17/04/08

O tempo não está para reflexões profundas (ou talvez esteja)

You'd be surprised how much it costs to look this cheap! — Dolly Parton

10 comentários:

Joana Dalila Santos disse...

Beijo

Anónimo disse...

Como o post "Tertúlia Literária à Mesa do Jantar ou «porque lhes dais tanta dor?!", já ficou muito lá para trás e só agora o li, peço desculpa por deixar o meu comentário aqui. Na verdade,
alguma coisa sobre esse assunto gostaria de dizer.
As compras de livros destinados às bibliotecas do Ensino Básico somam milhares e milhares de livros do Torrado e do Letria. O Torrado tinha todos os seus títulos adquiridos: a obra completa! O Letria seguia-lhe os passos.
A Sofia (para mágoa dela) tinha apenas uma das suas obras comprada em 1976!
Sei do que falo. As crianças das escolas desconhecem os autores portugueses que para elas escrevem. Os professores acabam por utilizar apenas os textos destes dois autores, acrescidos de mais uns da Menéres, da Matilde Rosa Araújo, do Carlos Correia e pouco mais. Há que acrescentar os outros muitos milhares de livros de autores estrangeiros adquiridos para as blibliotecas das escolas do Ensino Básico ficando os restantes autores portugueses ignorados.
O assunto já deu que falar: "Ditadura Cultural Exercida Sobre as Crianças", pôde ler-se nas duas páginas centrais de um determinado jornal aqui há uns anos. A "história" arrasta-se desde os inícios do 25 de Abril - infelizmente. Grandes nomes da literatura portuguesa para os mais pequenos têm ficado de fora. As crianças das escolas, a nível das bibliotecas escolares, desconhecem-nos : Alice Gomes, Maria Lamas, Adolfo Simões Muller, José de Lemos, Ricardo Alberty, Luísa Dacosta e muitos mais. Embora a sua obra seja aproveitada para os livros de textos!
A Assembleia da República instaurou um inquérito. Tudo se passava nos "bastidores" da Direcção-Geral do Ensino Básico, com umas «fadas madrinhas» a "fazerem milagres´" lá dentro. Grande negócio! Chegavam a dizer a determinados editores (dois ou três, os restantes também ficavam de fora): «Publiquem-nos, que nós compramos». Um verdadeiro escândalo.
As coisas não mudaram a partir do inquérito. Ficámos na mesma: passaram a comprar somente «os autores premiados». E quem são os autores para a infância mais premiados deste país? Precisamente o Torrado e o Letria!
São "peças" difíceis de mover. O grupo é unido e as «fadas madrinhas» continuam a proteger os seus «afilhados». Muito mais teria a dizer, mas por hoje, chega. Obrigada por ter levantado a questão - que obrigou alguns autores, já com obra feita, a deixar de escrever para os mais pequenos.
Na altura do inquérito foi entregue um abaixo-assinado de professores do Porto, com mais de duas mil assinaturas, a solicitarem obras de outros autores para as bibliotecas escolares.
Cumprimentos e parabéns pelo seu blog.

M.J.B.

fallorca disse...

Cum catano! Tanto pelo ressuscitar da Dolly Parton (fonix!), como pela sacudidela na pasmaceira das "opções" dos autores de literatura infantil.
Razão terá a Joaninha para não querer crescer. Custa tanto...

fallorca disse...

Bom dia, ai o serviço hoje está demorado? Então vou-me embora, já não há pachorra prás próteses da Dolly Parton

Ana Cristina Leonardo disse...

Caro M.J.B.
Não sabia desse inquérito mas pelo que intuo as fadas madrinhas continuarão activas

Anónimo disse...

Sim, continuam activas, smpre na sombra. Quem as conhece, conhece também os "bastidores" tenebrosos da literatura para crianças. Repare, que a obra completa dos nomes que deixei no meu comentário, além de outros, não está representada nem com um único título nas bibliotecas das nossas escolas do Ensino Básico. Mas o seu trabalho é aproveitado pelas editoras. Daí, as crianças que frequentam as bibliotecas escolares estarem fartas, principalmente, do Torrado e do Letria - que tem, agora, um dos filhos a ilustrar-lhe os livros.
Alguns dos autores que cito já não estão entre nós, mas levaram consigo essa mágoa. A verdade é que a obra ficou!
Por isso a Sofia não foi receber o Prémio da Gulbenkian quando este lhe foi atribuido.
Irene Lisboa, Aquilino Ribeiro, Maria Rosa Colaço, Maria do Carmo Rodrigues, Manuela Nogueira, Carlos Pinhão, Álvaro Magalhães, Pedro Alvim ou Maria Lúcia Namorado são outros tantos nomes marginalizados. E nem se trata de "simpatias" políticas. Aqui a política tem sido outra!

Renovados cumprimentos

M.J.B.

fallorca disse...

M. J. B., obrigado por ter levantado um pouco mais do véu ou xaile com que se têm (des)protegido as criancinhas

Anónimo disse...

fallorca:
Pode crer que se trata de uma "história" de «fadas madrinhas»
que se transformam, facilmente, em «bruxas más»! E as crianças acabam por desconhecer a verdadeira literatura portuguesa para elas escrita por autores consagrados. Fora os horrores dos livros estrangeiros, maus e péssimamente traduzidos que se encontram nas bibliotecas escolares.
Não sei muito dos autores aparecidos nestes últimos anos. Mas penso que a dificuldade para se afirmarem e serem lidos pelos mais pequenos deve continuar a ser a mesma. E nem sequer me referi aos prémios atribuidos até hoje na área da literatura para a infância...
O nome Criança, neste país, tem servido de proveito a muitos. Só a Criança, sobretudo no que se refere a livros, nada tem aproveitado.
Cumprimentos para si
M.J.B.

fallorca disse...

MJB, igualmente para as suas iniciais ;)

J L disse...

Não, não está. Efectivamente.