25/03/08

Intervalo para a publicidade: Joaninha, a menina que não queria ser gente, já chegou às livrarias

Joaninha Toma uma Decisão Depois do Jantar e Nós Ficamos a Saber Qual Foi.
– Qual foi o quê?
– A decisão.
– E o jantar?
– O jantar foi bife com batatas fritas.
– Ah!

Então, um dia, o dia mesmo antes de fazer sete anos, depois do jantar Joaninha tomou uma decisão, que é uma coisa que também se pode tomar durante o pequeno-almoço, ou a outra hora qualquer. Não é como os remédios. Aliás, para se tomar uma decisão nem é preciso estar doente. Basta que deixemos de ter dúvidas e passemos a ter certezas.
Por exemplo, se perguntarmos ao lanche:
– O que é maior? Um hamster ou um elefante?
Claro que o elefante é de certeza maior, mesmo se o hámster for crescido e o elefante tiver acabado de nascer, até porque os elefantes bebés pesam 125 quilos e os hámsters nunca passam muito de 1 quilo, mesmo quando já são adultos.
Mas, voltando a Joaninha que, parece-me, não tinha hámsters. Nem elefantes, julgo eu.

«Não quero fazer sete anos!», eis a decisão que Joaninha tomou eram quase nove da noite, já tinha comido o bife e estava na sobremesa. Tinha agora de avisar os pais, para não comprarem as velas.
Como a mãe não estava em casa (tinha ido ao jardim passear o Pata Branca), Joaninha foi ter com o pai à cozinha onde ele levava a loiça:
– Pai, estive a pensar… Eu não quero fazer sete anos!
– O quê? – perguntou o pai, porque com o barulho da água não a tinha percebido.
– Não quero fazer sete anos!
– Ora, que disparate!
– Não quero, não quero e não quero!
– E onde é que foste buscar uma ideia tão maluca?!
Joaninha ia responder que não tinha ido a lado nenhum buscar a ideia maluca porque ela estava muito bem, obrigada, dentro da sua própria cabeça, quando a mãe chegou da rua e o pai – crac! – partiu um prato.
– Lá partiste outra vez qualquer coisa! – disse a mãe.
E o pai disse:
– Para a próxima lavas tu a loiça!
E a mãe disse:
– Era só o que faltava! Eu faço o jantar, tu lavas a loiça!
E a Joaninha percebeu que iam começar naquilo do filme! notícias! filme! notícias!, só que desta vez ia ser loiça! jantar! loiça! jantar! e resolveu ir para a cama sem sequer lavar os dentes.
No outro dia de manhã, antes de fazer anos, porque só tinha nascido às cinco e meia da tarde, Joaninha tentou convencer a mãe:
– Mãe, não quero fazer sete anos!
A mãe, que estava – nhac! nhec! – muito distraída a comer os seus cereais, quase que se engasgou:
Glup! Não queres fazer sete anos?!
– Não, não quero!
– Mas que ideia tão sem pés nem cabeça! Pois se já fizeste seis... Não podes saltar para os oito assim de qualquer maneira. Isso seria batota!
– Mas eu não quero fazer sete anos! – insistiu a Joaninha.
– Oh! Joaninha! Mas toda a gente faz anos.
– Então, eu não quero ser gente!
E foi, então, que aconteceu uma coisa extraordinária.
Zás! Trás! Pás!
Joaninha transformou-se em PEIXE!
Ora, acontece que os peixes só respiram debaixo de água, o que não sendo uma coisa tão extraordinária como Joaninha ter ficado coberta de lindas escamas azuis, também não deixa de ser fantástico.
Como é que eles conseguem?
(...)
Joaninha, a Menina que não queria ser gente, Ana Cristina Leonardo (texto); Álvaro Rosendo (ilustracões), Gradiva Júnior

14 comentários:

Joana Lopes disse...

Gostei. Vou comprar.

-pirata-vermelho- disse...

Eu não, parece grosseiro. Não compro.

Araras & Avestruzes disse...

Pronto - leva lá mais uma bola de berlim, com recheio. Estou muito feliz que tenha saído - agora falta o resto...
http://araras-avestruzes.blogspot.com/2008/03/inteligente-e-divertido.html

Armando Rocheteau disse...

Aqui à livraria do bairro o livro não chegou ainda. Vou comprá-lo à cidade.

rui g disse...

É só um pequeno excerto, mas promete e dá vontade de oferecer a um filho que, por acaso, não tenho. Parece-me, então, uma boa desculpa para o comprar para meu deleite privado e, caso não venha a gostar, sempre o posso oferecer aos nossos governantes cinzentões, de lábios cerrados e sorriso encolhido, que apenas se liberta para moldar as suas, quase sempre presentes, patarecas caras de parvo...

Paulo disse...

Parabéns! Mesmo.

margarete disse...

:) parabéns.

(hei-de procurar)

N. disse...

Hei-de ler (e ver) isso...

miguel. disse...

eu já li, e gostei muito... recomendo a quem ainda não leu.
uma história muito bonita e com umas ilustrações muito boas.
obrigado Cristina

menina-alice disse...

"Então, eu não quero ser gente!"

Muito, muito bonito todo o excerto. Vou comprar também para ler ao meu guerrilheiro.

Luis Eme disse...

Já comprei mas ainda não li... só folheei...

apesar de descolorido e não ter capa de livro infantil, promete...

lebredoarrozal disse...

parabéns:)

Ana Cristina Leonardo disse...

A todos os que gostaram (e um triplo para os que divulgaram...), muito obrigada!

leprechaun disse...

Ah! Também está aqui... hurra p'ra ti!!! :)

Do cão só a pata é branca, que ele prò carvão desanca... ;)

E o rabito também... algodão de pêlos cem!

Enfim, lá vou percebendo... letrinha a palavra lendo!

Que um Peixe-Joana azul...

Rui leprechaun

(...condiz bem cá co'o taful! :))