06/02/08

Será Deus uma ideia assim tão benéfica para o homem?


«Observe-se uma formiga num prado, trepando laboriosamente a uma folha de erva, cada vez mais alto, até cair; volta a trepar e, mais uma vez, qual Sísifo a rolar a sua pedra, tenta chegar ao cimo. Porque é que a formiga age desta forma? Que benefício busca para si própria com esta actividade árdua e improvável? Trata-se da pergunta errada, afinal. Não resulta daí nenhum benefício biológico para a formiga. Ela não está a tentar obter uma melhor visão do território, à procura de alimento ou a pavonear-se perante um par potencial. O seu cérebro foi ocupado por um minúsculo parasita, um verme (Dicrocelium dendriticum) que necessita de ter acesso ao interior do estômago de um carneiro ou de uma vaca para completar o seu ciclo reprodutivo. Este pequeno verme cerebral está a tentar posicionar a formiga para beneficiar a sua descendência, não a da formiga. Existem parasitas similarmente manipuladores que infectam peixes e ratos, entre outras espécies. Estes parasitas levam os seus hóspedes a comportar-se de formas improváveis - até mesmo suicídas - para benefício do hóspede, não do hospedeiro. Será que algo semelhente acontece com os seres humanos? Na verdade, sim (...)»

O resto em Quebrar o Feitiço, A Religião como Fenómeno Natural, Daniel C. Dennett, Esfera do Caos, 2008

1 comentário:

manuel disse...

Isto lembra-me o Burroughs...