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12/07/13

Das elites

Assunção Esteves chumbaria em qualquer exame de hermenêutica.

Veja-se a sua singela interpretação da frase de Simone de Beauvoir, "não podemos permitir que os nossos carrascos nos criem maus costumes".
Diz Assunção: "Carrasco significa qualquer elemento de perturbação. Sem querer ofender nada nem ninguém. Significa que quando as pessoas nos perturbam, não devemos dar atenção."

Se era para tamanha profundidade, mais valia ter citado a Simone de Oliveira.

Ler a notícia AQUI.

06/04/12

O valentão do Chiado ou das regras da pancadaria

Não era no tempo em que os animais falavam, mas decerto bastante anterior à decisão de proibir o fumo à mesa dos restaurantes. Veneziana, há muito que seria de mau-gosto perguntar-lhe a data de nascimento e, ainda assim, a sua presença não passaria despercebida ao mais míope dos comensais.
Mistura improvável de Anna Magnani com Monica Vitti, tendo terminado le pere al vino rosso, lançou-me um wildeano le dispiace se fumo? e eu, incapaz de contrariar uma senhora que teria sobrevivido pelo menos a duas guerras mundiais, limitei-me a um gesto de assentimento por ter a boca cheia e a infeliz mania de confundir italiano com espanhol. Acendeu o cigarro com o que me pareceu uma boa dose de volúpia e rematou enfumaçada: “Hábito novo, o de perguntar. Afinal, eu sou do tempo em que os homens fumavam charuto e andavam a cavalo”.
A primeira vez que presenciei a polícia de choque em manobras os homens já não andavam a cavalo, salvo a força da GNR e os campinos da lezíria ribatejana.
Festival de Jazz de Cascais, creio que 1973. A polícia carregou e um dos espectadores, intercalando a fuga com paragens momentâneas para insultos à autoridade, perdeu sucessivamente terreno até acabar no chão sob uma saraivada de golpes.
Não seria a única vez que tive o desprazer de ver cassetetes ao vivo e a cores. Confesso que nunca me habituei. Ainda hoje é uma coisa que me chateia. Afinal, até a pancadaria tem regras.
Se der um estalo não é suposto levar um tiro em resposta. Se tirar uma fotografia, não é suposto levar chibatadas ou acabar no hospital. Jornalista ou não jornalista. Falo da regra da proporcionalidade de que já falava Aristóteles, um apreciador da arte equestre que nada sabia de charutos.

15/11/11

Para isto, minhas senhoras e meus senhores, é preciso coragem e o resto é conversa

Chama-se Aliaa Elmahdy e é egípcia. A poucas semanas das eleições, publicou uma série de fotografias no seu blogue que a fizeram tornar-se notícia em todo o mundo. Não faltará quem venha dizer que a jovem quer é visibilidade, quiçá ganhar uns dólares. A esses, recordo apenas que há países onde toda a nudez será castigada. A sério.

12/12/10

Zé Manel Fernandes: toma, embrulha e esforça-te mais um bocadinho


Os convertidos são sempre os piores. Por isso, ao contrário do Zé Manel Fernandes, o congressista republicano Ron Paul faz as perguntas certas.

E fá-las no pressuposto — não negociável — de que in a free society, we are supposed to know the truth. In a society where truth becomes treason, we are in big trouble (e esta também podia ser para o Pacheco Pereira).

DAQUI.

10/12/10

Enquanto não mando imprimir a T-shirt com os dizeres surprise me! [if you know what I mean] deixo-vos com a Morgada de V. que ficam muito bem

ESTE POST, PARECENDO QUE NÃO, É POLÍTICO

“But the Almighty Lord hath struck him,
and hath delivered him into the hands of
a woman.” — The Vulgate, Judith, xvi. 7

