coisa que, aliás, a Ucrânia também já tinha feito. 

É o que eu digo: a Propaganda é uma coisa formidável!

14/09/22

A PROPAGANDA E OS TEMPOS VERBAIS

Toneladas de propaganda diária. E, sejamos justos, com a proibição da propaganda inimiga, as toneladas sopram sobretudo do nosso lado, arriscando nós, como os velhos gauleses, a que ela nos caia na cabeça e lá se vão os miolos. 

Naturalmente, há sempre quem ache que quando chega do nosso lado não é Propaganda, é VERDADE. Escusado será dizer que em tal asserção assenta um dos alicerces mais firmes da Propaganda. 

Há no entanto uma maneira, não infalível, claro, de perceber que estamos perante um texto ou uma afirmação propagandistíca, já que a Propaganda, para ser eficaz e como há muito foi notado pelo poeta algarvio António Aleixo, «tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade».

De forma evidente quando os textos recorrem à forma interrogativa, ou seja, insinuam (e insinuam-se): não afirmam. Mas também quando preferem conjugar os verbos no condicional ou no futuro, seja nos tempos simples, seja nos tempos compostos.

E como os tempos vão sobretudo confusos, é fazer atenção, como dizem os franceses!


01/09/22

GUERRA NA UCRÂNIA: PROIBIR! PROIBIR! PROIBIR!

Se a UE decidiu suspender o acordo com a Rússia que facilitava a emissão de vistos, para Zelensky a solução devia ser a proibição TOTAL de entrada na União Europeia a TODOS os cidadãos russos, excepto os que declarassem o seu apoio à Ucrânia.


Afinal, lá pelo Leste aquilo de proibir tem uma longa tradição e essa longa tradição, infelizmente e pelos vistos, vem conquistando o resto da Europa...

ASSISTIR AO SUICÍDIO DA EUROPA NÃO ESTÁ A SER BONITO DE SE VER E AINDA NÃO CHEGÁMOS AO INVERNO

Mas o que é a democracia alemã comparada com esse farol da democracia chamado Ucrânia onde em Mariupol a propaganda no Twitter já contou mais mortos do que as provocadas pela bomba de Hiroshima?

Indútria alemã interrome produção face aos aumentos dos preços da energia 

30/08/22

SINAIS DOS TEMPOS OU DE COMO O MUNDO É GRANDE

Para tentar ler alguma coisa com o mínimo de isenção sobre o que se passa na Ucrânia, há uns meses para cá que leio diariamente notícias num jornal indiano (na sua versão em inglês porque infelizmento não sei hindi).

Até ontem, esse jornal — que não é putinista e esclareço isto porque actualmente a suspeição é uma pandemia maior do que a de Covid 19, estando ao nível da caça às bruxas apesar das fogueiras se encontrarem desactivadas por risco de incêndio e prevista escassez de energia — trazia no cabeçalho da página de abertura do site vários links, entre eles um que reenviava directamente para o «conflito Rússia-Ucrânia».
Desapareceu. Agora a guerra europeia foi remetida para o link World News, posicionando-se ao lado de UK News, US News e etc., procura e logo encontras.
E se ainda agora se anuncia Setembro, isto há-de ter uma moral.

17/05/22

GUERRA NA UCRÂNIA: OS RUSSOS TOMARAM MARIUPOL

Propaganda é isto: uma derrota que se quer transformar numa vitória.

«Ucrânia declara fim da batalha por Mariupol.»
«As Forças Armadas da Ucrânia deram como concluída a missão de combate das suas forças em Mariupol.»
Só me apetece dizer asneiras!

27/04/22

GUERRA NA UCRÂNIA: QUEM JÁ TIVESSE OUVIDO FALAR DA TRANSNÍSTRIA, LEVANTE O BRAÇO

«Pelo menos três ataques foram registados no território do enclave separatista desde segunda-feira, segundo o Conselho de Segurança da Transnístria.

Na terça-feira, a Presidente da Moldova, Maia Sandu, atribuiu os incidentes à luta entre forças internas interessadas em desestabilizar a situação na Transnístria.

“Condenamos todas as provocações e tentativas de envolver a Moldova em acções que possam ameaçar a paz no país”, insistiu a chefe de Estado.

O conselheiro da presidência ucraniana Mikhailo Podoliak acusou a Rússia de querer “desestabilizar a Transnístria, o que sugere que a Moldova deverá aguardar a visita de ‘convidados’”, numa referência aos soldados russos que invadiram a Ucrânia a 24 de Fevereiro. (...)»

22/03/22

SE O RIDÍCULO MATASSE POUPAVA-SE NO COMBUSTÍVEL


 

VERDADES JÁ ANTIGAS SOBRE A PROPAGANDA DE GUERRA

 

  1. We don't want war.
  2. The opposite camp alone is guilty of the war.
  3. The enemy is inherently evil and resembles the devil.
  4. We defend a noble cause, not our own interests.
  5. The enemy commits atrocities on purpose; our mishaps are involuntary.
  6. The enemy uses forbidden weapons.
  7. We suffer small losses, those of the enemy are enormous.
  8. Respected personalities, scientists, artists and intellectuals support our cause.
  9. Our cause is sacred.
  10. Anyone who doubt our reporting is a traitor.

Resumo das técnicas de propaganda feito pela historiadora belga Anne Morelli, a partir do livro de 1928 de Arthur Ponsonby, Falsehood in Wartime: Propaganda Lies of the First World War. 

23/01/14

Sobre estatísticas, contas e propaganda e a propósito da euforia do défice

« O governo informou que 95% dos pensionistas estarão isentos do pagamento do "complemento extraordinário de solidariedade", que abrangerá as pensões superiores a 1000 euros. Fica-se assim a saber que, em Portugal, 95% dos pensionistas vivem com menos de 34 euros por dia.»


Francisco Seixas da Costa, encontrado AQUI.

18/02/12

Propagandapolitik

... e logo depois de se saber que, Gaspar p'rá frente, Gaspar p'ra trás, as contas públicas somam prejuízos de cerca de 1,5 mil milhões de euros, mais 38,5% do que em 2110, o ministro Relvas vem anunciar ao povo que os governantes não têm direito a cartão de crédito nos ministérios.


Se isto fosse um país a sério, a malta dizia-te onde podias meter o cartão de crédito...

14/02/12

A propaganda anda pela hora da morte

Governo mandou fazer 100 livros e pagou 12 mil euros por ajuste directo a uma gráfica.
Está bem. Percebo que a impressão a cores melhora substancialmente a coisa, o papel couché é caro e os baixos-relevos da capa fundamentais para aprimorar a obra. Mas 120 euros por exemplar?!
Com esse dinheiro não seria melhor mandar imprimir o Goebbels' Principles of Propaganda que ainda por cima pode ser descarregado na NET?
Já agora, o livro publicado pelo Relvas vem escrito em português ou passaram-lhe o Lince por cima?