02/08/11

Às vezes prefiro mesmo a minha cadela e que se lixe a metafísica

A história de Ameneh Bahrami é sinistra. Um homem, Majid Mohavedi, que viu recusado o seu pedido de casamento, atirou-lhe ácido à cara, desfigurou-a e cegou-a.
Segundo a lei vigente no Irão, quem com ferro mata com ferro morre. Um tribunal condenou Majid Mohavedi à cegueira e a sentença só não foi executada porque a vítima o perdoou no último momento. Em vez de cego, o agressor terá de lhe pagar uma determinada quantia em dinheiro, com base naquilo a que é chamado “dinheiro de sangue”.
É evidente que qualquer ser humano que lance ácido sobre outro merece castigo e dos valentes (a não ser que mais nenhum recurso lhe reste para se salvar a si próprio), e a história desta iraniana dirá muito da relação entre os dois sexos no país.
O que choca, contudo, na notícia é, mais do que o gesto do homem, um tribunal tê-lo condenado à cegueira. E, ainda mais do que isso, a execução da sentença ter lugar num hospital. Sem ou com anestesia, pergunto?
Porque, no último caso, seria um pouco como a pena capital, em que os matamos civilizadamente, tal como no poema da Sophia, sem descurar a sensibilidade do acto.

2 comentários:

N. disse...

Não conhecia o poema da Sophia. No outro falámos de galinhas. É estranho mas eu não associava isto (das galinhas) a sensibilidade, mas a falta de coragem.

Iris Murdoch é muito bem pensado para eu desemburrar nas leituras.

Ana Cristina Leonardo disse...

N., sê bem aparecida. Este livro da Murdoch é muito, muito divertido. E, apesar de ser o primeiro, é uma coisa deliciosa, mesmo.
Já leste o Nada a Temer, do Barnes? Tb. é bom para desemburrar nas leituras...