Não vejo televisão e nunca vi o telejornal apresentado pela Manuela Moura Guedes.Há muitos anos, quando ela decidiu que queria ser deputada, entrevistei-a. Achei-a vaidosa, ingénua e com falta de mundo.
Da actual jornalista, recordo uma música que ela cantou na juventude e aquele gesto de cabeça à Miss Piggy enquanto anunciava pleonasticamente: «Olá, boa-noite! Sou a Manuela Moura Guedes».
Agora, como toda a gente, sei que o Jornal Nacional de sexta-feira foi suspenso. Acusou-se Juan Luis Cebrián, presidente da Prisa, grupo espanhol que manda na TVI e não esconde simpatias pelo partido de Zapatero, de ser responsável pela medida. Entretanto, a Prisa veio desmentir, dizendo que a decisão foi tomada pela direcção de Lisboa.
No meio disto tudo, cita-se Sócrates (antes de se ter travestido em santinho) mais a sua aversão confessa pela Manuela Moura Guedes.
Não faço ideia se alguém pegou no telefone. Não faço ideia se alguém foi dar recados. Não faço ideia se alguém anda a pensar no futuro. Que o silenciamento, a tão pouco tempo de eleições, é conveniente, é. Embora possa também tornar-se incómodo por confundido com censura.
Como vivemos em pleno darwinismo político (e Darwin não é para aqui chamado mas sim Spencer), entregues a gente sem crédito nem insónias, acho que tudo é possível.
É que os denominados mais fortes são demasiadas vezes os mais estúpidos. Como a História dos homens vem provando à exaustão. E só por isso não me admiraria nada.