22/09/10

É que entre a politik pacóvia do engº José Sócrates e os "estados de alma" de Manuel Maria Carrilho o meu coração nem balança

Dizem uns que o ex-ministro da cultura foi demitido da Unesco devido à publicação do seu livro, E Agora? Por uma Nova República, e na sequência de uma entrevista ao Expresso.
Dizem outros que tal razão é um perfeito disparate, um truque publicitário, e que o motivo real — e inteiramente justificado — reside nos seus "estados de alma".
Concedo que a segunda hipótese me parece mais plausível. Contudo, apesar de mais plausível, nem por isso menos ínvia.
Porque a recusa de Carrilho em votar num troglodita que ameaçou queimar livros para director da Unesco é, no meu ponto de vista insuspeito porque nem sequer sou fã do dito, um estado de alma de se lhe tirar o chapéu!
E metam a "real politik" num sítio que eu cá sei.

17 comentários:

sem-se-ver disse...

evidentemente

Manuel Vilarinho Pires disse...

Bom dia, Ana!
Embora contar uma história i(n)tera(c)tiva?

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, passamos dos ciganos aos tipos que gostam de queimar literatura judaica? Por mim, vamos a isso.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Vamos lá então aos livros!
Em cada sector da nossa vida colectiva há objectivos meritórios, de bem-comum, chamemos-lhes assim, e há políticas nobres, que os pretendem atingir, políticas irrelevantes, que não contribuem nem prejudicam, e políticas preversas, que os prejudicam, muitas vezes para satisfazer interesses privados inconfessados.
Certo?

Ana Cristina Leonardo disse...

So far so good (mas e a história?)

Manuel Vilarinho Pires disse...

...é iterativa, não seja impaciente (e não coloque grandes esperanças nela, que pode sair desapontada)!
Ora bem, no sector do livro e da leitura, qual é objectivo mais meritório, que deve nortear as políticas nobres?
Se der a resposta certa "é estimular os hábitos de leitura" eu continuo...

Do Médio-Oriente e afins disse...

Porque a questão Carrilho começa a ser objecto das mais diversas considerações, indico o que escrevi no meu post de 23 de Março:

http://domedioorienteeafins.blogspot.com/2010/03/faruq-hosny.html

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, confesso que a paciência não é a minha maior qualidade (mas adiante).
A história começa a tornar-se mais interessante: permite batota (se der a resposta certa...). Seja e siga a dança.

Do médio-oriente e afins, lerei com certeza

Manuel Vilarinho Pires disse...

Acertou!!! Continuemos então...
Ora o que é que qualquer aluno do primeiro ano de economia, mas nem tem que ser aluno de economia, qualquer pessoa, mesmo que não seja catedrático de folosofia, sabe sobre a relação entre o preço e a procura?
Se der a resposta certa "a procura baixa quando o preço sobe, e vice-versa" eu continuo...

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, e se me enviasse a resposta certa a 3 ou 4 perguntas não mataríamos vários capítulos de uma só cajadada? Eu prometo nunca questionar as respostas.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Abreviemos então...
A lei do preço fixo do livro teve como único objectivo evitar os descontos nos hipermercados, aumentando o preço efectivo de venda dos livros e reduzindo o seu consumo (a leitura).
Uma de duas, ou foi feito a pensar no bem-estar dos editores e livreiros, cagando (pardon my french...) para os hábitos da leitura dos portugueses, e é uma pulhice, ou foi feito pensando que estimulava os hábitos de leitura dos portugueses, e é uma estupidez.
Eu não sou do métier, e não sei avaliar de um modo geral a obra deixada por este filósofo na Cultura. Vejo bem que os "agentes culturais" o consideraram um bom Ministro da Cultura. No que eu sei avaliar, não foi, ou foi burro ou desonesto. E ele não tem nada ar de burro, parece mesmo um génio que consegue fazer insultos políticos que mais ninguém tem capacidade para entender (eu, pelo menos), como chamar "gelatina política" a adversários políticos...
Isto para dizer que concordo com o seu último parágrafo, mas o penúltimo podia ser mais trabalhado...

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, fiz mal em pedir-lhe as respostas certas tão depressa. Porque a surpresa do final merecia mais. Dito isto, nunca apreciei o estilo Jack Lang de segunda linha do Carrilho. Mas tiro-lhe o chapéu por não ter votado num tipo que gosta de queimar livros.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Assim a história saiu ao estilo Nicolas "Speedy" Sarkozy ("by the way", ele parece ter retirado a poligamia da lista de razões para expulsar "arabes", o que abre novas possibilidades a Mme. Sarkozy para colmatar as deficiências que porventura a incomodem)...
Quanto ao nosso génio, podia ter denunciado com estrondo a decisão de o governo votar no egípcio pirómano, por exemplo, demitindo-se! Mais l'Avenue Foch c'est l'Avenue Foch, la limousine à chaufeaur c'est la limousine à chaufeaur, e viver longe da Bárbara rasga novos espaços para reflectir nos estados de alma.
Preferiu jogar nos dois tabuleiros, atitude que não merece que se lhe tire o chapéu... ou estou a ver mal?
Já agora, sabe-me explicar o significado de "gelatina política" (não custa peguntar...)?

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, eu, com idade, fiquei menos radical e deixei de exigir demissões imediatas. Dito isto, nem acho muita graça à avenue foch. quanto à gelatina, a essa detesto-a mesmo. política, de morango, de limão... Lembra-me alforrecas. E com isto não sei se lhe respondi certo.

Francisco disse...

Sobre o tema central do post eu resumiria assim: falem de mim, bem ou mal, mas falem de mim!

Manuel Vilarinho Pires disse...

As suas respostas são sempre certas, mesmo se estão em contradição com as minhas, que também estão sempre certas!
A questão não reside em nós, de fora, exigirmos a demissão. A questão é que ele se comportou como uma virgem num bordel, que recusou fazer o serviço mas quis ficar com o dinheiro...
E, como dizia o meu excêntrico professor de História do 5º ano no Padre António Vieira sobre a Rainha Isabel I de Inglaterra, de cognome "A Rainha Virgem": "Virgem? Duvido!!!".

Ana Cristina Leonardo disse...

Francisco, desculpe a franqueza mas a diplomacia não é o meu forte, a sua conclusão parece-me um pouco tonta. Quer, portanto, dizer que o carrilho não votou no egípcio para que falassem nele?!

Manuel, vou repetir que não sou fã do carrilho. Não me parece, contudo, que neste caso possa qualificá-lo de virgem num bordel. Até porque não sei qual o trabalho dele na unesco nem quais as divergências ou convergências que, no exercício do cargo, terá tido com o governo sócrates. Sei que na situação concreta, quando o governo de portugal (de todos nós) decide apoiar um pirómano ele invocou objecção de consciência e não participou na votação. Eu teria partido a loiça e feito uma peixeirada na av. foch? Teria. Mas tb. nunca me imaginei embaixadora do que quer que seja.