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06/05/08

What's in a name, ou melhor, what's in a mestrado? Comentários servidos na Pastelaria a propósito do Allgarve, golfe e respectivos mestres

De um comentarista que assina Tonecas Melga, recebi o seguinte apelo:
Queria fazer um Mestrado em Tomates e Salpicões. É coisa que se coaduna muito bem aqui por Montalegre. Temos muitos tomates e muitos salpicões. E damos emprego e vazão a todos. Será que posso fazer o Mestrado aqui na zona, ou tento fazê-lo aí no Algarve? Preciso de uma licenciatura na área da agropecuária, ou basta-me por exemplo um Mestrado em gestão / manutenção de campos de golfe?
Dado que o post comentado por Tonecas Melga tem originado bastas intervenções, que vêm chegando apropriadamente a contagotas, retomo o assunto. Com uma certeza: a parvoíce não tem fronteiras. O que, por sua vez, confirmará a frase atribuída a Einstein: «Só duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana».

13/03/08

04/01/08

Gente Singular*

Juro que não ia falar de tabaco. Nem sequer para prestar solidariedade ao presidente da ASAE, apanhado a fumar no Casino do Estoril depois da entrada em vigor da lei que proíbe o fumo, a qual será fiscalizada pelo próprio organismo a que preside António Nunes. Sobre o acontecido, e já que voltei ao tema, só quero dizer o seguinte: antes aldrabão que fascista! (A propósito de casino, recordo que nem os norte-americanos, pioneiros da luta antitabágica, se lembraram de proibir o fumo aqui).
Como resistir, porém, a esta matéria pícara vinda directamente do Sul? (Relembro que o Sul é aquela direcção que
Pedro Bidarra nunca saberia apontar por muito xerém que comesse). Transcrevo:
Um auto «foi levantado no Algarve, terça-feira, pouco antes de almoço, quando o proprietário de um café da Fuzeta, concelho de Olhão, chamou a GNR para autuar um cliente que se recusava a apagar o cigarro. Chegada a patrulha, o prevaricador e seus cigarros já tinham partido e o dono do café não conseguiu identificá-lo para posterior autuação. Contudo, os militares da GNR acabaram por multar o dono do estabelecimento, porque não tinha colado os obrigatórios dísticos de proibição de fumar. "Se ainda estivesse no café, o próprio fumador poderia sempre ter alegado que não sabia se era proibido ou não fumar, porque nada o indicava naquela casa", enfatizou à Lusa uma fonte da GNR».
Pela parte que me toca, fico feliz: multou-se o bufo, ilibou-se o fumador. Este saiu à francesa, àquele saiu-lhe a coima e como prémio de consolação uma praga da Fuseta. Por exemplo:
«Deus permita que venhas a morrer afogado numa pia de água benta!»
* Título roubado a um conto de Manuel Teixeira Gomes, escritor algarvio e Presidente da República entre 1923 e 1925, tendo resignado ao cargo.

