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08/02/09

Beatices pragmáticas ou dos imigrantes e das suas circunstâncias

Veio a Alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse, chamar a atenção para o possível agravamento da xenofobia em tempo de crise. Fez muito bem. O que já não consigo perceber é os termos em que o fez.
Num discurso cheio de boas intenções, Rosário Farmhouse deixou cair os motivos para gostar tanto de imigrantes: Sem imigrantes o futuro será bem pior. É graças a eles que vamos conseguindo ter algum equilíbrio demográfico e na balança da segurança social. Mas disse mais, a senhora alta-comissária. Referindo-se directamente aos ingleses, acrescentou: Vamos conseguir demonstrar que somos diferentes e que não vamos fazer aos imigrantes aquilo que actualmente nos estão a fazer no Reino Unido.
Duas perguntas:
a) não devemos ser xenófobos com ninguém, excepto com os malandros dos bifes?
b) que fazer com os imigrantes que não se reproduzam ou que estando, por exemplo, doentes ou no desemprego, emperrem a balança?
Resumindo: há umas senhoras que na sua infinita indulgência me lembram demasiado a Cilinha, a tal que referindo-se à especificidade do colonialismo português e seus pretinhos ainda hoje jura a pés juntos: "Nós [portugueses] éramos fantásticos. Os outros tratavam-nos a chicote, como bichos. A nossa África era completamente diferente. Eles ainda hoje têm saudades".
E a isto também se podia chamar beatice chic e update.