24/08/12

Derrame sobre a RTP e que se lixe a etiqueta que eu não sou candidata ao corpo diplomático

Há duas coisas que me deixam doente: a estupidez é uma, que me tomem por estúpida é outra. A minha relativa saúde deve-se, obviamente, não à escassez no mercado dos itens referidos mas ao facto de passar largos períodos em hibernação. 
Acordada para a realidade, vejo-me submergida (como os submarinos do Por
tas) pelo caso RTP, que o Borges – o mesmo Borges que há uns tempos tinha como urgência baixar salários (os dos outros, suponho, mas posso estar enganada…) – veio anunciar ir ser vendida aos privados - a RTP 2 e várias rádios fechadas e o Estado a manter-se como parceiro, contribuindo através da taxa que todos os meses nos aparece na conta da Luz.
Ora bem. Como no tempo do parisiense José Sócrates (a propaganda, desde Joseph Goebbels que não progride grande coisa…), as tropas já foram instruídas para fazer a defesa da solução proposta.
O argumentário é simples: a Constituição exige serviço público, mas não diz como concretizá-lo nem se é à borla ou a pagantes; o negócio assegura o serviço público delegando-o num privado; ficamos todos a ganhar porque o Estado poupa imenso dinheiro, já que a participação se resumirá à taxa do audiovisual.
Para que conste, eu não tenho televisão. Acho a televisão generalista uma merda e chateia-me andar a pagar o Baião, a Furtado, aquela senhora inenarrável que dá pelo nome de Fátima Campos Ferreira (que, agora reparo, também dará aulas na Lusófona…) e etc., como me chatearia, note-se, pagar pelo Slavoj Žižek.
Mas, também para que conste, enquanto pagar ao Estado um serviço da treta me chateia, pagar directamente para os bolsos dos privados não me chateia apenas: transforma-me numa espécie de Dexter de saias.
O mais demagógico de tudo, porém, é quererem-nos convencer que, agora sim, é que vamos ter um serviço público… de qualidade.
Façam-me o favor de ir foder longe, e pardon my french.

11 comentários:

luis reis disse...

Está completamente perdoada, com o seu "french".Bom fim de semana.

trepadeira disse...

Os sacanas não vão,é preciso empurrá-los.

Abraço,

mário

F.A. disse...

A "esquerda" anda enervadíssima com esta história da RTP e está a ficar ligeiramente histérica.
Vou dar a minha opinião, dois pontos.

A RTP1 é uma merda tenho-a mais quinhentos canais e raramente ligo para ela ou para os filhos 2, África, Internacional etc.
Rádio nunca ouço, só ouço a música que eu escolho.
Pago fortemente para sustentar aquela cambada.
Do que aprendi do post parece que vou passar a pagar um bocado menos.
Acho positivo.
Ponto final.

anabela disse...

FA quanto ao pagar menos espera sentado ou a para não te cansares... Vai ser a primeira a saír do saco....

Inês disse...

FA (apesar do teu "ponto final", atrevo-me a participar com a minha opinião)
o problema é que não existes apenas tu neste país. A extinção da RTP2 e não sei de que rádios nacionais tem implicações bem mais alargadas. Em primeiro lugar para as pessoas que, à partida, não irão procurar certos conteúdos que são apresentados nesse canal (ou rádios)e que, só se cruzando com eles por acaso, deles terão conhecimento e os poderão "perseguir". (Neste caso, longe da vista, longe do coração e da cabeça, e se temos a internet, será principalmente para quem, na torrente de informação que ela representa, saberá mais ou menos o que procura). Por outro lado, nesta (i)lógica cómica de que os serviços públicos devem dar lucro(!), os conteúdos a apresentar serão mais e mais escolhidos com base na maioria assistente, colocando cada vez mais à margem aqueles criadores que fazem propostas realmente diferentes e inovadoras, não reaccionárias.
Mas concordo que há algo positivo nisto. A estação pública não cumpre uma função, a meu ver, lhe seria imputável: fomentar o espaço público. É bom que a ilusão de que esse espaço existe desapareça, com o desaparecimento da Tv pública não concessionada. Pode ser que assim deixemos de nos furtar à sua criação real.

Ana Cristina Leonardo disse...

Pois é, rapazes e raparigas, mas a taxazinha é para continuar. Adoro estes liberais à portuguesa!

Joaquim Carlos disse...

Ana Cristina, «foder longe»? Não se admite! LOL

Paulo Alves disse...

gosto muito da Ana, mas mesmo imaginando-a de Dexter (naturalmente de saias) fico meio atordoado com o timing da revolta pela taxa. só agora é para ´ir foder longe´? pardon O francês.

ZMB disse...

E porque não vender a rtp1 a quem der mais ao relvas ou ao borges,
e a taxa que vem na conta da luz servir para a rtp2 (que faz serviço de qualidade) e para as rádios?
O dinheiro devia chegar e se calhar até dava lucro...

Anónimo disse...

ZMB - Apoio esta ideia.
É uma pena se a 2 acaba. Nas férias sobretudo (quando não tenho tv por cabo)é o único canal dos quatro que me safa o serão.
AAS

Anónimo disse...

A RTP é hoje uma estrutura extremamente pesada com 7 canais e com um share de audiências no canal 1 a rondar os 20% mais 3,2% da RTP2 e que para isso absorve 145 milhões de euros anuais mais receitas de publicidade e não tem praticamente nada que se possa considerar serviço público. Com o aparecimento das estações privadas deixou de se justificar a cobrança de uma taxa de audiovisual para manter uma estação de televisão pública com audiências tão reduzidas. Existem outras prioridades onde aplicar esses recursos financeiros da saúde à educação passado pela segurança onde existem fortes carências (na minha modesta opinião). Portanto a RTP 1 deve ser vendida. Idem para a TAP. Eventualmente eu também preferia que se mantivesse a RTP 2 mas com um controlo rigoroso quer financeiro quer de conteúdos, todavia tal não me parece uma hipótese muito realista numa empresa habituada a uma cultura de esbanjamento total. Proclama -se muito o facto de a estação pública estar a dar lucro nos últimos 2 anos (em 2003 deu 1200 milhões de euros de prejuízo pagos por nós cidadãos) a verdade é que a RTP sem a "alavanca " da taxa audiovisual seria um desastre financeiro total e isso é desleal em relação a estações privadas que sobrevivem apenas de receitas publicitárias. Acho portanto que a empresa deve ser privatizada e acabar-se com a taxa de audiovisual. A factura da EDP já é bastante elevada sem isso e para lixo televisivo já nos bastam a SIC e a TVI que cumprem perfeitamente a custo zero o papel de "entreter" e informar a população. A triste realidade é que estamos a viver com empréstimos estrangeiros (e por isso a abdicar da soberania nacional) e não temos recursos financeiros próprios para estes "luxos" tal como existem noutros países europeus em melhor situação financeira. Ou acordamos para essa realidade e mudamos ou apesar das promessas dos políticos ainda iremos viver verdadeiros tempos de pesadelo bem piores que os actuais.