01/06/10

Eu sei que não devia personalizar mas o que é que João César das Neves poderá ter contra os meus orgasmos?


João César das Neves tem uma coluna onde escreve sobre coisas. Desta vez a coisa era o narcisismo.
No essencial, concordo com ele: o narcisismo raramente é aceitável, excepto, por exemplo, se o João César das Neves fosse o Gregory Peck e eu a Rita Hayworth.
Mas se quanto ao narcisismo ok,o mesmo já não posso dizer dos orgasmos.
Dando a César o que é de César (e os orgasmos para quem os queira...), escreve o próprio: “por detrás de leis como o aborto, divórcio, procriação artificial, educação sexual e outras está o totalitarismo do orgasmo”.
Totalitarismo do orgasmo?!
Pus-me a pensar. Primeiro, ocorreu-me aquela expressão “o que é bom nunca foi demais”; depois lembrei-me de um episódio já antigo, passado com uma figura pública cujo nome não interessa para a história.
Estávamos num daqueles simpáticos jantares anos 80 onde, em consciência, ninguém sabia quem pagava a conta. Comemorava-se qualquer coisa ou era o lançamento de qualquer coisa. A figura pública, tida por especialista em medicina oriental e temas adjacentes, pontificava numa mesa totalmente feminina.
Dado que as conversas são como as cerejas, foi o referido especialista passando da sopa fria de melão para a acupunctura, do filet de thon para a celulite, do carpaccio de canard para a macrobiótica, da mousse de manga para a astrologia chinesa e da astrologia chinesa para o ioga tântrico estava-se mesmo a ver.
Chegados aos digestivos, iam altas as confidências. Tendo tido o bom gosto de nos poupar aos pormenores à mesa, o especialista declarara-se praticante exímio da difícil modalidade. E sem que ninguém lhe perguntasse nada, garantia que, com ele, numa só noite qualquer mulher atingia pelos menos dez orgasmos.
Dez orgasmos?! engasgámo-nos em uníssono eu e uma amiga do peito. E acrescentámos também em coro, engolido o Jameson muito em voga nessa época, para grande desconsolo do nosso contorcionista: Que canseira!
Não sei se é a este tipo de totalitarismo que se refere João César das Neves mas se for estou com ele e a minha amiga também.
Post inspirado daqui

5 comentários:

fallorca disse...

Olha, se não se importam fazia-vos companhia no tédio e na canseira.

Vieira Calado disse...

E a bola de Berlim tem creme

ou é às secas?

Saudações poéticas

Pedro M. disse...

Bombástico este totalitarismo, se não houverem pelo menos três ejaculações durante o hino nacional "vem-se" a Polícia da Praxis na casa da gente.

Anónimo disse...

Sobre o mesmo assunto, recomendo a leitura do grande (em todos os sentidos) post do Lourenço: http://complexidadeecontradicao.blogspot.com/2010/06/friendly-fire.html

Lívia disse...

Este seu texto foi a análise mais inteligente feita ao dito João César das Neves, se é que o merece.
Dez?? Não me importava. Não me quer dar o número de telefone dessa figura pública :-)