28/05/08

A propósito do António Damásio ter andado por aí e de eu estar convencida de que o altruísmo ainda é o que nos poderá salvar da barbárie

Nota sobre Ao Encontro de Espinosa seguida de entrevista feita por e-mail em Outubro/2003 (não, não falámos de elefantes...)
Embora o desaconselhem as normas, este texto começa por uma negação. Ao invés da ideia vulgarizada por alguma ficção científica, na qual a superioridade dos alienígenas fica demonstrada pela sua capacidade de revelar «cabeça fria», o neurobiólogo António Damásio vem reafirmar em Ao Encontro de Espinosa que os sentimentos fazem parte integrante, e determinante, do processo de regulação homeostática da vida.
«Podemos imaginar a máquina da homeostasia como uma árvore bem alta e larga em que os variados ramos são os fenómenos automáticos de regulação da vida», localizando-se no seu topo os sentimentos, entendidos como «a expressão mental de todos os outros níveis da regulação homeostática». Dir-se-ia, pois, que, refutando as crenças profundas de Mister Spock (o imperturbável membro da nave «Enterprise»), quanto mais sentimentais mais evoluídos.
Chegados aqui, cumpre notar que a expressão «sentimentais» resulta de uma mera liberdade linguística. Emoções e sentimentos são tratados por António Damásio neste Ao Encontro de Espinosa com o costumado e transparente rigor científico. Acrescente-se, a propósito, que apesar de tudo o que separa o cientista português do criador do «Método» ― lembremos que ao primeiro livro chamou O Erro de Descartes ― a sua prosa não deixa de invocar a clareza e distinção cartesianas.

Logo no início, A. Damásio esclarece-nos como chegou à «neurologia do sentir»: «Levei muito tempo a descobrir que os obstáculos postos à ciência dos sentimentos não tinham qualquer cabimento e que a neurologia dos sentimentos não era menos viável do que a da visão ou da memória». Vários casos de doença neurológica convencem-no a enfrentar o tabu: «Primeiro, era óbvio que certas espécies de sentimentos podiam ser bloqueados pela lesão de um sector cerebral discreto (...) Segundo, era também óbvio que sistemas cerebrais diferentes controlavam diferentes espécies de sentimentos (...) Terceiro, quando os doentes perdiam a capacidade de exprimir uma determinada emoção também perdiam a capacidade de sentir o correspondente sentimento.»
Neste ponto, contudo, um facto veio contestar o comummente aceite. Afinal «tudo indicava que a emoção precedia o sentimento». E cito: «Alguns doentes incapazes de sentir certos sentimentos eram ainda capazes de exprimir as emoções que lhes correspondem». Recorrendo a exemplos clínicos, Damásio demonstrará a anterioridade das emoções. Aonde o conduz tal demonstração? À possibilidade de afirmar que «temos emoções primeiro e sentimentos depois porque, na evolução biológica, as emoções vieram primeiro e os sentimentos depois». Ou seja, os sentimentos representam um grau de sofisticação maior em termos biológicos.
Além disso, porque os sentimentos resultam das emoções, que têm lugar no «teatro do corpo», não podem ser uma simples «colecção de pensamentos com certos temas ligados a um rótulo emocional». Porque, inteligentemente se pergunta, se assim fosse «como seria possível distingui-los de quaisquer outros pensamentos?» Indo mais longe: «Quando se remove essa essência corporal a noção de sentimentos desaparece (...) deixa de ser possível dizer ‘sinto-mo feliz’, e passamos a ser obrigados a dizer ‘penso-me feliz’.» Na medida em que os sentimentos são uma percepção determinada do corpo a funcionar de uma determinada maneira, não são percepção passiva; isto porque «as origens imediatas da essência do sentimento estão colocadas dentro do corpo e não fora do corpo».
Com a capacidade habitual para se fazer entender, Damásio explica: «O leitor pode contemplar a Guernica de Picasso tão intensamente quanto quiser, o tempo que quiser, tão emocionalmente como quiser, mas nada vai acontecer à tela. Os seus pensamentos sobre a tela vão mudar, claro, mas a tela vai continuar intacta, espera-se. No caso do sentimento, o objecto imediato é ele próprio modificável, por vezes de uma forma radical. O equivalente dessas modificações no exemplo de Guernica seria uma modificação substancial da tela (...) especialmente no caso de sentimentos de alegria e de tristeza, tem lugar um recrutamento dinâmico do corpo (...) que dura vários segundos ou até minutos, e a que correspondem variações dinâmicas da nossa percepção, ou seja, do nosso sentimento.»
Para que servem os sentimentos? Eis outra das perguntas que se enfrenta em Ao Encontro de Espinosa. Partindo dos exemplos de alegria e mágoa (obviamente ligados ao prazer e à dor), Damásio conclui que «os sentimentos são, em suma, as manifestações mentais do equilíbrio e da harmonia, da desarmonia ou do desacordo (...) são primariamente ideias do corpo no processo de obter estados de sobrevida óptimos».
E é nesta inequívoca inscrição do mental na carne que Damásio mais se aproxima de Espinosa. Não porque se manifeste em qualquer deles um materialismo «puro e duro» mas porque afirmam, cada um à sua maneira, a convicção de que nada existe fora da Natureza. O erro de Descartes, e o da modernidade, foi precisamente o de negar essa aliança indissolúvel, de que o dualismo corpo/alma é apenas uma das manifestações. Ao afirmar a sua concordância com Espinosa quando este «disse que a alegria (...) estava associada a uma transição do organismo para um estado de maior perfeição» (e o inverso para a tristeza), Damásio dá o salto para a ética, propondo não só que os sentimentos são fundamentais para o comportamento em sociedade como arriscando, de uma forma bem mais pessoal do que em qualquer outro dos seus livros, uma hipótese radical: na esteira de Espinosa, a do fundamento biológico da virtude. Assim sendo, a autopreservação, essência da vida, obrigar-nos-ia a preservar o outro, sem o qual não podemos sobreviver. Como escreveu Oliver Sacks, «o mais ousado, o mais recompensador, e o mais pessoal dos livros de António Damásio».



