11/02/12

Gaspar e o mestre (Yes Master, Please Master, Thank you Master)


Roubado aqui

13 comentários:

Carlos Azevedo disse...

Excuse my french, Ana, mas imagino -- salvo seja -- a cena mais densa: «Do you want me to kiss your ass, master, or do you prefer a blowjob?»

Ana Cristina Leonardo disse...

Em versão completa à la Ginsberg, Please Master
http://www.youtube.com/watch?v=jWxl-HvwjJs&feature=share

Carlos Azevedo disse...

Uma coisa é certa: o Gaspar demorava o triplo do tempo a declamar -- no mínimo.

m.a.g. disse...

Esta abnegação tresanda, a vassalagem é um nojo.

Fado Alexandrino disse...

Gostaria de acrescentar para quem não saiba (eu também não sabia)que o senhor alemão é paraplégico e desloca-se numa cadeira de rodas o que talvez explique ambas as posturas corporais.

Ana Cristina Leonardo disse...

O senhor levou há uns anos, creio que dois tiros, e ficou paralítico. Mas, embora a gestualidade corporal não seja muda, o que aqui está neste vídei é, pelas palavras, a confirmação de uma coisa muito simples e, quanto a mim, revoltante. A Europa, a UE, é conversa para entreter meninos. Ponto um. Quem manda é a Alemanha e o resto é paisagem.
Ponto dois. As políticas económicas europeias, ou seja, as políticas económicas determinadas pela Alemanha, estão-nos a ser impostas em função do jogo eleitoral alemão, do partido no poder na Alemanha e na sua estratégia para continuar no poder. Perante isto, o senhor luterano do vídeo pode ser paralítico, mas o resto das pessoas não são cegas. Tudo isto é uma fraude. A única coisa que é verdade é a cadeira de rodas (que não se vê)

margarete disse...

"Uma coisa é certa: o Gaspar demorava o triplo do tempo a declamar"

:D:D:D

Manuel Vilarinho Pires disse...

Enganei-me.
Esta conversa privada não me impressionou pelo conteúdo.
Não se pede dinheiro emprestado a fazer manguitos ao potencial credor. Podemos não gostar de ter ficado dependentes de credores, mas é para essa dependência, e não para a forma como se lida com ela, que devemos dirigir a nossa indignação.
Impressionou-me pelo que me pareceu uma postura corporal subserviente do ministro português relativamente ao alemão.
Só agora me dei conta que o alemão é paraplégico.
Enganei-me.

Ana Cristina Leonardo disse...

Manuel, francamente não percebo essa história do paralítico.
É que o problema, pelo menos para mim, nunca foi o gaspar estar em pé e o ministro das finanças alemão sentado. O problema, pelo menos para mim, insisto, sempre foram outras 3 coisas:
1. Confirmar, pela conversa, que quem manda é a Alemanha e a Europa é uma fraude
2. O Gaspar andar a dizer que tudo vai vem no reino de portugal e dos allgarves e depois, em privado, demonstrar que o que anda a dizer é uma albrabice.
3. Confirmar que a crise europeia anda a ser tratada em função das eleições na Alemanha.
O resto... foi uma infelicidade que aconteceu ao senhor (que, aliás, enquanto bom luterano, sabe com certeza que a graça - ou a desgraça - divina não depende das obras)

Manuel Vilarinho Pires disse...

Ana, a história do paralítico é relevante para mim, porque me enganei ao interpretar as mímicas deles como uma postura de subserviência.
Essas 3 coisas que enumera, em que até acredito, não são no entanto provadas no filme, e podem ser vistas por pontos de vista diferentes.