Nietzsche dizia que a prova da inferioridade das mulheres se via no facto de terem passado milénios na cozinha sem terem desenvolvido uma teoria geral da nutrição, mas isso foi porque levou tampa da Lou Salomé e da Cosima e por causa de umas sanchas que lhe caíram mal.
Ceci dit, há que reconhecer que nem sempre usámos os ingredientes ao nosso dispor para cozinhar a revolução. Exemplos históricos da união feminina em prol da mudança social? Lísistrata & as Mães de Bragança.
Dir-me-ão que o primeiro caso é de ordem ficcional, e o segundo é mau demais para ser verdade, mas é não ter em conta o poder dos arquétipos na conformação da realidade. Em ambos os casos, as mulheres usam o sexo com a mesma extensão dos poderes do Presidente da República: vetam. Dar o corpo ao manifesto, que é bom, népias.
O que faz o mulherio, nomeadamente de esquerda, perante o cerco à liberdade de expressão que nos preocupa a todas? Googla fotos do Assange e suspira (...). Ora os tempos que atravessamos exigem novas formas de luta, formas criativas de luta. Quando alguém é vítima de uma acusação caluniosa, não falta quem venha dizer “somos todos vítimas-de-manobras-caluniosas”, numa espécie de “je m’accuse” solidário; como não podemos ser o Assange, resta-nos o “queremos todas ser surpreendidas pelo Assange”.
Enfim, para quando um movimento “Surprise me”? Seria uma espécie de let’s call the girls bluff of, porque ninguém ignora que a acusação de violação – mesmo a violação between consenting adults, como parece ter sido o caso – tem o poder de uma mancha de crude a alastrar pelo oceano, indeferindo liminarmente o contraditório e levando ao arquivamento do sentido crítico da opinião pública internacional.
Mulheres de todo o mundo, uni-vos! Não é só a liberdade das sociedades ocidentais ou a reputação do Assange que justifica o apelo às armas, é também a reputação feminina que está em causa: aquela loira gira que acusa o Assange e a outra que não aparece nas fotos mas também não deve ser má são as últimas de uma longa lista de castradoras sexy encabeçadas por Salomé, Judite e Dalila, o mito da mulher que faz perder a cabeça ao desprotegido sexo forte.
Urge demarcarmo-nos destes baixos agissements. Acredito que nem todas achem o Assange simpático, que haja quem prefira homens mais baixos ou mais gordos, ou que agora não lhes apeteça; mas a causa da liberdade exige sacrifícios e abnegação, e as refractárias podem sempre seguir os conselhos das Braganza mothers’ mums: lie back and think of Sweden.

07/12/10

A maior ironia disto é que num filme americano Assange seria o herói


O cinema americano gosta de heróis solitários. É por isso que assistir ao vivo à perseguição do australiano Julian Assange tem um certo sabor a sétima-arte. Com todos os ingredientes. O "fugitivo" tem atrás de si os bancos, os governos, as polícias, as grandes empresas e mais duas duas louras loucas que o acusam de "sex by surprise" (o que prova desde logo que a ginástica sueca foi claramente destronada pelo Pilates).
E qualquer semelhança com uma história de Phillip K. Dick não será mera coincidência.

05/12/10

Estar com ou contra Julian Assange [porque há coisas que são mesmo assim: ou preto ou branco]


Uns querem vê-lo morto. Outros querem vê-lo preso. Há quem lhe chame anarquista e há quem lhe chame embusteiro. Para mim, Julian Assange é um herói.
Eu sei que a palavra não faz as delícias de uma certa esquerda (a luta de classes como motor da história e tal…), e que a direita, tradicionalmente, embora aprecie o termo neste caso não o adopta.
Dito isto: as últimas revelações da WikiLeaks não são sobre o botox do Muammar al-Gaddafi, como alguns pensam ou pensaram. A prova está na escala da perseguição a que se viu sujeito Assange desde que os telegramas diplomáticos começaram a vir a público.
A coisa foi em crescendo. Com os pretos do Quénia, claro, ninguém se importou muito. A guerra no Afeganistão e no Iraque fez mossa, mas quem no seu juízo perfeito ainda acredita na treta do War on Terror?
Quando se chegou à diplomacia, o que aconteceu foi que os EUA foram expostos ao ridículo (e também, precisamente, por causa do botox do outro). A ameaça pende agora sobre um Banco e sobre a Indústria Farmacêutica e com esses não se brinca. Mesmo.
Aos que duvidam da idoneidade da WikiLeaks ou defendem o secretismo estatal (muito ou só um bocadinho…) apenas queria dizer isto: tivesse existido a WikiLeaks há mais tempo e coisas como as sanguinárias ditaduras latino-americanas (diplomaticamente preparadas pelos EUA) não teriam existido. Resta-nos o consolo de que, no futuro, talvez os militares dos Apache comecem a ter mais cuidado quando brincam ao tiro ao alvo.
*O vídeo acima não é para Pessoas Sensíveis.