26/12/07

Portugal como Vontade e Representação

«Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo». Eis o que nunca poderia dizer porque Portugal nunca me disse muito – e uma acidez espasmódica galga-me a boca do estômago quando me falam de pátria. [Nada escrevo de original. José Cardoso Pires registou-o em Alexandra Alpha: «Isto não é um país, é um lugar mal frequentado».]
A imagem – a pedir uma dose reforçada de Alka-Seltzer – é contrária à poética das coisas belas, eu sei. Também sei isto: «Metade da minha alma é feita de maresia». Nasci no extremo Sul: a geografia vale tanto como a genética.
Dir-me-ão: «E o Cavaco?». O Cavavo é um «montanhêro», na feliz definição do meu descansado tio, algarvio da borda d’água, que a reservava com parcimónia a todos os que tivessem nascido a mais de três quilómetros do mar.
Pouco importa já aquele que o poço trocou pela fonte. Dada a mudança acrescida de estatuto existencial – de primeiro-ministro infalível ascendeu a chefe de Estado dilacerado pelas dúvidas [não aprovo/ aprovo/ não aprovo/ aprovo/ Ó MARIA!] – só o futuro próximo lhe fará, ou não, justiça. Daqui a 9 meses, aproximadamente, virá a público o resultado do seu lancinante grito: «Eu não acredito que tenha desaparecido dos portugueses o entusiasmo de trazer vidas novas ao mundo!» O meu tio está morto, logo, incapacitado. Se não estivesse, esta história da West Coast teria acabado com ele.
Com a Primavera veio o Allgarve: 9 milhões de euros gastos numa campanha mundial decidida pelo inefável Ministro da Economia e Inovação (?), Manuel Pinho. [É verdade que nessa altura era-lhe impossível saber que, sem custar um tostão a Portugal, Gerry McCann viria a organizar no Verão a maior campanha de marketing a que o Algarve já assistiu desde o tempo em que era reino.]
Em pleno Inverno do nosso descontentamento chega a cowboyada da West Coast: «Como pode uma marca que é a 23ª do mercado, que tem fraca e até má reputação, pobres argumentos, baixo preço e uma desmotivada força de vendas, dar a volta por cima e criar um grande impacto no mercado?». A marca – e depois eu é que falto ao respeito à pátria... – é Portugal.
«Portugal é visto como um país do Sul. Um país de Sol e Mar mas também de subdesenvolvimento, iliteracia, corrupção e dos recorrentes indicadores estatísticos de miséria. O Sul é o filtro que nos condena a sermos vistos como somos». Ora a merda!!! [e olhem que na minha família não somos de dizer asneiras].
Continuemos a ler Pedro Bidarra, grau 33 em marketing e publicidade e responsável da campanha: «Sem ser exaustivo, digamos que o Sul tem bom tempo, calor, gente simpática, boa comida, paz, esplanadas e dolce farniente; e tem subdesenvolvimento, gente pobre e iliterada, corrupção e os indicadores estatísticos de miséria» [sem ser exaustiva: serei da gente pobre e iletrada ou da simpática e corrupta?].
E o que é que tem a West Coast? Ah! Ah! Segundo a mesma luminária tem «associações "aspiracionais" – Hollywood ou Silicon Valley, por exemplo – que sem nada termos que fazer contaminam o conceito positivamente, tornando-o mais glamouroso e mais cosmopolita. Depois há as pontes e colinas de Lisboa e S. Francisco, o Vale do Douro e o Napa Valley, a aridez da Baja Californiana e o nosso Alentejo, coincidências felizes que é só aproveitar
Se isto fosse mesmo a West Coast ou eu a Calamity Jane esse tal Bidarra mais o Pinho do costume haviam de comer pó. Em memória do meu tio. Amen (e com glamour aspiracional).

01/07/07

Descanso merecido

Oh meu ardente Algarve impressionista e mole,
Meu lindo preguiçoso adormecido ao sol,
Meu louco sonhador a respirar quimeras,
Ouvindo, no azul, o canto das esferas

Versos de João Lúcio

18/06/07

Algarve: questão que eu tenho comigo mesma

Estive no Algarve, ali para os lados da costa vicentina, onde a pressão imobiliária também se faz sentir, não pensem, só que menos em altura e mais em comprimento. Em Alzejur, terra sem praia e, por isso, menos castigada pela construção, só na vila contei quatro museus!!! Infelizmente - arrisco, porque não sei se valiam a visita -, estavam todos fechados: domingos, segundas e feriados não há nada para ninguém. Quanto ao posto de turismo, idem aspas: ao fim-de-semana não dão informações. O castelo encontrava-se aberto, mas suponho que só porque não vale a pena trancá-lo: um resto de muralha sem data nem história que se perceba, com a devida pincelada de cimento e o interior ao abandono. Já não dá sequer para Pousada. E voltei a lembrar-me do O'Neill
«ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!»