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27/04/10

Como os temas fracturantes me aborrecem um bocadinho e de momento não estou virada para o Lenine nem para a Comissão de Ética tomem lá o Brendan Behan

"Não faz sentido falar de homossexualidade como se fosse uma doença. Já vi pessoas com homossexualidade, tal como já vi pessoas com tuberculose, e não há qualquer tipo de semelhança.
A minha atitude em relação à homossexualidade é muito semelhante àquela mulher que, aquando do julgamento de Oscar Wilder, disse que não se importava com o que faziam, desde que não o fizessem na rua e não assustassem os cavalos."
in Nova Iorque, ed. Tinta da China

15/04/10

Silogismos de pendor aristotélico a propósito das declarações de Tarcisio Bertone ou, literalmente, da relação entre o cu e a batina

Percebo que o Vaticano tenha vindo tentar pôr água na fervura [embora não tenha entendido bem a especificidade da pedofilia entre o clero versus pedofilia em geral].
Feita a ressalva, a verdade é que até a mim escapara o modo como as declarações do cardeal Tarcisio Bertone, que pretenderam estabelecer uma relação causal entre homossexualidade e pedofilia, poderiam ser favoráveis à Igreja.
Senão vejamos. Em traços gerais, o que o cardeal disse foi:
1. Não há relação entre celibato e pedofilia
2. Há relação entre pedofilia e homossexualidade.
Aceitemos a bondade das afirmações proferidas. Temos assim:
1. Todos os padres são celibatários
2. Alguns padres são pedófilos
3. Não há relação entre celibato e pedofilia
4. Há relação entre pedofilia e homossexualidade
5. Todos os padres são celibatários e alguns, além disso, são pedófilos e homossexuais
Conclusão: 3 em 1?
Nota: A questão central que o Cardeal Tarcisio Bertone parece ter esquecido é que a pedofilia é crime e a homossexualidade não.
Quanto à relação causal – pretensamente baseada em estatísticas – vale o que vale. Ou seja, zero.
O que me recorda uma anedota lida algures online: 33% dos acidentes de trânsito envolvem pessoas embriagadas. Logo, 67% envolvem pessoas completamente sóbrias. Conclusão: é sempre preferível conduzir bêbedo.

20/07/08

Adopção e tal e coisa...

Queria chamar a atenção para uma coisa: qualquer besta pode ter filhos. A capacidade de reprodução da nossa espécie não está sujeita a nenhum crivo prévio de selecção e, sendo assim, criaturas que engomam crianças com ferros quentes, as espancam porque choram demasiado à noite, as sujeitam ao mínimo denominador comum dos beijinhos e festinhas substituindo-os por televisão ou computador no quarto, as entregam aos cuidados de terceiros porque andam demasiado ocupadas com a carreira ou com a festa da Bibi (e não falo de nenhuma Bibi em particular, até porque não conheço nenhuma…), ou as usam para se promoverem socialmente estão todas à-vontade para criarem famílias tradicionais.
Vem isto a propósito da discussão sobre a possibilidade de casais homossexuais poderem – ou não – adoptar. Discussão que segue a outra, sobre a possibilidade de os casais homossexuais poderem – ou não – casar.
Quanto a esta última, o único argumento que me ocorre é o seguinte: se os homossexuais querem dar o nó, o que é que o Estado tem que ver com isso? Será pouco elaborado, mas serve para recordar que, como já sabia o velhíssimo William de Ockham, a parcimónia é preferível às explicações rebuscadas.
Quanto à adopção por homossexuais, a realidade dos factos – a de que qualquer besta pode ter filhos – deveria levar os seus opositores a reflectir um pouco mais no assunto. Eu, pessoalmente, não tenho dúvidas. Se faltasse à minha filha mais nova (e aqui bato na madeira quatro vezes), há um casal amigo formado por dois homens que a trataria como uma princesa.
A mim, são coisas destas que me fazem pensar.