17/11/07

O que Eu Disse ao Jornal Público sobre o «Debaixo do Vulcão»

Disse que mais depressa pertenceria ao Clube dos Amantes de Debaixo do Vulcão do que a um partido político
Disse que quando volto ao livro de Lowry não consigo reler as páginas finais porque já as sei de cor e são demasiado terríveis
Disse que não se deve recomendar o Debaixo do Vulcão a pessoas demasiado impressionáveis
Disse que me tinha apaixonado por um homem porque ele tinha o Debaixo do Vulcão na mesa de cabeceira mas que depois, como muitas vezes acontece, uma coisa não tinha a ver com a outra
Disse que o México do Lowry é o México. Ponto final
Disse que o livro de Lowry é um livro com tomates
Disse que nos dias de hoje, se encontrasse alguém a ler o Debaixo do Vulcão no comboio, convidaria esse passageiro para tomar um café
Disse que o Debaixo do Vulcão sobreviveu ao tempo, ao contrário de outros livros, como por exemplo, Os Cem Anos de Solidão, que vivem do efeito surpresa
Disse que o Debaixo do Vulcão é uma obra total. Talvez o último grande romance, à maneira de Tolstoi
E disse que era mesmo verdade que no se puede vivir sin amar

15 comentários:

Luis Eme disse...

Apetece-me dizer-te que vou ler "Debaixo do Vulcão".

Fiquei curioso, ao ler o "Público"...

ana cristina leonardo disse...

excelente decisão

Táxi Pluvioso disse...

Em Londres só há love. Mas love is a...

ana cristina leonardo disse...

será por causa da feniletilamina

N. disse...

quer isso dizer que há pelo menos UM GRANDE LIVRO que eu ainda vou ler? (não se pode sequer pensar em morrer antes!)
fico feliz por saber. Será que o vou encontrar?

Anónimo disse...

Como diz Deleuze," tudo isso, sao recordacoes de viagem...". E como ele viajava tao pouco...Bom texto e avanti, mesmo com os vassalos jmfs!!!FAR

Milú disse...

Só por curiosidade: afinal quem é que bebia mais, Geoffrey Firmin ou Malcolm Lowry?

ana cristina leonardo disse...

n, o livro foi recentemente reeditado pela Relógio D'Água
milú, a resposta, a existir, ficar-se-ia provavelmente pelo empate

Armando Rocheteau disse...

Vou reler na recente reedição (fiquei sem ele numa mudança de casa e de vida) e vou andar com ele à espera de um convite para um café.

ana cristina leonardo disse...

normal e sem açúcar

N. disse...

Há bocadito, ao ler por ai na net (não li o público), é que eu percebi a razão do post, ou a razão de se chamar: "o que eu disse (...)". Deram prémio à melhor resposta/definição, foi? (não te zangues, please, eu estou a rir)

N. disse...

de todo o modo (estou com receio que te zangues) já encomendei o livro e vou ler. Se bem que ao pesquisar e dar de caras com a capa da edição dos «livros do brasil - colecção dois mundos»... mas eu ia lembrar-me, embora fosse jovem e imatura, ia lembrar-me se tivesse lido. As capas são todas tão iguais, deve ser por isso.

ana cristina leonardo disse...

n, não. não havia concurso nem prémios. só que as conversas pelo telefone, às vezes... A não ser que haja escutas, claro.
Mas, já agora, zangar-me, a que despropósito?

sem-se-ver disse...

(belissimo post)

ana cristina leonardo disse...

sem-se-ver, o cônsul agradecer-lhe-ia já que era um cavalheiro