05/02/10

Isto é tudo o que me apraz dizer sobre finanças regionais

"Economics is extremely useful as a form of employment for economists", John Kenneth Galbraith

9 comentários:

Carlos Azevedo disse...

Eh eh eh... Não está mal visto. Mas apraz-me dizer outra coisa: é-me indiferente que o PSD se submeta ao dr. Jardim - não devia ser, eu sei -, mas já não me é indiferente que à esquerda do PS, onde o meu votinho foi parar, se passe o mesmo por mero cálculo político. E, o que é muito pior, 'obrigam-me' a tomar o partido de Sócrates - e isso não posso mesmo perdoar.

Ana Cristina Leonardo disse...

Carlos, não conheço os meandros do assunto. Vi, online, o Portas dizer que havia redução de financiamento (salvo erro em 50%) em relação ao ano passado. Não ouvi o Teixeira dos Santos, mas o ministro merece-me tanto crédito como o Portas, apesar do Portas ter a grande vantagem de, formalmente, falar de maneira clara. Quanto à comparação com os Açores, também não sei como são feitos os cálculos. Mas uma coisa me encanita - e muito. Odeio o populismo ressabiado do Nós e a Madeira; quer dizer: Nós contra a Madeira. Nisso não alinho. E não é por ser a Madeira, é porque o populismo conduz sempre à histeria e a histeria conduz a coisas terríveis.
Quanto ao resto, apesar de não ser cristã, estou como o Jesus Cristo do Pessoa que também não percebia nada de finanças. Embora isto, afinal, talvez não seja verdade: não fora perceber alguma coisa, não saberia explicar como tenho sobrevivido.
O facto é que se tende a fazer da economia uma matéria esotérica quando a base de tudo, com mais variante, menos variante, com mais engenharia, menos engenharia, talvez esteja tão-só naqueles livrinhos antigos de mercearia com capa preta onde se escrevia o deve de um lado e o haver do outro.

Carlos Azevedo disse...

Ana Cristina, pela minha parte, nem esse nem Nós e Lisboa (eu, que sou do Porto) - e nem qualquer outro. Infelizmente, o que está em causa, e tem estado desde há muitos anos, é mais Nós e o 'Contenante' do que outra coisa qualquer. E a chantagem e populismo vêm com mais força da Madeira do que de outro sítio qualquer. Eu, nestas coisas, tento ser o mais claro possível (comigo mesmo, quero dizer): por muito que politicamente deteste Sócrates, não o confundo com Jardim, a quem muitos desculpam só porque ele está longe, na Madeira. Mas isso é só a minha posição. (E quanto a Portas, nada do que ele diz é claro - defeito meu, talvez.)

Carlos Azevedo disse...

Já agora, um pequeno exemplo, publicado num 'jornal' cujo capital é maioritariamente detido (99%, salvo erro) pelo Governo Regional da Madeira: http://www.jornaldamadeira.pt/not2008_12.php?Seccao=12&id=144326&sup=0&sdata=

Ana Cristina Leonardo disse...

Carlos, sobre o Portas: formalmente fala claro, goste-se ou não do dito (e eu não aprecio). Ou seja, tem uma retórica limpa, sem barroquismos. Formalmente, falando. O que não é defeito em política. Aliás, a demagogia quanto mais simples e directa melhor.
Quanto à Madeira versus Continente, não alinho em populismos seja qual for a direcção da coisa. Falei em populismo, porque se for ver os comentários às notícias sobre a questão das finanças regionais, transpiram "ódio" por todos os lados. Se eu consultasse jornais ou sites da Madeira talvez fosse ao contrário, não faço ideia. Mas quase sempre o óbvio me aborrece. Deformação, talvez, de ter estudado filosofia.
Quanto ao Jardim versus Sócrates, aqui entre nós que ninguém nos ouve, preferia jantar com o primeiro. Se tivesse que escolher mesmo um dos dois.

Carlos Azevedo disse...

Ana Cristina,
quanto a Portas, tem razão: formalmente, não podia ser mais claro. Penso que a experiência no jornalismo terá ajudado, mas isso é irrelevante. E sim, quanto mais clara, mais facilmente identificável - e desmontável.
As notícias, não todas mas algumas, sim, transpiram ódio e rancor. Também não alinho ou tento não alinhar; talvez nem sempre consiga. Mas acho pior de lá para cá do que de cá para lá, e olhe que tenho - e isto que vou dizer agora parece aquela conversa típica do racista que até tem amigos pretos ou do homofóbico que tem amigos gay - amigos e familiares madeirenses. Desde que seja verdadeiro, o óbvio não me aborrece nada - embora possa ser menos interessante.
Quanto ao jantar, estamos em sintonia. Pelo menos, Jardim deve ser mais animado - aqui entre nós, e nem será esse o seu pior defeito, Sócrates parece ser sumamente enfadonho.
Por fim, mantenho o que escrevi antes: muitos - e não me refiro a si - defendem Jardim porque está longe e, neste momento, é conveniente. E o oportunismo, tal como a raiva, não conduz a nada de bom.

Ana Cristina Leonardo disse...

ó carlos, eu cá neste caso não defendo ninguém. custa-me apenas a crer que a coisa seja tão escabrosa e ainda assim todos se unissem contra o sócrates por causa da madeira.
era disso que falava quando disse que o óbvio quase sempre me deixa desconfiada. como naquela anedota do cientista que ia cortando as patas à rã e ordenando-lhe que saltasse. Quando no fim, sem patas, esta se mantém imóvel, o cientista conclui que a rã é surda. É mais ou menos iso.

Carlos Azevedo disse...

Ana Cristina, pensei que tinha sido claro: «... e não me refiro a si... »; se também fosse dirigido a si, tinha escrito: «... e incluo aqui a Ana Cristina...». Quanto à anedota, é gira - e sim, acontece muito.
Bom fim-de-semana (ou bom início de semana, se apenas ler isto no final do fim-de-semana).

João Lisboa disse...

Deus criou os economistas para que a meteorologia se parecesse mais com uma ciência.