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29/10/11

À espera dos bárbaros

Cavafy, o grego, não conheceu Kadhafi, o líbio. Este, chefe de Estado entre 1969 e 2011, foi assassinado a 20 de Outubro último.
A sua morte foi registada em directo; a não ser que — à semelhança de No Palácio do Fim de Martin Amis — Senad el Sadýk el Ureybi — o rebelde líbio que disse perante as câmaras não lhe agradar “a ideia de ele ser capturado vivo” e daí ter-lhe dado dois tiros, “um na cabeça, outro no peito” — se tenha enganado no alvo e atingido tão-só um sósia.
Não vi o vídeo e para o caso tanto faz. Não vi, como não vi o da criança chinesa atropelada, do enforcamento de Saddam ou da decapitação de Daniel Pearl. Em jovem assisti, por militância cultural, a 120 Dias de Sodoma de Pier Paolo Pasoloni. Enouhg is enough.
Leio agora que foram divulgadas mais imagens dos últimos momentos do alucinado, que apenas acrescentam crueldade à crueldade. Entretanto, o Ocidente festejou a queda do ditador — um “líder carismático”, nas palavras de José Sócrates (convidado de honra do 41º aniversário da revolução líbia), que ainda em finais de 2007 acampava no Forte de São Julião da Barra, era recebido com pompa pelo governo português e até dava “aulas” sobre os “Problemas da Sociedade Contemporânea” na reitoria da Universidade Clássica de Lisboa.
Não se pense, porém, que a hipocrisia foi exclusivo da “diplomacia económica” de Sócrates/Amado.
Aznar,González, Prodi, Berlusconi, Sarkozy, Putin, Barroso, Lula, Chávez, Fidel, Condoleezza Rice, Obama… nenhum faltou ao beija-mão. A alguns narizes, o smell do petróleo cheira melhor que o nº 5 da Chanel.
A indiferença com que reagiram à ignomínia do assassínio do homem diz bem do novo paradigma que assinala o caminho do declínio: em vez das públicas virtudes, Estado de Direito e tal, acção directa, no caso, versão kiss, kiss, bang, bang.
É o regresso ao Far West, mas sem bons — só feios e maus.
Citando Cavafy, o poeta que não conheceu Kadhafi: “E agora, que vai ser de nós sem os Bárbaros? Essa gente, mesmo assim, era uma solução”.

27/10/11

The feminine touch

E andou aquele génio chamado Edite Estrela a vender a ideia que "haverá mais paz com mais mulheres em altos cargos políticos".
É só confirmar aqui o "MRPP style" de Ana Gomes ou assistir à gargalhada de tendência clássica de Hillary Clinton neste vídeo.
Sobre mulheres civilizadas, ficamos conversados.

20/10/11

Muammar Khadafi: kiss, kiss, bang, bang ou "o strip-tease do nosso humanismo"*










Primeiro foi o Bin Laden. Agora o Muammar Khadafi. Capturá-los, tá quieto. Julgá-los, daria muito trabalho...
Pessoalmente, acho o mundo menos poluído. Mas, por favor, não se armem em virgens.

*Jean-Paul Sartre in Prefácio a Os Condenados da Terra de Franz Fanon [e eu nem sou fã do existencialismo]

23/02/11

Há cinco meses era visita de casa, agora chama-lhe "anacrónico" (Aqui)

Luís Amado, o chefe da diplomacia portuguesa que só abre a boca para dizer asneiras (o que será feito do egípcio antissemita que Portugal queria pôr à frente da UNESCO?) ou, em alternativa, coisas óbvias, foi convidado de Muammar Khadafi em Setembro último. Comemorava-se o 40º aniversário da "Revolução do Grande Al-Fateh".
Sim, eu sei. A Líbia tem bué petróleo. Mas entre negociar petróleo com a Líbia e partilhar a intimidade do Muammar, há pelo menos a distância que vai de um camelo a uma agulha.
E sobre camelos ficamos conversados.

12/06/09

Silvio Berlusconi, Muammar Kadafi e as 700 virgens

A vida amorosa e sexual de Silvio Berlusconi não me interessa para nada. Compreendo que a legítima tenha pedido o divórcio; o resto é lá com eles.
O facto de Silvio receber Muammar e haver 700 mulheres dispostas a sujeitar-se à palhaçada de participarem numa palestra do ditador líbio (ainda por cima mais feio do que uma noite de trovões, como se diz na minha terra...) jã me parece digno de nota.
Até porque, sejamos rigorosos: segundo o hadith atribuído a Maomé, tal encontro só no Paraíso e nunca com 700: o profeta terá prometido apenas 72, número, convenhamos, bastante mais razoável.

27/07/08

Tudo ao estalo e fé no petróleo

Os suíços, que ninguém pode dizer que não são chatos, meteram-se com o filho do Kadafi porque este aplicou dois pares de estalos a subalternos, não percebendo, e cito fonte líbia, que «leur rapport à la violence est culturellement et politiquement très différent du nôtre». Entretanto, as diferenças culturais já chegaram ao petróleo, com os líbios a ameaçar fechar a torneira aos helvéticos.
Para ficar a saber tudo sobre os meandros deste imbróglio civilizacional, ler aqui .

07/12/07

O que me Ocorre Dizer acerca da Barraca que Muammar Kadafi, o Homem do Livro Verde e agora do Petróleo, Montou em Portugal

A Líbia será uma ditadura "verde", e eu sei que nos hotéis se gasta imensa água e energia e tal — há até aqueles cartõezinhos a pedirem-nos para sermos poupados nas toalhas e nos lençóis — mas, por favor, não me falem em campismo. Ecológico, sem dúvida, mas péssimo para o reumático. E uma pessoa chega a uma altura da vida...