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05/03/09

Fátima Lopes veste a Nossa Senhora e põe-lhe umas coisas na cabeça

A amiga do peito de Manuel de Pinho lá foi de novo a Paris, levada pelo Portugal Fashion. Não vos vou maçar com o que eu penso sobre o facto de, entre todos os criadores portugueses, ser ela a escolhida para desfilar là-bas. Vou apenas deixar-vos com o resumo da colecção.
E cito.
O 21º desfile de Fátima Lopes é uma resposta à crise, pois transborda de beleza e positivismo. Vestida por Fátima Lopes, Nossa Senhora é divina, exuberante, feminina e muito moderna. Desfilando sobre densas nuvens brancas, traz-nos uma colecção em três tons: o preto elegância, o vermelho sangue e o branco pureza.
As formas são esculturais. Obras de arte nos mais nobres materiais e numa infinidade de texturas: seda, rendas, cabedal, camurça, puras lãs e cachemira.
As malas e os saltos dos sapatos são tamanho XXL.
A música, criada a propósito, inspira o majestoso espectáculo.
O que vale a este país é que todos os dias há uma anedota nova!

03/03/08

Traje inovador apresentado pela embaixadora do «Portugal West Coast» em Paris. Diz-se que Miuccia Prada, essa ex-comunista, ficou roída de inveja

Fontes bem informadas garantem-me que Miuccia Prada ia tendo um ataque de nervos (digno de Anna Magnani!) quando lhe fizeram chegar as fotos do desfile de Fátima Lopes em Paris, o tal em que o brasileiro Paulo Coelho se sentou na primeira fila rendido ao apelo esotérico, se não do V Império pelo menos da West Coast.
O elaborado design e o cair elegante das roupas terão posto a italiana aos gritos – Dio, devo telefonare a Donatella! – temendo pela moda do seu país, a mesma que Manuel Pinho pensava ser imbatível em matéria de sapatos.
De passagem pela Feira Internacional de Calçado de Milão, o Ministro da Economia e Inovação provara ser um homem do mundo ao confessar aos jornalistas da SIC: «Eu vinha cá comprar sapatos italianos, mas fiquei tão impressionado com a qualidade dos sapatos portugueses que vou levar sapatos portugueses».
Hélas, como a Feira de Milão não faz vendas directas ao público, o bem informado ministro não conseguiu comprar nada, nem sequer um par de botas.
Fotografia de Christophe Becker

26/02/08

A West Coast à conquista de Paris ou: Há tipos com uma sorte do caraças. Chegam aos sítios e dão logo com as coisas

A razão do título deste post está na seguinte notícia: o ministro da Economia, Manuel Pinho, entrou este sábado numa loja de Paris, ouviu franceses a falarem de estilistas portugueses, e declarou-se convicto de que a moda está a ajudar a mudar a imagem de Portugal além-fronteiras. (...) Foi nas compras (...) que Manuel Pinho ouviu franceses falarem «espontaneamente dos criadores de moda portugueses».
Longe de mim duvidar da palavra de um Ministro, mas não terá Manuel Pinho feito confusão com os nomes? Por exemplo, alguém falou em Alberta (de Ferretti) e ele percebeu Fátima (de Lopes) [isto em pronúncia francesa (leia-se alberrtá e fatimá), e com toda a gente aos gritos a atirar-se ao último saco da Prada é bem possível de acontecer]; ou então alguma parisiense que exclamou «J'adore tout ce qui est Gaultier» e, no seu desejo inconsciente de ser amado, Manuel Pinho ouviu «J'adore tout ce qui est portugais».
E perguntarão agora os eventuais leitores deste post: «Mas se o Ministro, ficámos a saber, é fã confesso da moda nacional, porque é que foi a Paris às compras?»
Não sejam maldosos. As compras foram apenas um desvio recreativo. Manuel Pinho foi a Paris trabalhar. A saber: assistir ao desfile de Fátima Lopes organizado pelo Portugal Fashion (associação subsidiada, entre outros, pelo ICEP), no âmbito da Semana de Prêt-à-Porter Paris, e divulgar, já que lá estava, suponho, o «Portugal Europe's West Coast».
Em boa hora o fez. Sentado no desfile da amiga, Paulo Coelho, o brasileiro alquimista, rendeu-se à campanha e, dizem, prometeu divulgá-la em breve naquele canal de cabo esotérico onde se está sempre a ouvir uma voz a dizer: Abra a sua mente!
Face a tanta modernidade, pro-actividade, excelência e rigor nos resultados, três singelas perguntas:
1. Porquê Fátima Lopes para representar Portugal quando, é unânime, a sua roupa é do menos interessante e elaborado que se faz em Portugal?
2. Porquê Fátima Lopes e não Luís Buchinho, um criador com provas dadas, e até agora presença habitual da Semana de Moda parisiense?
3. Enfim, e como diria o capitão Archibald Haddock: bougres de faux jetons à la sauce tartare, porquê a West Coast?!