Contadas as referências literárias dos seus livros, será que o gosto pela literatura casa com o facto de se ter decidido a escrever para o grande público?
Dou grande valor à comunicação com um público inteligente, é verdade. Tenho, sobretudo, um enorme desejo não só de apresentar as minhas ideias como de saber o que o leitor atento pensa delas. A maior (e inesperada) recompensa que os livros me trouxeram são as cartas que recebo, dia a dia, de todo o mundo, a propósito daquilo que escrevi.
Dizem-me que na edição norte-americana de Ao Encontro de Espinosa, D. Manuel aparece no índice remissivo como Rei de Espanha...
O pobre D. Manuel voltou a ser de Portugal nas novas edições da Harcourt, bem como nas versões europeias. Infelizmente, os índices remissivos não costumam ser revistos pelo autor e é fácil escaparem estes deslizes.
O seu notório sentido do dramático denuncia um grande leitor. Que autores e livros tem à sua cabeceira (os científicos não valem...)?
Shakespeare e T.S. Eliot. Os poetas preferidos incluem Jorie Graham, W.S. Merwin, Wallace Stevens. Leituras recentes: John Banville, W.G. Sebald, A.S. Byatt. Estou a reler George Eliot (Middlemarch). Gosto muito de reler determinados livros e aqueles que mais revisito não precisam sequer de ser os maiores expoentes da «grande literatura». Volto a Joyce (Dubliners, Ulysses), Fitzgerald (The Great Gatsby), Hemingway (The Sun Also Rises) para ouvir a voz de amigos; ao Eça ou a certos poemas de Sophia de Mello Breyner quando tenho saudades de Portugal.
Contrariando a desconfiança pela filosofia, lê-se em Ao Encontro de Espinosa: «Através da história, a filosofia tem prefigurado a ciência e julgo que a ciência deve reconhecer esse esforço». Como aconteceu o seu encontro com essa invenção dos gregos?
Esse encontro deve-se a um grande mestre, Joel Serrão, meu professor de Filosofia no Liceu Passos Manuel. O meu interesse pela «razão das coisas» tinha começado antes, influenciado por pais que me fizeram ler, muito cedo, literatura inglesa e americana, cheia de perguntas sobre o mundo real. A filosofia é o princípio de todas as ciências e foi, durante séculos, todas as ciências. Hoje não pode nem deve competir com as disciplinas científicas; mas pode e deve contribuir para o rigor e clareza dos conceitos de que a ciência faz uso. Ou seja: a filosofia continua a desempenhar um papel central na cultura.
Quer isso dizer que se opõe a sacralização da ciência?
A ciência é uma das vias para o saber mas não é a única. É evidente que certos aspectos da natureza requerem uma abordagem científica, e é evidente que a tecnologia que deriva da ciência tem um papel decisivo a desempenhar nas soluções para o sofrimento humano. Mas a integração dos dados científicos numa visão abrangente da natureza requer uma empresa supracientífica. Há mais de um pedestal dentro da cultura.
O lançamento de um livro como Espinosa, de Steven Nadler, poderá ser (mais) um sinal de que assistimos à redescoberta do filósofo proscrito educado na língua portuguesa?
Espinosa começa hoje a ser redescoberto. Não há grande dúvida de que a figura central e insuficientemente reconhecida do «Radical Enlightenment» é Espinosa, e que as suas ideias sobre o tecido social tiveram uma influência subterrânea no desenvolvimento da modernidade europeia e norte-americana. A mim, porém, aquilo que mais me interessa, naturalmente, é a sua radicalidade no que respeita à concepção da mente humana. É tão radical que antecipa diversas ideias que hoje fazem parte da biologia e da neurociência de ponta. É por isso que digo neste livro que Espinosa foi um protobiologista. É de notar também que esta modernidade biológica implica uma modernidade ética que era revolucionária no século XVII e que continua ainda a sê-lo. Talvez o maior valor de Espinosa resida precisamente nesse facto.
