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Vasco Pulido Valente, "Uma farsa". Público. 23.10. 2009
Ou como me dizia um amigo: «É como se alguém lesse as Fábulas de La Fontaine e achasse que aquilo era mesmo sobre cigarras e formigas».
Já depois de ter feito este post, descobri que há um kit Saramago ateísmo para donas de casa modernas, e que aos 100 primeiros compradores serão oferecidos action man de José Saramago.
Não podia deixar de vir acrescentar estas preciosas informações.
20 comentários:
É particularmente interessante que um indivíduo que escreveu uma série de romances alegóricos e fantasiosos recuse aos outros livros o tipo de leitura que reclama para os seus. Ou devemos achar que na cabeça de Saramago há mesmo uma possibilidade da Península ir por aí à deriva, ou da gripe A ser relegada para segundo plano por uma cegueira geral inexplicável?
cegueira ou burrice?
A crónica do Vasco Pulido Valente que a Ana Cristina Leonardo parcialmente transcreve é um nojo. Atacar alguém com base na sua (pouca) escolaridade parece-me um pouco idiota.
Devo dizer que li o Memorial de um Convento com bastante prazer. Interrompi a leitura das Intermitências da morte (o ritmo cansa-me um bocado, mas gosto da ideia).
Compreendo o que dizem sobre as leituras fantasiosas, mas, no pequeno debate na TV entre Saramago e o Padre Carreira das Neves, não fiquei com a ideia que Saramago recusasse outros tipos de leituras. A ideia com que fiquei é que ele apenas admite, também, a leitura literal e faz um exercício sobre isso mesmo.
Resta-me dizer que não li a bíblia nem o Caím.
Carlos, acho que está a ser injusto. Porque não se trata de atacar ninguém pelo grau de escolaridade. Trata-se de reconhecer que a escolaridade é importante. Coisa, aliás, que a própria Igreja sabia e por isso insistiu tanto tempo no latim como língua oficial (da Bíblia e da missa)
F, fazer leituras literais é o que faz qualquer fundamentalista. De um escritor, como diz o Rui, espera-se uma maior abertura à metáfora. Pelo menos.
O que é um facto é que não ouço/leio falar/escrever sobre outra coisa.
«É a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória.»
Lamento, mas não há outra leitura: isto é ridicularizar e desqualificar alguém com base na sua pouca escolaridade. Aliás, a crónica é quase toda dedicada a isso. Claro que VPV é livre de o fazer, como eu sou livre de achar que é lamentável. Ou, dito de forma mais expressiva, um nojo.
Quanto à exegese dos textos bíblicos, que é aquilo a que todos se agarram para atacar Saramago, lembro que ainda há poucos anos a própria Igreja não era muito favorável à interpretação dos textos bíblicos. Sabe que escreveu sobre isso, não propriamente defendendo a Igreja mas antes o direito à blasfémia? Pode conferir aqui: http://o-espectro.blogspot.com/2006/03/o-direito-blasfmia.html Enfim.
(Já agora: não li isso no blogue da Ana Cristina, mas toda a gente gaba o estilo do VPV. Eu também acho o estilo importante, mas valorizo-o mais na literatura propriamente dita. Na crónica social e política prefiro o conteúdo, de preferência decente e com alguma ética. Mas que sei eu. Se calhar sou eu que sou sisudo.)
Pronto. Depois de reflectir um bocadinho cheguei a esta conclusão.
tb acho pateta e não são ideias de trolha, por ser trolha, poupem-me
são ideias de zangada mas não por ser trolha ou semianalfabeto
Leonidas, andas pelo Sul? Pelo Gharb?
fallorca, regressei há pouco e estou prestes a voltar. Porque perguntas? Também tu?
Carlos Azevedo, sisudo! Também? Ó caraças.
F. e concluiste muito bem
Margarete, não percebi nada mas uma pergunta: estás a favor ou contra os trolhas?
não há paciência para a alusão à formação académica para justificar a idiotice de outrem
ademais, não consigo deixar de imaginar que a pessoa tem de ter (nem q seja altamente secreto)enorme défice de auto-confiança para ter de recorrer a tal argumento
qt aos trolhas, neste momento, por ex, estou contra 1 trolha, o Sr Julio que não vai lá a casa antes de Sábado p/arranjar o telhado
... mais do que isto é Jesus Cristo,
que não sabia nada de finanças,
nem consta que tivesse biblioteca...
Rui Tavares, bem menos sisudo do que eu, na edição de hoje do Público:
«Chego à polémica sobre o novo livro de José Saramago com mais de uma semana de atraso.
Espero que me perdoem. Aproveitei para ler o livro.
Sim, eu sei que não era propriamente necessário, mas que diabo, um dia não são dias. Caso contrário, pensei, restar-me-ia dizer que Saramago é um ignorante filho de ignorantes cuja opinião não precisa de ser considerada. Ou sugerir que qualquer medíocre com disciplina pode ganhar um Nobel da Literatura - tal como eu, se treinar muito o drible e o chuto na bola ainda poderei um dia chegar a Eusébio. Ora ninguém me paga para escrever a crónica de Vasco Pulido Valente, não é verdade?»
Definitivamente, o meu voto para o Parlamento Europeu foi muito bem empregue!
O F foi Fantástico ao referir Fernando (Pessoa).
Sofia Aguarela.
Ainda hoje estive a reler o Génesis. Se aquele deus é cruelmente gratuito, no que se segue passa a deliberado. Não há ali metáforas. O sentido que se retira é o do domínio do divino sobre o humano. Quem o escreveu, sabia bem como gerir o poder.
Vasco Pulido Valente é um bom exemplo do efeito nefasto das drogas. A nicotina mata tantos preciosos neurónios que as pessoas ficam simplesmente idiotas.
Táxi, essa está MESMO boa! LOL
«Vasco Pulido Valente é um bom exemplo do efeito nefasto das drogas. A nicotina mata tantos preciosos neurónios que as pessoas ficam simplesmente idiotas.»
Outra explicação é a herança do Neanderthal. Se os comentários do Saramango foram, de facto, algo disparatados, a verdade é que o livro, para mim, é muito bom.
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