29/01/13

Os gajos que só batem nas pessoas que estão abaixo deles na cadeia alimentar são todos uns paneleiros

«Após um estranho e longo silencio, em que o que aparecia relativo às malfeitorias bancárias se resumia ao BPN, BPP e em menor grau ao BCP, a imprensa começa timidamente a falar dos banqueiros de topo, aqueles que fazem e desfazem governos e que estão sempre ao lado do poder, de Salazar a Passos Coelho, passando pelos socialistas. Não me refiro ao que é ilegal, porque disso deve cuidar a justiça, mas dos "esquecimentos" que levam milhões lá para fora sem serem declarados ao fisco, para depois a memória melhorar, ou ser melhorada e o dinheiro regressar cá dentro com um pequeno imposto para pagar de bónus.

Mas há um silêncio muito esquisito, se não fosse verdadeiramente pouco esquisito, no modo como as coisas estão: estando o governo envolvido numa luta épica para que os portugueses paguem impostos, nunca condenou estes "esquecimentos"? Insisto, condenar do ponto de vista da moral cívica, já que a lei é suposto ter outro andamento e outras consequências. É verdade que mesmo com a lei em curso, o governo às vezes fala à vontade, como a nossa ministra da justiça fez recentemente, dizendo que "a partir de agora deixou de haver impunidade". Mas era para o PS de Paris e não para a banca. Aqui é só silêncios e gentilezas. Para a banca faltosa, não há mesmo nenhuma palavrinha zangada, vindo do mesmo ministro e primeiro-ministro e dos vários secretários de estado que incham o peito contra as cabeleireiras, os mecânicos de automóveis, e os donos de café e restaurantes? Aí sim, há palavras duras e mostras de robusta firmeza.

Não deviam os governantes dizer alguma coisa? Dever, deviam. Dizer, não dizem.», Pacheco Pereira

4 comentários:

AMCD disse...

O Pacheco P. chama-lhe um "silêncio muito esquisito". Esquisito?! Qual silêncio esquisito?! É conivência mesmo. Pacheco P. não sabe isso?! Acordou agora?! Deixem-me rir.

Mas porque será que o governo não condenou estes "esquecimentos"?, pergunta ele. Será Pacheco P. um menino ingénuo? Não reconhece o seu próprio partido?

Um Presidente, uma maioria, um governo, eis o pleno da direita pela primeira vez desde o 25 de Abril. O resultado está à vista.

Mas o que esperava Pacheco P.?

Ana Cristina Leonardo disse...

O Pacheco Pereira é um mistério. Mas é um mistério inteligente, democrata e com sentido político e social. Fosse um pouco mais risonho, e eu confiaria nele a 100%. Assim...

Carlos Azevedo disse...

Embora não morra de amores por Pacheco Pereira, reconheço a sua inteligência e dou por mim sensibilizado com o modo como aborda certos temas.
Dito isto, não seria de pôr Pacheco Pereira a dar explicações a Seguro sobre como fazer oposição a este Governo?

fallorca disse...

O Pacheco tem um P bem treinado; não se esqueçam do passado