O tema das emoções tem sido uma constante do seu trabalho. Em O Erro de Descartes relacionava-as com a razão, em O Sentimento de Si com a consciência. Neste terceiro, ocupa-se das «emoções sociais». Quais foram, resumidamente, as investigações que lhe permitiram ir alargando o campo de acção das emoções?
Há diversas linhas de investigação que apoiam esse percurso. As primeiras dizem respeito a doentes com lesões pré-frontais. As segundas a doentes muito jovens com lesões semelhantes. As primeiras demonstram a ruptura dos mecanismos de decisão que se segue ao comprometimento de certas emoções; as segundas mostram como tais comprometimentos bloqueiam a socialização de uma forma quase completa. Uma outra linha de investigações, em indivíduos normais, usando a neuroimagem funcional, também nos deu a possibilidade de delinear pormenores do processo de sentir as emoções. Todo este trabalho tem permitido confirmar hipóteses formuladas há mais de uma dezena de anos. E daí podermos afirmar que na base de todas as faculdades ― decisão, consciência, comportamentos éticos ― estão o corpo, a emoção como emblema de regulação biológica, e o sentir das emoções.
«Os sentimentos orientam os esforços conscientes e deliberados da autoconservação e ajudam-nos a fazer escolhas que dizem respeito à maneira como a autopreservação se deve realizar», escreve. Estaria de acordo em contestar a famosa máxima cartesiana «Penso, logo existo» através da fórmula «Sinto, logo existo»?
Absolutamente. «Sinto, logo existo» é uma proposição verdadeira e é a formulação preferível. Sem o sentir não é possível pensar ou conhecer o que se pensa. Sem sentir não há «si». E na ausência da maquinaria da emoção e do sentir duvido que o comportamento moral jamais tivesse emergido.
Ao dualismo alma/corpo cartesiano, que reduz o corpo a uma máquina e o espírito a uma substância pensante, Espinosa contrapõe uma concepção monista em que corpo e mente não são duas substâncias distintas mas manifestações diferentes da mesma substância: a Natureza ou Deus (que deixa de ser transcendente). A concepção dualista de Descartes seria responsável (escreveu-o em O Erro de Descartes), por exemplo, pela «incapacidade de a medicina tradicional considerar o ser humano como um todo». Mas, por seu turno, não poderá o pensamento espinosano conduzir a um alargamento do mecanicismo ao território da mente?
É uma questão pertinente. De facto, o desvendar do tecido biológico pode levar a teorizar um mecanismo estreito e ignorante. É um risco, claro, mas temos de correr esse risco e contrapor uma visão geral não mecanicista e inteligente. O que não podemos, parece-me, é chegar a ela sem compreender os mistérios da biologia.
Reclamar uma base neurobiológica para o comportamento humano, nomeadamente para o comportamento social, não pode deixar de levantar o problema da liberdade. Nesse contexto, seria possível explicar melhor a afirmação: «os sentimentos abrem a porta a uma nova possibilidade: o controlo voluntário daquilo que até então era automático»?
Estou convencido, e julgo que Espinosa também estaria, de que apesar do passado biológico e cultural que pesa sobre nós quando decidimos ― e que nos conduz quase inevitavelmente a certas decisões ― dispomos de um certo espaço de manobra nessas decisões, um certo grau de livre arbítrio. O espaço pode não ser grande mas existe em muitas circunstâncias, e permite-nos contrariar respostas automáticas a que a herança biológica nos poderia conduzir. A capacidade que hoje temos de contrariar impulsos básicos depende dos sistemas de homeostasia social que temos vindo a criar, muito imperfeitamente, ao longo de uns escassos milhares de anos.
Dado que a vida tende a preservar-se, no seu entender devem os comportamentos humanos autodestrutivos, nomeadamente o suicídio, ser considerados patológicos?

