Jerry Lewis a escrever à máquina em Who's Minding The Store, 1963
* Esta inspirada e inspiradora cena foi deixada pelo Manuel na caixa de comentários do post anterior. Não podia, nem devia, permitir que se confinasse a lugar tão obscuro.
** Sempre que posso, adoro conjugar o verbo pulular.
O antigo, cada vez que eu espirrava, avançava um número. À velocidade a que contava visitantes, a Pastelaria depressa deixaria de ser uma pastelaria para ultrapassar a lotação de cabine do navio onde cabia sempre mais um em Uma Noite na Ópera. Continuam a ser bem-vindos.
Vão-me desculpar o tom repugnantemente confessional deste post mas há mais de três dias que me dói um dente. Cá vai: a Direcção-Geral da Saúde emitiu uma circular a todos os Centros de Saúde para que criem consultas específicas dirigidas a quem queira deixar de fumar, na sequência da nova lei do tabaco que entrará em vigor a 1 de Janeiro. A dependência tabágica, um dos temas mais fracturantes das sociedades pós-pós-modernas (a juntar a outros, como o aborto, a eutanásia, pena de morte, índice mínimo de massa corporal, celibato de padres e freiras, etc.), transforma-se, assim, numa patologia oficialmente reconhecida em Portugal.
Eu sei que a inveja é uma coisa muito feia. Mas as filas de fumadores arrependidos que imagino a formarem-se nos Centros de Saúde beneplacitamente acolhidas por pessoal de sorriso Pepsodent em riste faz vir ao de cima o pior que há em mim. E pergunto: por que não antes consultas específicas dirigidas a quem não queira ficar desdentado? E já agora também: por que não antes consultas específicas dirigidas a quem não queira ficar cegueta?
Concedo que um abcesso não é uma enfermidade fracturante por aí além, mas desde quando é preciso ser realisticamente moderno para se ter direito a médico? A pergunta é retórica. A dor é real. Recorda-me que o país entrou em delírio e que a Berkeley nunca lhe deve ter doído os dentes.
Num gesto que ficará registado no Guinness World Records como a maior beatificação simultânea, o Vaticano concedeu hoje o título de beato a 498 espanhóis (491 membros do clero e 7 laicos) mortos em 1934 e entre 1936-39, classificando-os como mártires do século XX. Conhecida a íntima relação da Santa Madre Igreja com o franquismo, o historiador Ian Gibson, reputado especialista do período da Guerra Civil, comentou a propósito: «Yo lamento los asesinatos de los curas, porque estoy contra la pena de muerte, pero la Iglesia fue la que sembró la semilla del odio y la violencia. Tienen la obligación de pedir perdón y no son capaces». Em vez disso, encenaram com pompa e circunstância mais um momento «Omo Lava Mais Branco». Mas também, quem é que ainda se lembra disso? Do Omo, quero eu dizer.
Outros ecos Habitam o jardim. Vamos segui-los? Depressa, disse a ave, procura-os, procura-os, Na volta do caminho. Através do primeiro portão, No nosso primeiro mundo, seguiremos O chamariz do tordo? No nosso primeiro mundo. Ali estavam eles, dignos, invisiveis, Movendo-se sem pressão, sobre as folhas mortas, No calor do outono, através do ar vibrante, E a ave chamou, em resposta à Música não ouvida dissimulada nos arbustos, E o olhar oculto cruzou o espaço, pois as rosas Tinham o ar de flores que são olhadas. Ali estavam como nossos convidados, recebidos e recebendo. Assim nos movemos com eles, em cerimonioso cortejo, Ao longo da alameda deserta, no círculo de buxo, Para espreitar o lago vazio. Lago seco, cimento seco, contornos castanhos, E o lago encheu-se com água feita de luz do sol, E os lótus elevaram-se, devagar, devagar, A superfície cintilava no coração da luz, E eles estavam atrás de nós, reflectidos no lago. Depois uma nuvem passou, e o lago ficou vazio. Vai, disse a ave, pois as folhas estavam cheias de crianças, Escondendo-se excitadamente.. contendo o riso. Vai, vai, vai, disse a ave: o género humano Não pode suportar muita realidade. O tempo passado e o tempo futuro O que podia ter sido e o que foi Tendem para um só fim, que é sempre presente.
