22/01/13

Recordando Manuel António Pina a propósito do lirismo metafísico de Margarida Moreira e dos 12 mil euros que vamos pagar em vez dela

Alegria no trabalho
O facto de a directora regional de Educação do Norte escrever com erros de ortografia e sintaxe e se exprimir num tartamudeio vagamente parecido com o Português, ou lá que língua é, não seria notícia no estado de coisas (um "Estado Novo" pois, como diria Pessoa, é um estado de coisas como nunca se viu) a quechegou a Educação em Portugal.
Notícia é continuar a fazê-lo, ante a mandarínica indiferença do Ministério da "Educação". Agora deu-lhe para o lirismo metafísico, num e-mail de agradecimento às escolas pelo seu "apoio" (pelos vistos está convencida de que tem o apoio das escolas):
"Faz hoje 4 Anos./ Tem dias que parece que o tempo se emaranhou nas coisas e nas pessoas./ Tem outros dias em que tudo parece ter ocorrido ontem./ Contudo há algo que o tempo tem os limites certos".
É verdade que momentos, ou "algo que o tempo tem os limites certos", de boa disposição como os que provoca a correspondência da directora regional são importantes em dias de tensão como os que hoje se vivem nas escolas.
Talvez, quem sabe?, seja esse louvável objectivo que move Margarida Moreira: pôr as escolas a rir.


A actualidade de Margarida Moreira, aqui

20/01/13

Estamos a ser governados por estúpidos... e em mau português

«Com o Acordo Ortográfico, aumenta o número de palavras que se escrevem de forma diferente!!! Isto é, havia 1235 palavras que se escreviam da mesma forma em Portugal e no Brasil que, com o Acordo, mudam, a saber: 190 ficam com dupla grafia em ambos os países (por exemplo, ‘circunspecto’ e ‘circunspeto’); 57 ficam com dupla grafia mas só em Portugal (por exemplo, ‘conceptual’ e ‘concetual’, que no Brasil se escreve ‘conceptual’, mantendo a consoante «p»); 788 mudam para uma das variantes que existem no Brasil, por vezes a menos utilizada ou a considerada mais afastada da norma padrão (por exemplo, ‘perspetiva’: em Portugal, só se admite esta forma – sem «c» –, mas no Brasil admitem-se duas, ‘perspetiva’ e ‘perspectiva’, sendo esta última a preferencial); finalmente, 200 mudam para uma até ao momento inexistente e que passa a existir apenas em Portugal (por exemplo, ‘receção’, que no Brasil só admite a forma ‘recepção’, que passa a não ser possível em Portugal).»
Ler o artigo completo AQUI

Depois dos ovos estrelados embalados, um vibrador nacional que funciona a Nutella e compota.

Palavras para quê? É um artista poruguês


Visto e imediatamente gamado no Lisboa

19/01/13

Epifenómenos

Haverá, entre os leitores destas linhas, gente mais alérgica à alma do que à penicilina. Lembro, também por isso, que a alma foi uma conquista civilizacional enorme: as mulheres, era duvidoso que a tivessem, pretos e índios nem pensar, e os animais continuam até hoje isentos, embora a Unesco lhes tenha garantido direitos. 
Se a poesia lírica em nada contribuiu para o prestígio da alma, que tal não nos impeça de reconhecer o óbvio: não a tivéssemos inventado e viveríamos num mundo muitíssimo incivilizado onde ninguém apanhava cocós. 
Sim, vou falar de Zico, o cão fracturante. 
Quando escrevo, cerca de 70 mil almas assinaram a petição contra o seu abate; outra, a favor, vai nos 400 e poucos. Estes números levariam decerto B.B. a pedir passaporte português em vez de russo e Francisco de Assis a abençoar Portugal. A mim, o que me surpreendeu foi o argumentário. 
Na primeira petição: “Se não se abatem pessoas por cometerem erros, por roubarem, por matarem...então também não o façam com os animais! Eles também merecem uma segunda oportunidade!”; na segunda: “(…) vamos abate-lo (…) Não digo isto por ser um Cão, se fosse uma pessoa e tivesse mordido uma criança, de tal modo, que ela tivesse morrido, também seria a favor de uma pena de morte!” 
Duvido que o antropomorfismo aqui subjacente contribua para a causa dos bichos. Quanto à pena de morte alargada a tudo o que mexe, abstenho-me de comentar. 
Resumindo: um grande número de portugueses prefere um cão desalmado a humanos psicopatas cujo grau de empatia os habilitaria talvez a criar um rumble fish (não me parece assim tão irracional...); acresce que se mostram generosos: desesperançados, ainda têm forças para sair em defesa de Zico. 
Ou isso, ou endoidecemos todos.

18/01/13

O tempo, esse grande escultor

Uma pessoa sente que já chegou a uma certa idade quando conclui que não se deixa seduzir por ovos estrelados embalados nem pela escrita da Lídia Jorge (para não pensarem que eu tenho alguma questão pessoal com o Peixoto, com o Valter ou mesmo com ovos).

Descubra as diferenças

«First comes spring and summer, but then we have fall and winter. And then we get spring and summer again», Chance, o jardineiro

«Há um “crescimento da economia” esperado para 2014, devendo o “ciclo recessivo abrandar este ano”, para depois dar lugar a um “ciclo de expansão”.», Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro de Portugal

Pela boca morre o peixe e a língua portuguesa ou quem lhes espetasse com o Acordo num sítio que eu cá sei

«Dentro do espetável mas longe do desejável.»

15/01/13

A refundir o Estado à porta fechada ou o bordel a que isto chegou

Podem ouvir, mas não podem gravar. E se disserem que nós dissemos alguma coisa que nós não queremos que se saiba que nós dissemos, negamos. Pronto. E ainda levam com um processo por difamação se for preciso. Ora essa!
AQUI

14/01/13

É verdade que a luta de classes não explica isto

Deixando porta aberta às excepções que sempre confirmam as regras, eu prefiro pessoas que gostem de animais. Mamíferos, de preferência. Gajos com cobras em casa, cá para mim são doidos. E não, não tenho opinião sobre o caso Zico, o canídeo cuja capacidade de mobilização anda a deixar os politólogos baralhados.

Para começar a semana com estas maravilhosas gargalhadas