Mostrar mensagens com a etiqueta Parque Escolar E.P.E.. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Parque Escolar E.P.E.. Mostrar todas as mensagens

18/03/12

"Contrariedades" — resumo já desactualizado da semana que passou ou de como Portugal não pára de mudar mas sem sair do mesmo sítio

Não será por falta de assunto mas o caso é que, resultado quiçá da chuva que teima em não cair, me sinto o avesso do Cesário, o qual, por esta altura, “cruel, frenético, exigente”, já teria fumado “três maços de tabaco/ Consecutivamente”.
A meteorologia atordoa-nos, a crise envolve-nos num spleen que não favorece os franchising. Talvez não venhamos a morrer de fome; definharemos certamente de tédio antes de pagar à troika.
Álvaro sai ou fica na “zona de conforto”? Cavaco disse ou não disse aquilo que disse ou não disse (quem, com este calor, conseguirá ler “na íntegra” o prefácio de “Roteiros VI” conforme sugestão do seu autor)? Aceitará Bruxelas que as vacas em “modo de produção biológico” se tornem, a pedido de Assunção Cristas, vacas em modo de produção semi-biológico (às 2ªs, 4ªs e 6ªs comem ração, nos outros dias comem feno)? Fará escola a expedita ideia de Pedro Mota Soares, ministro que, a propósito de lares para a 3ª idade, se propôs combater a solidão dos velhos aumentando o seu número por quarto, permitindo-lhes, assim, ficar bem mais juntinhos? Continuaremos a discutir o excessivo bom gosto da Parque Escolar até chegarmos à subjectividade do juízo estético kantiano? Manter-se-á Portugal no “bom caminho”, aquele que acaba de nos conduzir ao segundo lugar do pódio do desemprego dos países da OCDE, ou antes da silly season derrubaremos a pole position espanhola, motivo mais do que suficiente para ressuscitar o feriado do 1º de Dezembro? E a língua portuguesa? Prosseguirá ela em movimento acelerado, até que possamos, finalmente, escrever “aver” em vez de “haver”?
Tanta pomba assassinada, tanto assunto para Farpas e só nos saem casa(s) na escuridão e em minúsculas. A propósito, 2+2 já somam cinco?
Imagem daqui

10/03/10

Uma Aventura em Beja, por Isabel Alçada

Ainda o mundo não se refez das trapalhadas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da Terra fora dos eixos e dos 44 terramotos dos últimos 3 meses, e eis que Isabel Alçada aterra em Beja e confunde ainda mais os portugueses, já de si bastante confundidos com as previsões dos Maias e as declarações na Comissão de Ética.
A nossa Enid Blyton, agora promovida a ministra da educação, confrontada com o facto de chover dentro de um pavilhão gimnodesportivo acabadinho de construir pela empresa Parque Escolar (o Tiago Mota Saraiva explica-vos melhor do que eu do que se trata) avançou uma explicação extraordinária.
Disse ela: Foi-me dito que o miniclima de Beja está relativamente diferente, graças ao Alqueva, que refrescou a cidade, e que tornou um pouco mais húmida esta zona.
Não faço ideia de quem lhe terá dito tal coisa. Não faço ideia do que seja um "miniclima". Mas concedo. Talvez esse facto conste das profecias Maias. Talvez seja até uma miniverdade científica. O que é que isso poderá ter que ver com um pavilhão meter água, ora aí está um mistério que nem lendo por masoquismo a série inteira uma aventura se conseguirá esclarecer.

09/02/10

Manifestações


Corre na NET a petição Todos Pela Liberdade que inclui convocatória para manifestação, quinta-feira, às 13 horas, em frente à Assembleia da República.
Há muitos anos que não vou a manifestações. A primeira vez que me vi – involuntariamente – metida numa foi, ainda menina e moça, no Festival de Jazz de Cascais, salvo erro em 1973, quando a polícia de choque investiu forte e feio nos espectadores, um deles a perder terreno na fuga por conta dos insultos que não se coibía de lançar sobre as forças da ordem e as forças da ordem a aproximarem-se cada vez mais e eu aos berros “Corre! Corre!” e tudo acabou comigo no carro de um amigo dos meus pais a chorar de raiva e impotência e o desconhecido no chão a levar um enxerto que lhe devem ter aberto a cabeça.
Não penso ir a esta, apesar de se prever bem mais calma*. Não porque não preze a liberdade. Olá se prezo! Não porque me sinta incomodada por participar numa manifestação ao lado de pessoas com as quais pouco ou quase nada terei em comum (não vale a pena estar sempre a citar aquela frase do não concordo nada com as suas palavras mas defenderei até à morte o seu direito a proferi-las e tal e tal). Não, certamente, por obscuras e requentadas elucubrações ideológicas. Nem sequer por causa da treta pragmática da alternativa ou da falta dela.
A razão é outra. É porque vi, com estes que a terra há-de comer, que a liberdade (de imprensa, que julgo ser aquilo que está fundamentalmente em causa aqui) tem muito menos que ver com Sócrates, himself, do que com uma vaga de fundo que começou a varrer o jornalismo há um par de anos, com a demissão (compulsiva) de poucos e a demissão (acobardada) de muitos – bastante antes de haver faces ocultas que favorecessem o medo.
Explicada a minha discordância, se alguém quiser convocar uma manifestação contra isto – força!

* o que não me impediu de assinar a petição por concordar genericamente com ela