24/08/11

Nobody is perfect excepto os homens-bomba

Andava eu distraída destas lides meditativas, quando até mim chegaram os brados inflamados das hordas democráticas blogosféricas.
A razão do alarido? António Figueira aceitara ser assessor de Relvas!
Fui ver, como o Augusto Gil. A coisa resumia-se ao seguinte. Um enigmático e corporativo Miguel Abrantes descobrira (sem grande esforço, esclareça-se, porque vinha tudo escarrapachado no Diário da República) que António Figueira, perigoso bolchevista (diz Abrantes, não o despacho), fazia parte deste o início do mês do gabinete do ministro.
A este escândalo acrescentava-se o facto de Figueira, além de militante da esquerda radical (cito novamente Abrantes), ser membro desse baluarte vermelho (sangue) da Revolução (permanente?) chamado 5 Dias (olá Morgada!).
A notícia (post) metia fotografia e tudo (certamente para, na eventualidade de nos cruzarmos com Figueira no Chiado, o podermos sujeitar ao justo apedrejamento).
Deixem-me olhar a coisa com alguma objectividade (já para não falar do bom senso cartesiano), insuspeita que sou de gramar Relvas ou PCs.
O homem é de esquerda. Falo do Figueira. O ministro é de direita e o Estado é de Direito (digo eu, não querendo todavia rivalizar com as convicções democráticas dos empolgados críticos).
O ministro convidou-o para assessor. O Figueira, depois de reflectir (deduzo), decidiu aceitar.
Vêm os evangelistas Valupi, Miguel Abrantes, f., Pitta e etc. chamar-lhe incoerente e vendido, prova provada da existência da tal coligação negativa entre a esquerda radical e a direita radical que mandou o Timoneiro para Paris (os robalos do Vara não entram, naturalmente, na história).
Morte ao cão infiel! denunciam, enraivecidos, como se o Ultramar estivesse em perigo, Figueiras se tivesse casado com Relvas e Relvas usasse bigodinho.
Pergunto: afinal, em que ficamos? Primeiro é porque é bolchevista; depois é porque aceita um emprego.
E fico cá a pensar que se o Figueira fosse, de facto, um red terrorist ou o 5 Dias tivesse iniciado a Revolução Proletária fuzilando-o sem dó nem piedade lhes bateriam palmas. Ora, porra, camaradas!

11 comentários:

Carlos Azevedo disse...

Parece-me tudo muito bem, mas, já que estão a contratar na blogosfera, para onde posso enviar uma candidatura espontânea!? Isso, sim, seria informação útil.

io disse...

Une toute petite merveille!

sem-se-ver disse...

(fui ver, como o augusto gil)


beijo :)

Ana Cristina Leonardo disse...

Carlos, lamento mas dessa informação não tenho nem deram. Só publicaram o retrato do Figueira
io, merci
sem-se-ver, ó caraças, obrigada (do Nobre é o Só... em quem devia estar a pensar...) Coro e mudo
-:)

fallorca disse...

Tem cuidado com o príncipe, não te saia sapo; adsl, como é evidente

Ana Cristina Leonardo disse...

fallorca, o meu príncipe chegou a rei... só por uma semana, é certo, mas como é que dizia a outra?
-:)

Carlos Azevedo disse...

É por estas e por outras que não gosto dos gajos: passam sempre ao lado do que verdadeiramente (me) interessa.
;-)

Zé_Lucas disse...

(eu também fui ver e era o Osório)

Será da chuva, será de mim, mas não estamos aqui perante um hino (modesto, com certeza, porque essa é uma virtude dos espíritos nobres e elevados) ao "semvergonhismo na cara" como diria o velho Odorico?

joshua disse...

Boa malha!

Luís disse...

Apoiado. Tive um trabalhão para perceber.e nesta investigação parecia um repórter português na Líbia .chovia metralha de todo o lado. Nao sabia que a crispação era tanta. Ainda bem que sobrevive uma pastelaria assim .

Ana Cristina Leonardo disse...

Luís, muito obrigada. Cá vamos sobrevivendo (embora nem sempre seja fácil no meio de tanta metralha).