É difícil e perigoso distinguir o normal do patológico no comportamento humano. Na maior parte dos casos, contudo, o suicídio não pode deixar de ser patológico, quer se trate de alguém com uma profunda depressão, quer se trate de um kamikaze.
A sua confiança nas vantagens que a neurobiologia pode trazer está bem visível quando escreve que «o êxito ou o fracasso da humanidade depende em grande parte do modo como o público e as instituições que governam a vida pública puderem incorporar essa nova perspectiva da natureza humana em princípios, métodos e leis». Contudo, a história dos homens permite certas desconfianças. O avanço do conhecimento neurobiológico poderá legitimar receios na área da manipulação das mentes ou serão eles meros produtos de uma ficção-(pseudo)científica?
O problema da manipulação das mentes é muito sério, embora deva ser visto sob diversos ângulos e com uma certa ironia. A manipulação das mentes que permitiu as recentes eleições americanas nada deve à neurobiologia: deve tudo à sabedoria da publicidade. Se soubermos em mais pormenor o modo como funcionam as nossas emoções e sentimentos, talvez seja até mais fácil defendermo-nos dessa sábia manipulação. O espanto e a admiração podem ser péssimos conselheiros.
Quando afirma que «os nossos cérebros continuam equipados com a maquinaria biológica que nos leva a reagir de um modo ancestral» (por exemplo, gerando emoções que conduzem a preconceitos raciais e culturais que terão sido úteis em termos evolutivos), e quando acrescenta que «alguns dos dispositivos da regulação da homeostasia do nosso organismo têm vindo a ser aperfeiçoados ao longo de milhões de anos de evolução biológica, como é o caso dos apetites e das emoções. Mas outros dispositivos, nomeadamente os sistemas de justiça e de organização sociopolítica, existem há uns escassos milhares de anos», não estará a confiar demasiado no melhoramento biológico da condição humana? Neste caso, não será mais o humanista a falar do que o homem de ciência?
Concordo que quem fala nessas passagens é o humanista e optimista que sou. Contudo, não espero que o nosso genoma venha a incorporar os novos mecanismos de homeostasia não automática no futuro próximo. Os novos mecanismos emergem num espaço cultural e serão, antes do mais, transmitidos culturalmente. Daí o meu optimismo. Nada nos impede de encontrar soluções novas para as mais variadas problemáticas socioculturais, que são, todas elas, necessariamente problemáticas biológicas de alto nível ― as estruturas sociopolíticas estão ligadas por um cordão umbilical à regulação básica da vida. Nada nos impede de persuadir os seres humanos de boa-vontade a adoptar essas soluções. Hoje mesmo. Não é preciso aguardar a transmissão genética.
Em termos éticos, faz sentido para si propor a indiferença emocional (designadamente a incapacidade para sentir compaixão) como base para o «mal»? E, sendo assim, poderia o «mal» ser entendido como uma «anomalia»?
Boa questão. A falta de compaixão é patológica, embora a patologia tenha diversas causas ― não precisa de ser provocada nem por uma lesão cerebral, nem por uma mutação genética; pode ter causas culturais. Quanto ao «mal» que daí deriva é, de facto, uma anomalia. É necessário compreender, porém, que o «tratamento» dessa «anomalia» não se restringe à medicina e que inclui «terapêuticas» socioculturais.
Podemos concluir do seu livro que as emoções são um exclusivo dos organismos vivos e, nessa medida, criar máquinas que sintam uma impossibilidade da natureza? Ou ser-nos-á permitido imaginar, no futuro, criaturas artificiais, à imagem dos replicantes do Blade Runner, dotados de sentimentos?
Não vejo como essas criaturas de ficção possam sentir como sentimos, a não ser, é claro, que sejam feitas da mesma carne de que somos feitos, o que significa que não seriam artificiais mas... humanas. Formalmente não creio que exista qualquer problema - é possível imaginar seres artificiais que sentem. O problema reside no conteúdo exacto daquilo que sentem.
Pondo agora o sentir de lado, «O homem pensa, Deus ri»?
Um provérbio curioso. À primeira vista o significado é transparente. A espécie humana precisa de pensar para que lhe possa ser possível resolver a sua tragédia. Deus não sofre qualquer tragédia e por isso pode rir, sem drama, impensadamente. Todavia, na perspectiva actual o provérbio não funciona. O Deus de Einstein não se ri do homem, não joga aos dados com o homem. E o Deus espinosano, que existe na espessura da matéria e dos organismos vivos, também não. A crueldade do divino é uma aparência. O que não significa que a realidade não possa ser ainda mais perturbante: a indiferença. Seja como for, dado que podemos pensar, podemos responder, e, quando as coisas correm bem, até podemos rir.

