03/02/12

Estou com Vasco Graça Moura e ninguém tem nada com isso

1. Fizeram um acordo cujo único objectivo é vender dicionários e derivados.

2. Fizeram um acordo que está para a língua portuguesa como as leis dos burocratas europeus sobre o pão duro e os coentros estão para a açorda.

3. Fizeram um acordo que, do ponto de vista linguístico, é disparate atrás de disparate.

4. Embalados numa modernice que teria feito as delícias de Bouvard e de Pécuchet (dois homens sempre na vanguarda...), tentaram impor a ideia de que todos os que se opunham à "uniformização???!!!" da língua não passavam de reles conservadores e retrógrados, enquanto, ao mesmo tempo, complicavam grafias (algumas, agora com três hipóteses e siga o baile).

5. Vasco Graça Moura, personagem com quem não simpatizo, terá resolvido corajosamente não o aplicar no CCB (por acaso, já me tinha perguntado como descalçaria ele essa bota).

6. Perante o gesto (desobediência civil?) que só dignifica Graça Moura (e a língua portuguesa, já agora), António José Seguro foi fazer queixinhas ao Primeiro-Ministro. Gente de mierda, tão pequenina!

17 comentários:

Joana Lopes disse...

O que me tenho divertido!

Anónimo disse...

O cómico é que o SEC que lhe ofereceu o lugar é acérrimo defensor do tal "Acordo".
Maria Helena

JPD disse...

Os portugueses hoje pouco mais possuem que o mar e a língua. O mar sacrificaram-no de bandeja na ilusão da UE. A língua - o português, por cujo uso universal devíamos porfiar, aproximando-nos cada vez mais dos muitos falantes que a utilizam no dia a dia e que tanto esperariam de nós, não pode ser tratada assim por preconceitos serôdios, fora de tempo.
A partir de hoje vou mesmo aderir ao novo acordo ortográfico, o que não tinha feito ainda por preguiça!
Tenham tino senhores intelectuais!

José Duarte

josé agostinho baptista disse...

Os insignes, modernos e doutos servidores do sistema produziram um acordo ortográfico que não passa de um rol de mercearia, como se a língua fosse uma espécie de farinheiras, chouriços, couves ou batatas.
Não dês voltas no túmulo, ó ingénuo Pessoa.
Se ser conservador é dizer não a esta paranóia circence, então mais vale a pena ser conservador, perante a frenética comichão legisladora dos burocratas, insensíveis, pedantes e autistas.
Hoje de fato não me apetece andar de fato. Hoje só me apetece vomitar.

Ana Cristina Leonardo disse...

JDP, e fá-lo por acordo de consciência - por gostar, sei lá, de passar de espectador a espetador - ou só para chatear o Graça Moura? É que se for pelo segundo motivo, o que parece ser o caso dado o seu "hoje" tão veemente, mais vale mandar-lhe um e-mail e ele. Aqui na Pastelaria não servimos de intermediários.

m.a.g. disse...

Um aplauso ao transgressor e a transgressão. Este acordo é uma aberração, um total desacordo e desrespeito pela integridade da língua.

Carlos Azevedo disse...

Só sei que terei de corrigir dezenas de páginas da minha dissertação à custa desta brincadeira, porque a minha universidade se lembrou de obrigar toda a gente a entregar os trabalhos académicos de acordo com as novas regras a partir de 01/01/2012. Quem tinha um trabalho quase concluido, *****-se!

Piorquemao disse...

Mas é claro que não! Com o sem V.G.M.

Anónimo disse...

«desobediência», Cristina. Não dêmos munições ao inimigo.

Anónimo disse...

Achei o seu post justo, inteligente e esclarecido. Concordo totalmente com o que diz sobre o disparate ortográfico oficial e com o modo como comenta a decisão do Graça Moura.
Obrigada por ter publicado isto.

Ana Cristina Leonardo disse...

vou já corrigir, obrigada.

não tem nada que agradecer, ora essa.

io disse...

Se ele levar a desobediência até 2015, eu ainda me converto e passo a gostar do homem. No mais: mierdinha de gientinha, mesmo, Ana Cristina!

Táxi Pluvioso disse...

Quando se dá a um tirante poleiro ele ficará num presidente de junta.

Linha Recta disse...

A favor do regime de excepção do CCB!!!!

jaa disse...

Concordo com o ponto 1. E com o 2. E com todos por aí abaixo até ao 6. Inclusive.

DURINDANA disse...

Miudinho e ressabiado é Vasco Graça Moura, a quem reconheço muito mérito como poeta, mas que me desilude por não encontrar entre a sua poesia e o seu comportamento a menor similitude.
Isto é o que eu penso e também ninguém terá nada a ver com isso!
Saudações democráticas

Anónimo disse...

Um director novo chega e manda subsituir materiais e software de toda uma fundação. À patrão. E quem paga? Nós...claro. Isto não os inquieta?

J.