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23/02/11

Há cinco meses era visita de casa, agora chama-lhe "anacrónico" (Aqui)

Luís Amado, o chefe da diplomacia portuguesa que só abre a boca para dizer asneiras (o que será feito do egípcio antissemita que Portugal queria pôr à frente da UNESCO?) ou, em alternativa, coisas óbvias, foi convidado de Muammar Khadafi em Setembro último. Comemorava-se o 40º aniversário da "Revolução do Grande Al-Fateh".
Sim, eu sei. A Líbia tem bué petróleo. Mas entre negociar petróleo com a Líbia e partilhar a intimidade do Muammar, há pelo menos a distância que vai de um camelo a uma agulha.
E sobre camelos ficamos conversados.

02/12/10

Post dedicado a Luís Amado [com música a condizer]


Agora, seria nossa vantagem acariciá-lo (???!!!) muito, frase final de um telegrama enviado pela embaixada norte-americana em Lisboa, a 18 de Outubro de 2006, a propósito dos voos da CIA de Guantánamo e referindo-se expressamente ao iluminado Luís Amado.

16/11/10

A minha tia raquel e os estados de alma do ministro

A minha tia Raquel tinha achaques. No tempo quente não saía de casa, no tempo frio também não. Nas estações intermédias, que as havia, melhorava. Ainda assim, pelo menos uma vez por semana era certo e sabido que a iríamos encontrar, ora suspirando melancolicamente pelos cantos, ora guinchando esdruxulamente com a vizinhança. Os estados de alma da minha tia era incompreensíveis.
Podia agora continuar a falar-vos da minha tia Raquel, mas como ela própria me diria "não maces as pessoas e vem para dentro".
Já o Amado é outro assunto. Disse o próprio, a propósito das suas declarações ao Expresso este fim-de-semana, que aquelas não passaram de "desabafos sobre estados de alma".
Confesso que não li a entrevista. Contaram-me que a dada altura Amado apelava a um governo de salvação nacional ou coisa parecida. Vou deixar de lado o que eu acho sobre isto não ter salvação possível que ninguém me perguntou. Mas "os estados de alma" ficaram-me atravessados.
Então aqui há uns tempos, após recusar-se a votar num pirómano de livros para director da Unesco, Carrilho não foi acusado precisamente do mesmo, acabando, aliás, et pour cause!, por ser corrido do cargo? (Com o hiato temporal diplomaticamente adequado...)
Ou seja, quer dizer, um simples diplomata não pode ter um achaque em privado mas já o ministro pode desabafar em público e não lhe acontece nada?! Nem sequer o convidam para o lugar do Sócrates?
[também publicado aqui]

07/11/10

A reabertura dos restaurantes chineses fechados pela ASAE na agenda de Hu Jintao

Fontes bem informadas garantiram-me que foi por pouco que a visita do presidente chinês a Portugal não azedou logo no primeiro dia.

Na ementa do banquete do Palácio da Ajuda constava, por cortesia, uma sopa tipicamente chinesa.
A dada altura, Cavaco Silva, que é muito esquisito com a comida, disse em voz baixa para a Maria que a sopa de ninho de andorinhas lhe sabia ligeiramente a merda.
Um chinês ouviu, não gostou, e estava já a dívida pública a ir pelo cano quando o aparecimento providencial de Luís Amado conseguiu apaziguar os ânimos.
Amado, após explicar ao presidente português, e esposa, que aquele era o sabor normal da sopa (bastando para isso pensar nos seus ingredientes e blábláblá...), prometeu interceder diplomaticamente junto da ASAE para que todos os restaurantes chineses fechados nos últimos anos voltassem a abrir as portas, incluindo os que, entretanto, se tinham convertido ao sushi take away que ficariam com direito de opção.
O incidente ficou por aí mas, já no final da noite, houve quem ouvisse Cavaco insistir com a Maria: Estou-te a dizer que a sopa sabia a merda...

