28/04/09

Tês3 para os Índios já! [ou que se vistam a preceito e animem o turismo com os seus modos picarescos]

Um já está, faltam 7. Foi inaugurado com pompa e circunstância. E foi construído em U para que nem um só hóspede deixasse de ver o mar, dizem. Fica na Meia-Praia, em Lagos, e também dizem que é de luxo.
Serão 8, portanto. Vão dar trabalho a muita gente que nem todos podem ser doutores. Até porque para doutores já nos basta o Pinho e para engenheiros, o Sousa, mais conhecido por Sócrates. Aos índios da Meia-Praia, a esses há que realojados em casas com condições que aquilo é uma vergonha!
Tês3 para os Índios, já!*
Humanize-se, pois, o que resta de costa e de vazio, que os portugueses têm horror ao vazio, como se prova pela mania das esplanadas que depois ninguém frequenta dadas as correntes de ar.
Que mil negócios de betão floresçam, mas agora sem tapar as vistas (veja-se o Estoril-Sol que bonito que ficou assim em degrauzinhos, tipo socalcos do Douro...). Nada de Torremolinos ou Quarteiras: Quintas do Lago é o novo paradigma litoral...
No meio disto tudo, só uma ideia perversa me consola: com a subida das águas prevista por bastos cientistas, pode ser que um dia o betão afunde [sempre se perdia menos do que a casa do Garrett deitada abaixo pelo Pinho].
Triste consolo, porém! O que me lembra, a propósito de "porém", uma frase do meu mestre [um dia havia de citá-la]:
They say Wilder is out of touch with his times. Frankly, I regard it as a compliment. Who the hell wants to be in touch with these times?
*[ou que se vistam a preceito e animem o turismo com os seus modos picarescos]

5 comentários:

fallorca disse...

«Humanize-se, pois, o que resta de costa e de vazio, que os portugueses têm horror ao vazio, como se prova pela mania das esplanadas que depois ninguém frequenta dadas as correntes de ar.»
Aperta cá as ossadas com essas garras bem expostas

lili disse...

Eles lá vão passeando.

No artigo chamam pinto ao Pinho.

N. disse...

"No meio disto tudo, só uma ideia perversa me consola: com a subida das águas prevista por bastos cientistas, pode ser que um dia o betão afunde"

já somos duas.

depois digo (à cadela)com uma certa ironia que herdei do meu tio Américo que dizia que era tudo uma seita: panolas, babe, o "azarinho" é que não vamos estar cá para ver.

cabeça disse...

Ó Zeca. Os indios da meia praia andam na passarela de farrapos pendurados e exaltam um nauseabundo cheiro de corpos em viva putrefacção. Eles não sabem que mortos estão.

Ana Cristina Leonardo disse...

fallorca, tenho razão ou não tenho? Não há buraco nenhum onde o português não tenha que mijar
lili, é verdade, mas que lhe tenham trocado o nome bem feliz me deixa
N., azarinho, MESMO!
Cabeça, os índios estarão mortos, o zeca tb. e eu própria para lá caminho. mas, porra! aquilo é um atentado. já sem índios, ok, mas com cowboys em barda