8 comentários:

Anónimo disse...

Belíssimo texto! Há grandes homologias entre o radicalismo filosófico( político...) de Damásio e de António Negri, que esse texto sobre o Espinosa, justamente, revela. FAR

Ademar Santos disse...

Lamento se a desiludo, mas creia que nada, nem o altruísmo, nos salvará da barbárie, senão talvez a própria barbárie. Sei. porém, que entenderá a ironia...
E não deite os livros fora: servir-lhe-ão de combustível...

Ana Cristina Leonardo disse...

vendo bem, talvez a ironia também nos possa salvar

N. disse...

este mesmíssimo texto fez-me comprar e ler o livro se não me engano em 2004. Nunca pensei que um dia o pudesse dizer à autora. Há coisas fantásticas. Devo ainda acrescentar que houve logo quem me torcesse o narizito nortenho, ai o Damásio e coiso que não trás nada de novo e tal. Eu gostei, na altura ensinou-me coisas. Pois foi.

Ana Cristina Leonardo disse...

Há coisas fantásticas.

pois há, o algarve só com um l, Lagos e etc.

leprechaun disse...

Comentando só a belíssima primeira parte do post, não li ainda a entrevista, volto a insistir naquilo que já disse no Rerum Natura a propósito do Proctor orador, ó espírito escritor! :)

Aquilo que Damásio afirma sobre o importantíssimo papel do sentir - manifestações mentais do equilíbrio e da harmonia - bem anterior à capacidade autónoma do pensar, corrobora por inteiro o que lá se escreve no "Segredo", incluindo essa belíssima frase dos "pensamentos harmoniosos"... sentimentos gloriosos! :)

Noutro plano, também relacionado, é notável a quase coincidências destas ideias com aquelas expostas no Budismo quanto à expressão dos fenómenos mentais, tantos séculos antes de por aqui nos começarmos a debruçar experimentalmente sobre isso!

Aliás, o próprio Damásio participou com o Dalai Lama num dos encontros regulares que este desde há uns 15 anos tem promovido entre figuras de topo da ciência e líderes budistas.

Logo, insisto, não fiques pela superfície...

Rui leprechaun

(...passa o espelho, ó Alice! :))

leprechaun disse...

A filosofia é o princípio de todas as ciências


Claro! Não há ciência sem filosofia, ela é sempre o princípio da reflexão que tem obrigatoriamente de acompanhar a descoberta do mistério do mundo.

De resto, a ciência continua a ser a filosofia do mundo natural, e para já não se vê como pode ultrapassar essa fronteira, enquanto para a metafísica não se põe qualquer barreira.


A ciência é uma das vias para o saber mas não é a única.

Ah, grande Damásio!!! Por certo, é mesmo isto que todos os grandes cientistas sentem, confrontados com a limitação não só do seu saber mas do próprio método para o conhecer.

Só quem tudo pensa que sabe pode pretender monopolizar o conhecimento pela via de um único instrumento.

Mas a trindade é sagrada...

Rui leprechaun

(...Physis e Metaphysis Religada! :))

leprechaun disse...

os sentimentos abrem a porta a uma nova possibilidade: o controlo voluntário daquilo que até então era automático


Fantástico, ó grã entrevistadora, belíssimas e bem fundas essas questões... neurónios cem triliões!!! :)

E sim, esse sinto, logo existo, é mesmo o motto da inquisição pessoal no Oriente, fundada na autodescoberta de uma mente e um coração alerta!

E o monismo de Espinosa, a substância imanente - mas que NÃO invalida o Divino transcendente! - dando o humano como um todo, UM SÓ é da Vida o modo!

Pranam a TI, ó Senhora!...

Rui leprechaun

(...sábia Alma encantadora! :))


Falaste-me do mundo
Antes do despertar dos pássaros
E eu conheci a tua alma
No silêncio da noite