26/03/10

O caso Carrilho ou Portugal transformado no país da Alice mas sem as maravilhas

Há uns meses, Manuel Maria Carrilho recusou-se a seguir instruções. O Ministério dos Negócios Estrangeiros queria que ele votasse no egípcio Farouk Hosny — um militante anti-semita e pirómano de livros — para director-geral da Unesco.
Como as indicações de Amado lhe eram abomináveis, Carrilho ausentou-se da votação e fez-se substituir nesse dia. E como de quando em vez há justiça neste mundo, o governo socrático levou banhada e Farouk Hosny foi chumbado na mesma.
Corre, entretanto, a notícia que Carrilho terá os dias contados na Unesco e que pensam afastá-lo.
Face a essa possibilidade, tem vindo a assistir-se a uma curiosa inversão de valores. Muitos dos que na altura haviam apoiado a atitude do embaixador vêm agora dizer que o governo tem toda a legitimidade para demiti-lo porque, basicamente e postas de lado as nuances argumentativas, “em diplomacia não há estados de alma”.
A frase é de efeito e cumpre-o. Possui aquela gravitas das máximas catedráticas com montes de pedigree.
Se Carrilho não concordava, devia ter-se demitido; o governo tem de ter funcionários de confiança (que não questionem ordens?); a comparação com Aristides Sousa Mendes é um disparate porque compara o incomparável. E etc.
Talvez fosse bom lembrar que as “razões de consciência” invocadas então pelo ex-ministro da Cultura foram aceites pela tutela; este fez-se substituir e Portugal votou conforme (vergonhosamente) decidira.
Talvez fosse bom lembrar também que os funcionários do Estado (incluindo os diplomatas) não são meras correias de transmissão do poder. Que o quem não está por nós está contra nós arrasta uma história miserável. E, já agora, que Carrilho insistiu na altura explicando as suas razões e que se o tivessem ouvido o enxovalho português teria sido evitado.
Finalmente, talvez fosse bom lembrar que Aristides Sousa Mendes fez exactamente o mesmo, discordou activamente — com a diferença (que não muda o essencial do gesto) de tê-lo feito numa situação histórica mais grave e durante um governo salazarista e não socrático; e que há hoje milhares de pessoas que devem o facto de existir a esse “estado de alma”. Ah, e já agora, que também não se demitiu — foi demitido.
A reacção à notícia do eventual afastamento de Carrilho parece-me tão-só mais um exemplo do formalismo estéril que vem dominando a política cá do burgo, a transbordar de parvenus da democracia apetrechados de uma lógica sofística, maquiavélicos de pacotilha civilizados na forma, gente que faz da política uma dança de salão.
A verdade é que, se isto fosse um país (a) sério, em vez de andarmos a discutir as pressões telefónicas de Sócrates aos directores dos jornais, o primeiro-ministro teria ido ao Parlamento responder pela indicação de Farouk Hosny.
Em Portugal, porém e infelizmente, à lagarta da Alice só servem drogas maradas.

28/02/10

Pois é, isto anda por aí muita gente deprimida

Apesar da auto-estima de Amado que garante que lá fora é só elogios, nunca vi tanta gente deprimida por metro quadrado. Tenho para mim que tudo começou quando os portugueses assistiram pela tv às lágrimas de Carlos Cruz (claro que também podíamos recuar aos tempos de Afonso Henriques para concluir que uma nação que começa com um filho a tentar matar a mãe não augura grande futuro...).
Sem ir tão longe, diria que a partir do choro em directo tudo se precipitou. A crise ajudou à festa, Sócrates ajudou à festa, o PS ajudou à festa, o PSD ajudou à festa, o CDS ajudou à festa, o BE entrou em força na festa e o PC só gosta de festejar sozinho. De Cavaco não vale a pena falar.
Num país sem independentes a sério e onde poucos são aqueles que não têm telhados de vidro, com elites de merda, gente malcriada*, mergulhado num novo-riquismo ignorante que permite a uma empresa parceira do Estado afirmar que vende painéis solares que funcionam maravilhosamente com céu nublado, chuva e durante a noite e ninguém no governo se pergunta com que raio de energia funcionam afinal, estupidamente hipnotizado pelas “novas tecnologias” à prova de choque, seduzido por uma modernidade bolorenta que obrigou Portugal a mudar-se para a West Coast e o Algarve a dois LL, tudo antes do acordo ortográfico, onde a elementar decência é vista como burrice e a vigarice prova de inteligência, onde a autoridade se confunde com autoritarismo e à costumeira inveja se alia o encolher de ombros… Pois bem, consola-me que no meio disto tudo, assim como assim, haja tantos deprimidos: “Não é de admirar que a depressão seja hoje um mal tão comum. É quase reconfortante. É sinal que no íntimo das pessoas ainda resta o desejo de serem mais humanas.” (Disse-me um Adivinho, Tiziano Terzani, Tinta-da-China)
O problema, claro, está no quase. E nos que nunca deprimem.
*Cabe na cabeça de alguém, um primeiro-ministro, canastrão ou não canastrão quero lá saber, ser convidado de uma das poucas fábricas que funcionam em Portugal e pôr-se a fazer publicidade à concorrência directa? (ouvir aqui)

25/09/09

E que nem a propósito da ordem de Amado para que se trocasse a honra por um prato de lentilhas, acaba de sair a Breve História dos Judeus em Portugal

... lembrando-nos que se o governo, hoje, cedeu à queima dos livros, Salazar, ontem, havia cedido à queima de homens.
"(...) os cônsules de carreira não poderão conceder vistos consulares sem prévia consulta ao Ministério aos estrangeiros de nacionalidade indefinida, contestada ou em litígio, aos apátridas, aos portadores de passaportes Nansen e aos Russos; (...) àqueles que apresentem nos seus passaportes a declaração ou qualquer sinal de não poderem regressar livremente ao país de onde provêm; aos judeus expulsos dos países da sua nacionalidade ou daqueles de onde provêm."
Circular 14, de 11/11/1939 in Breve História dos Judeus em Portugal, Jorge Martins, Vega, 2009

Na imagem, refugiados judeus partindo de Lisboa para os EUA

23/09/09

"Aqueles que queimam livros, acabam mais cedo ou mais tarde por queimar homens" e só por isto este governo devia ir para o olho da rua

"O animal defende a queima de livros", terá dito Carrilho para Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros e diplomata atento aos pormenores, como aquele de conseguir distinguir o centro de detenções de Guantánamo da base militar de Guantánamo.
"De acordo, de acordo. Mas só os escritos por judeus...", terá respondido o rigorista cofiando a barba. "Além disso, andamos a ver se o Egipto nos dá uma mãozinha para entrarmos no Conselho de Segurança... Imagine o prestígio que isso traria a Portugal!"
E foi quando Carrilho suspirou, lembrou-se do Heine e teve saudades da filosofia moral de Kant.