1. Numa negociação entre quem precisa de dinheiro e um potencial credor, o poder negocial é sempre deste. Seja entre pessoas, empresas ou países.
A UE tem um poder limitado porque quem a financia tem, naturalmente, uma palavra a dizer, e pode recusar o financiamento.
Os contribuintes são forçados a pagar impostos, mesmo que não queiram, porque o Estado tem força (ia dizer autoridade, mas é força) para os prender se não os pagarem.
A UE não tem esse poder sobre países grandes, nem sequer sobre os pequenos. É através do balanço entre os interesses comuns (da UE) e os de cada país que se desenvolvem os processos negociais, e a capacidade negocial da UE acaba quando é mais vantajoso para um país sair do que manter-se dentro.
Disto tudo se tira que, sem o dinheiro da Alemanha a UE não tem capacidade de intervenção, e sem o acordo da Alemanha não há dinheiro alemão. Só não seria assim se houvesse uma situação de dominação dos países pela UE, que estaria ainda mais longe do espírito da UE do que a falta de solidariedade e de nível dos seus líderes actuais, a começar pela alemã.
Eu não diria disto que a UE é uma fraude, mas antes que convém ter uma noção mais realista dos limites do alcance da UE.

2. A quem acredita que o cumprimento do plano da troika pode permitir sair da crise (não é o meu caso, como sabe, e desde a primeira hora), o que Portugal tem feito, tem feito bem.
Porque tem feito o que está combinado, significando que, se a coisa correr bem, sairá da crise, e, se correr mal, adquiriu capacidade negocial para conseguir apoios adicionais para continuar a tentar sair.
Ou seja, não é preciso uma profissão de Fé nos resultados deste plano da troika (mas é preciso Fé na capacidade de este tipo de apoio possibilitar a saída da crise) para persistir nele, porque, mesmo que não resulte, contribui para criar condições para um plano B.
Posto isto, não assumir publicamente a possibilidade (e não certeza) de ser necessário um plano B não é necessariamente uma aldrabice, nem o coloca em causa se for mesmo necessário.

3. A UE é uma união de governos, não de cidadãos.
Não é arquitectura que eu aprecie, também já sou capaz de ter dado aqui na pastelaria algumas secas a explicar o que eu preferia.
Sendo união de governos, é natural que cada governo dê à sua possibilidade de reeleição uma prioridade alta.
E nem está mal: os governos não devem fazer na UE o contrário do que os seus eleitores querem.
A crise europeia anda, pois, a ser tratada em função das eleições na Alemanha, e das eleições em todos os países europeus, à medida da capacidade de negociação de cada um.
Claro que seria muito diferente se houvesse um Governo europeu, eleito pelos cidadãos e prestando-lhes contas a eles, em vez de um pseudo-governo nomeado pelos governos dos países.
Mas "chances are", nesse caso, que o primeiro-ministro europeu até pudesse ser a Merkel, porque as eleições não têm resultados cozinhados por eles nem por nós, têm o resultado que os eleitores querem que tenham.

Resumindo (eh, eh, eh... depois de um comentário com o tamanho de um discurso do Fidel ainda peço mais um bocadinho para resumir), a UE foi construída com uma arquitectura errada, os líderes actuais da UE e dos países são uma nódoa, e acredito que a UE não sobreviva a esta geração.
Mas, dado este contexto, não vejo nada de censurável na conversa que, vergonhosamente, foi divulgada por jornalistas de buraco da fechadura, não em nome da transparência (sê-lo-ia se revelasse aos cidadãos conteúdos conspiratórios realmente condenáveis), mas da bisbilhotice.

E pronto, puxou por mim a propósito da UE e ainda levou uma seca maior que a falta de chuva!
:-)

Ana Cristina Leonardo disse...

Francamente, não entendo! Como o homem é paralítico, está tudo bem...

Carlos Azevedo disse...

Ana, concordo contigo, mas reconheço que na minha análise a postura também foi levada em conta. Tirando esse ponto, em que, de facto, cometi um erro, mantenho que tudo o resto foi lamentável.

Manuel Vilarinho Pires disse...

Como o homem é paralítico, o aproximar-se e baixar-se para falar com ele, e o facto de ele nem se levantar nem se aproximar do outro, não indiciam, ao contrário do que parece (me parecia a mim), subserviência.
Quanto aos conteúdos, penso o que escrevi antes, tudo na mesma.