Pseudoscientific Bigotry in France Immigration issues bring out the worst instincts in politicians who should know better. Congress showed that earlier this year. Now it is the turn of France’s Parliament. It is moving toward final approval of an ugly new law that would introduce DNA testing as a potential basis for excluding prospective immigrants hoping to reunify with family members already living in France. DNA testing can be a useful tool in establishing criminal guilt or innocence. But it has no rightful place in immigration law. Modern French families, like modern American families, are constituted on many bases besides bloodlines and genetics. This is something most French politicians and voters should be aware of. They should also be aware of the cautionary lessons of modern French history. Under the Nazi occupiers and their Vichy collaborators, pseudoscientific notions of pure descent were introduced into French law with tragic consequences. The DNA provision, proposed by a member of Parliament close to President Nicolas Sarkozy, has been angrily denounced by the center-left opposition, principled members of the center-right majority and a member of Mr. Sarkozy’s cabinet. As a result, the legislation has been hedged with some cautionary language, but not enough. Meanwhile, Mr. Sarkozy, who could have intervened to stop this bill at any point, and still can, has not, and is not very likely to. Though himself the son of a Hungarian immigrant, Mr. Sarkozy has made his political name with harsh criticism of more recent immigrants, especially North African Arabs. His pandering on this issue helped win him votes that used to go to far-right extremists like the perennial presidential candidate Jean-Marie Le Pen. Immigrant bashing is an effective vote-getter. Unfortunately, it leads to bad laws, bad policies and needless human suffering for the individuals and families it targets and exploits. Mr. Sarkozy wants to be seen as a statesman. He should act like one.
Christoph Blocher, da UDC, o partido xenófobo que conquistou os suícos com as coisas do costume: crise! crise! crise!; nacionalismo! nacionalismo! nacionalismo!
Forever and ever! The words ring in your heart like wedding bells. As you listen... you remember the intimate vows you have already made to yourself and to him. You think once more of how you are going to build your marriage into a strong, fine relationship. This is going to take a lifetime... and you're glad because you know that both of you are going to work at it. These vows you have made. Soon you will repeat your formal vows. Read the words you will say. Read them lovingly, thoughtfully... and with understanding for what they mean. At your wedding you will make these vows to your husband-to-be. You will want to engrave these words on your mind and heart forever and ever.
Em entrevista ao semanário Sol, o Procurador-Geral da República veio dizer que, em Portugal, as escutas telefónicas «são feitas exageradamente». E acrescentou: «eu próprio não sei se tenho o telefone vigiado».
Solidária com as preocupações orwellianas de Pinto Monteiro, a Pastelaria propõe a criação de um movimento contra a discriminação das escutas: «Get Smart - Queremos Todos Ser Escutados» (nome de código: GSQTSE). Além do mais, é um direito que nos assiste.
Eu não quero ser desmancha-prazeres, nem encurtar o legítimo regozijo dos que se entusiasmam com os 200 mil do Parque das Nações. Mas tenho de lembrar - e, por favor, não matem o mensageiro - que em Fátima a coisa chegou ao meio milhão.
Entretanto, fontes bem informadas, embora encapuçadas, garantem que na Cimeira só se falava do divórcio de Nicolas Sarkozy e Cecilia. Uma infelicidade, terá dito Monsenhor Luciano Guerra, reitor do Santuário de Fátima, que acrescentou: «Mas qual era a média dos socos?»
Acabei de saber que esse romance extraordinário de Malcolm Lowry, Debaixo do Vulcão (há muito esgotado), voltou às livrarias, agora numa edição da Relógio D'Água. Corram a comprar! Este é um daqueles livros que separa águas: há os que o leram e há os que não sabem do que falam.
Aviso à navegação: trata-se de uma obra altamente perigosa desaconselhada a pessoas que prezam a saúde.
Bush é importante e importa-se. Dois vetos presidenciais recentes são a prova do quanto ele se importa.
Primeiro, importa-se com as células estaminais, sobre as quais proferiu a palavra definitiva numa cerimónia onde havia bebés por todo o lado, adaptados quando ainda eram embriões congelados excedentários: «Estas vidas não são matéria-prima para explorar, mas dádivas».
Segundo, importa-se com o destino do dinheiro dos contribuintes, o que provou ao impedir o aumento do financiamento do State Children Health Insurance Program aprovado pelo Congresso, e que permitiria melhorar os cuidados de saúde a cerca de 10 milhões de crianças pobres.
Importa-se e explica-se:
Sometimes the legislative branch wants to go on without the president, pass pieces of legislation, and the president can then use the veto to make sure he’s a part of the process. And that’s what I fully intend to do. I’m going to make sure. And that’s why when I tell you I’m going to sprint to the finish, and finish this job strong, that’s one way to ensure that I am relevant. That’s one way to ensure that I’m in the process. And I intend to use the veto.
Se isto não é cultura pró-vida e prova de relevância que se abata sobre Bush esta praga da Fuzeta: «Permita Deus que toda a comida que hoje comeres vás amanhã cagar ao cemitério, e já de olhos fechados».